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Lena Mattar · Jul 31, 2026

PARA VARIAR A CARNE GRELHADA: MOLHO DE AMENDOIM!

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Lena Mattar · Lena Mattar

Fraldinha grelhada com molho de amendoim. Foto: Bruno Geraldi.

Como muitos, estou lendo Os imortais, romance de Paulliny Tort publicado pela editora Fósforo e o livro mais vendido da programação principal da Flip 2026 (e o 3º mais vendido do ranking geral da festa). Estou vidrada neste clã de neandertais que vaga por territórios inóspitos em busca de comida e abrigo, despertando em nós os sentimentos mais comuns e intensos: medo, tensão, nojo, raiva, maravilhamento…

São situações limítrofes de fome, violência, morte, perigo e desconhecimento as quais vão nos mostrando que, talvez, muitos dos dramas dos neandertais e dos sapiens não eram tão diferentes dos nossos de hoje.

Agora, diferente de nós, eles não achavam tão simples garantir a refeição seguinte. A penúria se faz presente, o inverno os espreita como uma assombração. Os desafios enfrentados para conseguir comer a tão sonhada carne (no caso, de cavalo) são enormes — e pode levar anos para acontecer!

Considerando que grelhar uma carne é a modalidade culinária mais antiga e mais básica, não pude deixar de pensar nesse livro na hora compartilhar a receita de hoje: uma fraldinha grelhada com molho de amendoim. E também não pude deixar de lembrar de Michael Pollan com seu excelente Cozinhar: Uma história natural da transformação, cuja primeira parte é dedicada ao Fogo.

No livro, Pollan lembra que “o advento da comida cozida alterou os rumos da evolução humana” e que cozinhar é o que nos distingue de outros animais. Hoje em dia, fazemos isso com um pé nas costas, sem nos dar conta de que grelhar uma simples carne foi um dos grandes atos civilizatórios da humanidade e que, ainda hoje, carrega algo daquele antigo poder de nos reunir, alimentar e dar sentido ao tempo.

Até a próxima news,

Lena

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O que os neandertais não dariam por uma fraldinha como essa? Foto: Bruno Geraldi.

Esta receita vem para ajudar a dar um belo tchans na carne grelhada de sempre! E como a gente vê a pasta de amendoim cada dia mais nas prateleiras dos nossos mercados (pelo menos em grandes capitais como São Paulo), podemos aprender a usá-la para fins diversos. Pois virar molho é uma de suas virtudes (quem se lembra da deliciosa salada de guioza com molho de pasta de amendoim?), e uma vez que você entender como misturá-los a ingredientes como molho de peixe, shoyu, limão ou vinagre de arroz, açúcar mascavo entre outros, você vai querer experimentá-lo em um monte de preparos!

Eu servi essa carne com arroz tipo japonês e um monte de ervas, como coentro e hortelã, e foi um belíssimo jantar!

Aqui não tem muito segredo, mas minha única recomendação é ter uma pasta cremosa (sem ser pedaços de amendoim). De resto, escolha a marca de sua preferência e misture bem antes de usar, pois ela costuma ir se separando com o tempo, restando uma camada grande de óleo em cima e uma pasta ressecada por baixo.

Fraldinha: acho que é, hoje, o meu corte favorito. Foto: Bruno Geraldi.

Meu corte preferido para este preparo é a fraldinha. Acho suculento, macio e rápido de preparar. O tempo, contudo, pode variar bastante de acordo com o tamanho da peça, potência do fogão, do utensílio ser uma chapa de ferro ou uma frigideira de alumínio e por aí vai. Importa também sua preferência na cocção, se ao ponto ou mais bem passada. Mas normalmente não é um tempo longo — do contrário, você vai comer uma carne muito passada e ressecada.

É bem importante cortar a carne no sentido contrário das fibras. Senão, ela vai ficar mais dura. E se ainda tem dúvidas se isso de fato procede, convido você a cortar um pedacinho em cada sentido e constatar por conta própria. Eu já fiz o teste e achei a diferença enorme. Em caso de dúvida de como cortar contra o sentido das fibras, basta dar uma busca na internet por vídeos que ensinam como fazer — há muitos.

E atenção: como a carne descansa de 15 a 30 minutos antes de ser fatiada, este prato é servido morno ou em temperatura ambiente. Para alguns pode soar estranho, mas fica ótimo!

Um ingrediente bem importante aqui é o molho de peixe, muito tradicional nas culinárias do sudeste asiático. O cheiro é forte e ele puro é terrível, mas adicionado de maneira comedida ele transforma preparos trazendo profundidade, umami e uma salinidade interessante.

Eu adoro, mas sou sensível e costumo usar metade da quantidade indicada na maioria das receitas. Se for sua primeira vez, comece com pouco, prove e vá ajustando a quantidade de acordo com suas preferências.

Sugestão de como montar o prato. Fotos: Bruno Geraldi.

Uma boa carne grelhada pode ser servida de diversas formas! Sem o molho de pasta de amendoim, a carne pode fazer as vezes de uma tagliata, servida com uma salada de rúcula, temperada com azeite, vinagre balsâmico, sal e finalizada com lascas de parmesão; pode ser usada para fazer um belo sanduíche com queijo derretido por cima e servida em um pão ciabatta, baguete ou francês, ou também ser servida com uma salada de batata como esta, esta ou esta.

Outra finalidade completamente diferente, mas igualmente deliciosa, é usá-la para preparar um Ragu de fraldinha!

Recomendo fazer a receita de salada de guioza que mencionei acima. São preparos diferentes, mas os guiozas combinam com esse molho também.

