Minha história com as cartas começa anos atrás. Eu já atuava como astróloga há alguns anos quando decidi estudar a simbologia e o significado do tarô. Não lembro bem como foi, mas lembro que não foi algo que decidi de forma muito confiante.
Se a astrologia é uma prática milenar, que havia sido estudada em universidades e que permite encontrar seus símbolos até os dias atuais em ruínas, Igrejas, obras de arte e teatros anatômicos no mundo todo, o tarô é “um pouco” mais recente (século XVI). Soma-se a isso o fato de que a astrologia previa um cálculo astrológico-astronômico que gera um mapa e que é a partir dos símbolos existentes nesse mapa que se inicia qualquer leitura.
Mas e o tarô… de onde viriam as mensagens das cartas?
Era essa a pergunta que eu me fazia ao mesmo tempo em que a atração por compreender esse novo universo apenas aumentava. Decidi dar minha cara à tapa. Comprei meu primeiro deck (um Rider-Waite-Smith produzido no Canadá com o nome das cartas em francês nas cores preto, dourado e detalhes em roxo) e comecei a estudar.
Como sempre, fui atrás de sua origem: cidades italianas, pesquisadores contemporâneos dos quatro cantos do mundo, grandes nomes do tarô e livros importantes em diversos idiomas. Quando mais eu mergulhava nesse mundo, mais me inquietava.
Afinal, de onde vêm essas mensagens?
Enquanto seguia meus estudos, decidi tirar um conselho por semana, sempre aos domingos, e observar. Vez ou outra, anotava acontecimentos e situações em um caderno. Outras vezes, compartilhava com o marido o que percebia.
Fato é que pouco tempo depois, o pisciano que divide teto, vida e sonhos comigo decidiu também experimentar.
A partir daí, éramos nós dois, juntos, todos os domingos, tirando um conselho para a semana. Natural que, pouco a pouco, a gente fosse tendo cada vez mais confiança no que as cartas diziam.
Mas eis que aconteceu algo, em um desses domingos, que a gente nunca mais esqueceu. Eu tinha o hábito de tirar uma carta primeiro, devolvê-la para o deck e ele fazer sua tiragem em seguida.
Tiro minha carta: O Pendurado.
Ele pega o deck da minha mão, embaralha por alguns segundo e tira uma lâmina.
Sua carta: O Pendurado.
Um frio na barriga toma conta de mim. Isso nunca tinha acontecido antes.
Fiquei me perguntando o que aquela carta queria dizer…
Representado pelo número 12, o algarismo da renúncia, sua soma (3) faz referência à carta da Imperatriz, nos avisando que é o momento de renunciar à criação. O Enforcado também forma um número 4 com suas pernas, mostrando que o potencial de criação do Imperador não pode acontecer nesse momento, já que está de cabeça para baixo. Além disso, o número 12 também é o inverso do 21 que é a carta do Mundo, trazendo o lembrete de que ainda não é hora de concluir nada. Em resumo, renúncia, estática, paralização.
Como ambos tiramos a mesma carta, aquela mensagem não era apenas para mim ou para o marido, mas para o casal.
As palavras-chave do Pendurado são a paciência, a estagnação, a imobilidade, as mãos atadas, o sacrifício, a renúncia, a preparação, o foco e a observação. Sua maior fama é ser conhecido como a carta dos sacrifícios.
Quando esta carta sai em uma tiragem, ela nos convida a parar, analisar, esperar, aceitar e observar. Há coisas fora do lugar e é preciso enxergar através de novas perspectivas e novos ângulos. Não há nada a fazer, exceto ser paciente.
Mas o que o Pendurado queria nos dizer naquele domingo?
Como era um conselho da semana, tudo o que a gente podia fazer era parar e observar. Poucos dias depois, veio a resposta: pegamos COVID. O Pendurado veio apenas nos avisar que não havia nada a fazer a não ser ficar debaixo das cobertas, nos medicar e esperar o vírus passar.
E assim foi.
Claro que esse acontecimento mexeu muito comigo. Não fazia muito tempo que eu estudava as cartas e esta sincronicidade me trouxe a confiança que eu precisava com as cartas.
Anos se passaram e milhares de tiragens depois, é ao tarô que pergunto aquilo que me atravessa, uma clareza, um conselho, um caminho. Aquela desconfiança inicial ou a incerteza da mensagem simplesmente não existem mais pelo simples fato de que eu vivo o tarô na minha vida. E que delícia poder contar com as cartas.
Essa história é só mais uma daquelas que fazem parte de quem estuda tarô… e por aqui, você vai ver muitas outras. Se você nunca fez uma leitura, talvez uma sincronicidade esteja acontecendo agora. Experimente e depois me diga.
Eu te garanto que ter um tarô por perto, muda a vida.
O Tarô é um sistema de cartas utilizado desde o século XIV originário da Itália. Ele consiste, tradicionalmente, em um baralho de 78 cartas, divididas em dois grupos principais: os Arcanos Maiores e os Arcanos Menores.
Através da leitura da simbologia das cartas, trazemos para a consciência informações que estão no inconsciente e que são fundamentais para a formação de um ego estruturante. Esse processo permite uma tomada de decisão com mais clareza, segurança e leveza em sua vida.
O tarô é uma linguagem. Se você entende esta linguagem, as cartas falam com você.
Beijos, Let.

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