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Tem uma cena que se repete com uma certa frequência nos atendimentos de terapia, nas rodas de conversa entre amigas, nas mensagens que chegam às três da tarde de uma terça-feira comum em meio a figurinhas salvas no celular...
A personagem principal dessa cena é uma mulher inteligente, competente e que já construiu muita coisa com as próprias mãos: filhos, carreira, projetos, relacionamentos, versões e revisões de si mesma.
Ela olha para a conta bancária e sente um vazio que não é de dinheiro. Esse vazio vem de algo mais antigo… quase visceral.
Às vezes é culpa. Às vezes é medo. Outras vezes é aquela sensação estranha de que crescer demais financeiramente seria uma espécie de traição. Contra quem? Ela não sabe ao certo.
A mãe virou um exemplo truncado do que ela não quer ser… O pai não estava presente quando ela mais precisava… A tia rica e infeliz parece provar que “dinheiro não traz felicidade”. O tio que só faz escolhas erradas e passa por dificuldades, virou persona non grata. O marido ganha mais e não se interessa pelo que você faz.
Os personagens dessa história podem mudar, mas nossa relação com as finanças e essa tal prosperidade tem raízes mais profundas do que a gente imagina e estão mais perto de nós do que a gente pensa.
O psiquiatra suíço Carl Gustav Jung dizia que somos habitados por muito mais do que a gente lembra. Nossa psique carrega camadas: a persona que a gente mostra para o mundo, o ego que acredita estar no comando, e a sombra… um território vasto e mal iluminado onde vive tudo aquilo que a gente foi ensinada a esconder.
Quando o assunto é dinheiro, a sombra feminina tem um currículo extenso.
O teto de vidro, aquele conceito sociológico que descreve as barreiras invisíveis que impedem a gente de avançar financeiramente, tem uma versão interna muito menos discutida: o teto psíquico. Esse teto não foi instalado por nenhum chefe, nenhuma estrutura corporativa, nenhuma lei. Ele foi instalado por nós mesmas a partir de narrativas que a gente herdou antes mesmo de aprender a ler.
Menina bonita não precisa ser inteligente. Mulher que fala de dinheiro é gananciosa demais. Ficar rica é sorte ou desonestidade. Dinheiro é sujo e muda as pessoas. Você foi feita para cuidar, não para acumular. A ambição vai mudar sua essência.
Essas frases podem não ter sido ditas em voz alta na sua casa. Muitas vezes não foram. Elas chegaram no silêncio, no que não foi dito, no que foi evitado, no desconforto que tomava o ar toda vez que alguém mencionava salário, herança, dívidas ou sonhos grandes demais... no trabalho suado, na procrastinação velada ou na postura do dia-a-dia de nossos familiares.
O dinheiro na sua casa era um assunto discutido ou escondido?
Os alquimistas medievais acreditavam que era possível transformar metais básicos em ouro. Aliás, se você já viu algum video meu no YouTube sabe que eu finalizo muitos deles com esta frase alquímica que eu amo.
Jung, fascinado por esse simbolismo, entendeu a alquimia como a maior metáfora do processo de individuação que a gente conhece: a transmutação da matéria bruta (os complexos, as sombras, as feridas) em algo precioso e consciente. Exatamente como faz Quíron em nosso mapa natal, mostrando que nossa cura está justamente por trás de nossas feridas.
Fazer alquimia com a sua relação financeira começa, obrigatoriamente, por um mapeamento. E olha que eu ainda nem estou falando aqui de planilha. Estou falando de memória.
Como o dinheiro se comportava na sua família de origem? Tinha abundância? Escassez? Silêncio sobre o assunto? Brigas? Segredos? Quem controlava o dinheiro em casa e o que isso comunicava sobre poder, gênero, amor e medo?
Qual era o “script” da sua mãe com o dinheiro? Ela pedia permissão para gastar? Escondia compras? Trabalhava mas não se via como provedora? Se sacrificava financeiramente pelos outros sem questionar?
E o da sua avó? Muito antes de você existir, existiu uma mulher que aprendeu que dinheiro era coisa de homem, ou coisa de sorte, ou coisa que não se comenta na mesa do jantar. Essa mulher está em você. As feridas dela podem estar operando nas suas decisões financeiras agora sem que você perceba.
Jung chamava isso de campo psíquico transgeracional: a transmissão inconsciente de padrões, medos e complexos de uma geração para outra. Não é destino. É herança. E heranças podem ser aceitas, renegociadas ou devolvidas… com amor, mas com firmeza.
Essa é uma ferida específica que encontro com frequência em mulheres na segunda metade da vida: a culpa em receber.
A gente tem a impressão que nossa maior dificuldade é ganhar dinheiro… Aliás, bora trocar o vocabulário de “ganhar dinheiro” para “fazer dinheiro” porque não tem nenhuma criança lendo esse texto.
Só que na maior parte dos casos a dificuldade não está em fazer dinheiro, mas sim na culpa de receber… de aceitar… de dizer “obrigada, eu mereço” sem imediatamente diminuir, devolver, redistribuir ou se justificar.
Muitas mulheres que chegam até mim sentem um aperto no peito quando negociam seus salários… Sofrem antecipadamente por conversas que em 90% dos casos acontecem de forma muito mais natural e simples do que o que os Gremlins que habitam sua cabeça imaginaram.
Mulheres têm uma tendência maior a dar descontos mesmo antes dele ser pedido. Cobram menos por serviços e produtos de alto valor. Entregam mais do que combinaram não por generosidade genuína, mas por uma ansiedade difusa de não serem vistas como gananciosas ou arrogantes. Sofrem caladas quando alguém deixa de pagar por inabilidade de cobrar por um direito.
Mulheres têm historicamente mais dificuldade de olhar para o próprio saldo bancário. Adiam a declaração de imposto de renda. Não sabem ao certo quanto têm investido, nem quanto devem. Não falam sobre finanças, investimentos ou planejamento financeiro ou sucessório com os próprios maridos. Sabem que sem elas, eles não chegariam onde estão, mas ainda assim, vez ou outra, se satisfazem com um pix mensal sem nem saber ao certo o patrimônio que jaz na conta do marido e que está lá graças à ela também.
Em termos Junguianos, podemos falar sobre o complexo de inferioridade em território financeiro: a crença profunda, subterrânea, de que nós mulheres não temos o direito a ocupar espaço no mundo do dinheiro. Sim, nós temos!
_Tá, Let. Quando crescer eu quero ser igual a você. Qual o segredo?
Meu amoooor!!! Você não sabe o duro que eu dei pra conseguir chegar a essas reflexões. Me identifiquei por muito tempo (e vez ou outra ainda me identifico) com muito do que compartilho aqui.
Tive a sorte de dividir minha vida com um consultor financeiro que tirou (e ainda tira) vendas diárias dos meus olhos quando o assunto é dinheiro. E, claro, compreendendo que esta era (e é!) uma das minhas grandes feridas. Justamente por isso, estudei e estudo muito sobre o assunto.
T. Harv Eker, Morgan Housel, Vera Rita de Mello Ferreira, Warren Buffet, Dan Ariely e Jeff Kreisler, apenas para citar alguns, são autores que uniram em seus livros finanças e dinheiro com psicologia, comportamento humano e nossa tomada de decisões e precisam fazer parte da sua biblioteca. Anota aí pra começar a leitura!
Ainda assim, é importante entender que “a cura” não está em um curso ou livro sobre finanças, mas sim na consciência. Hoje, eu não tenho nenhuma dúvida de que a terapia em paralelo com uma consultoria financeira pode permitir que qualquer pessoa viva essa tal prosperidade com fluidez que dá título a esse texto.
Dá para falar de dinheiro e lidar com ele de forma leve e fluida… mas antes a gente precisa dar uns passinhos para trás e olhar para nossa consciência sobre o tema.
A gente não se torna autossabotadora por fraqueza, mas sim porque alguma parte de nós aprendeu que a sabotagem é proteção. Quando o assunto é dinheiro, os complexos ganham novas roupagens para nos "proteger”.
Uma mulher que gasta impulsivamente, fazendo uma compra que não era necessária, vez ou outra usa o consumo como anestesia, punição ou ainda como tentativa de preencher o vazio que não consegue nomear. Por baixo dessa impulsividade quase sempre há uma carência emocional.
Já uma mulher que mantém o dinheiro preso na conta corrente rendendo zero porque investir parece arriscado demais e “nunca se sabe quando pode surgir uma emergência", no fundo tem medo de perder ou arriscar. Ela pode ter medo de não ser suficientemente inteligente para tomar boas decisões ou ainda medo de que a abundância possa ser tirada dela. Deixa eu te contar um segredo? Ninguém fica rico sentadinho na zona de conforto.
Por último, aquela mulher que não abre o aplicativo do banco, não revisa o extrato, não conversa com o companheiro sobre finanças ou simplesmente não tem a menor ideia de quanto dinheiro faz e quanto gasta vive uma cegueira voluntária. Muitas vezes, ela assume o personagem desinteressado que não quer saber para evitar o contato com a própria realidade ou ainda para não se tornar adulta. Crianças ganham mesada e brincam com dinheiro colorido. Adultos encaram sua realidade de frente.
Organizar as finanças não é um fardo, uma tortura ou sofrimento. Não é cortar prazeres e viver em modo de escassez até que um dia distante e nebuloso chamado “aposentadoria” apareça no horizonte. Organizar suas finanças é um ato de autoconhecimento e autorrespeito.
O que entra? O que sai? Para onde vai o excedente (há excedente)? Há dívidas? Quais gastos são alinhados com quem eu sou e quem quero ser? Quais são compensatórios, reflexo de algo que preciso trabalhar em outro lugar da vida? O que eu verdadeiramente quero da vida?
Aqui, muitas vezes a gente se dá conta de que entramos na manada. A gente financia o apartamento “dos sonhos” no bairro hypado, fizemos a obra com ladrilhos coloridos, suor e lágrimas, trocamos de carro com o bônus do fim de ano e estamos endividados fazendo bela figura no Instagram e no grupo de amigas. Só que quando a gente chega em casa e entra no chuveiro chora no banheiro pensando "que vida de merda é essa que estou vivendo?”
É surpreendente descobrir quanta gente sonhava com uma casinha de sapê na beira da praia e está infeliz em um triplex no metro quadrado mais caro de Ipanema.
Pode ser que o apartamento e o carro te façam feliz. Mas pode ser que não façam também. Como dizia nossa mãe, a gente não é todo mundo. Saber o que verdadeiramente desejamos na vida muda o jogo quando o assunto é dinheiro.
É aí que um bom terapeuta, capaz de te fazer pensar sobre aquilo que faz sentido pra você e pra mais ninguém faz toda a diferença. É aí também que um bom consultor financeiro que olha para sua realidade e te ajuda a manter os pés no chão se torna um diferencial.
Eu já caí nessa…
Caí no 6 em 7, no empreendedor digital com laptop na praia e no férias sem fim. Todo curso que promete que você vai triplicar seu patrimônio em seis meses, toda estratégia que promete independência financeira em dois anos, toda narrativa de “saí do zero ao milhão” trabalhada nos gatilhos mentais é, na melhor das hipóteses, um recorte conveniente de uma história bem mais complexa. Na pior, é fraude.
A riqueza real se constrói no longo prazo… com consistência, paciência e com o entendimento de que os juros compostos são a oitava maravilha do mundo não porque operam rápido, mas porque operam em modo contínuo.
E aqui está a boa notícia que ninguém conta para mulheres 40+: você chegou na hora certa.
Não é tarde. É o momento de maior clareza, maior capacidade de discernimento e maior alinhamento entre o que você ganha e quem você é. Você já passou pela fase de construção. Agora é a fase de consolidação e multiplicação.
No fim, prosperar com fluidez não é sobre dominar gráficos de mercado ou viver em austeridade até que uma planilha diga que você pode respirar.
É sobre fazer o trabalho interno que nenhum gerente de banco que oferece um cartão black com sala vip ou uma conta com nome em inglês vai fazer por você (maridão vai curtir essa frase).
É olhar para o histórico familiar com compaixão e lucidez. Nomear os complexos psicológicos que operam nas suas decisões financeiras. Criar estrutura sem punição. Investir com consistência sem obsessão.
É entender que você não precisa escolher entre ser rica e ser boa. Entender que a abundância não te torna superficial, mesquinha ou arrogante e que cobrar pelo que você vale não é ganância, mas honestidade.
Jung passou a vida inteira dizendo que o processo de individuação (tornar-se quem você realmente é) é o trabalho mais importante de uma vida e não termina nunca. E prosperar com fluidez faz parte dessa equação.
Se você ficou curiosa para saber como eu e Alê começamos a trabalhar juntos oferecendo terapia em parceria com a consultoria financeira, é só entrar em contato.
E assim seguimos juntos transformando chumbo em ouro.
Beijos, Let.

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