“Um estranho sentido de urgência de algo que está longe de ser urgente.”

Vocês já repararam quanto tempo as pessoas têm passado em filas de espera de restaurantes, cafés, padarias e sorveterias? Faz tempo que eu me pergunto por quê. Veja, sair para comer é um dos meus programas favoritos, mas nunca entendi como o programa poderia ser gostoso quando exigia uma longa espera, sobretudo se considerarmos que é um momento em que estamos com fome e que, em cidades como São Paulo, não faltam bons endereços.

Matérias sobre o tema começaram a pipocar em sites como Eater, New York Times e New York Magazine. Esses dias, Rafael Tonon também escreveu um texto que comentava o fenômeno das filas e o modo como elas se tornaram parte do negócio:

“(...) a fila, na gastronomia, tornou-se sistematizada, rotineira e até, quem diria, desejada. Passar minutos ou até horas numa fila para comprar um sanduíche ou um donut se tornou um (estranho) status social do nosso tempo.”

Inclusive, há empresas que monitoram filas e até pessoas que podem ser pagas para ficar na fila no lugar de outras!

Há, claro, os fenômenos das redes sociais, a vontade de fazer parte das últimas tendências e de ser percebido como uma pessoa de bom gosto (outro tema que tem surgido por aí e sobre o qual falaremos mais adiante), mas seriam essas as únicas explicações? Entre algumas hipóteses, a repórter da New York Magazine fala ainda sobre o fato de muitos jovens entenderem as filas como um local de socialização.

E você, encara filas longas para conhecer os endereços do momento?

Leia mais aqui.

Acontece neste fim de semana, nos dias 1º e 2 de agosto, a 7ª edição da Feira Caminho do Queijo Paulista — evento que celebra os queijos produzidos no Estado de São Paulo e reúne alguns de seus melhores mestres queijeiros.

Na feira será possível provar e comprar diversos queijos “certificados e validados após um longo e criterioso processo, dos frescos aos curados em câmaras de maturação ou cavernas subterrâneas, produzidos a partir de receitas autorais ou inspiradas em clássicos da escola europeia adaptados às características locais.”

O evento acontece na Cinemateca Brasileira e, além das queijarias participantes, o evento contará com a presença de outros estabelecimentos gastronômicos, como Restaurante Mocotó, Mbee Mel e Albero dei Gelati, entre outros.

Informações:

Onde: Cinemateca Brasileira. Largo Senador Raul Cardoso, 207.

Quando: 1º e 2 de agosto de 2026

Entrada: R$12 (inteira) e R$6 (meia). Crianças de até 12 anos não pagam.

Ingressos: venda antecipada pelo Sympla ou no local, pelo mesmo valor.

Foto: Tiago Queiroz/Estadão

“As feiras livres foram institucionalizadas em São Paulo pelo então prefeito Washington Luís, em 1914. Passados 111 anos, continuam fazendo parte da paisagem da cidade. Nos cadastros municipais, a mais antiga ainda em funcionamento data de 1938 e fica na região do Brás. A mais nova começou a operar em 2025, no Itaim Bibi.”

O Caderno Paladar (Estadão) solicitou um levantamento à prefeitura de São Paulo que concluiu que a cidade passou de ter 887 feiras de rua, em 2019, para 953 em 2026 — um aumento de 7,5%!

Há feiras maiores e menores e algumas dedicadas aos orgânicos. Há ainda feiras noturnas para atender aqueles que só conseguem fazer compras após o trabalho. Todas elas mantêm viva a cultura dos alimentos frescos, o relacionamento próximo com o vendedor, a possibilidade de sabermos mais sobre o que cada estação oferece, além de ser possível encontrar preços mais interessantes — a depender da localização da feira, do tipo do ingrediente e da hora que você chega. Lembrando que na xepa, horário final quando tudo está sendo encaixotado, há ótimas ofertas!

Leia a matéria aqui. | Veja o post aqui.

Imagem: Getty Images via BBC

Esta semana, o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, anunciou a abertura de cinco mercados populares em que alguns itens estarão com preço 30% mais baixo do que nos demais mercados. A ideia da ação é combater a inflação que estima que o preço da comida subiu 56% na última década, com dez pontos a mais que a média do país. Segundo o prefeito, a estimativa é que a população consiga economizar até US$90 por mês, ou seja, em torno de US$1000 por ano.

O anúncio gerou críticas por parte dos pequenos comerciantes que temem ter seus negócios abalados pela concorrência. O primeiro mercado está previsto para abrir no final de 2027. Leia mais aqui [via El País] e aqui.

Por esses dias, Mamdani também anunciou cinquenta novas políticas públicas para os pequenos comerciantes, eliminando uma série de leis e burocracias e aliviando multas e taxas que dificultavam a implementação e manutenção de seus negócios: “Os donos de bodegas não precisarão mais de uma licença separada para vender do lado de fora da loja os mesmos produtos que já comercializam no interior, como frutas e flores. Restaurantes deixarão de precisar de uma autorização específica — considerada ‘supérflua’ — para vender sorvetes, além da licença já exigida para comercializar alimentos. (...) As taxas para obtenção de licenças de vendedores em feiras de rua serão reduzidas, as inspeções em restaurantes serão agilizadas e as cobranças para registro de equipamentos serão suspensas por um ano.”

Leia mais aqui e veja o vídeo aqui.

Isso tudo é parte dos esforços do prefeito para cumprir as promessas feitas durante a campanha eleitoral.

Falando nos Estados Unidos, vi este vídeo que traz um compilado de cenas que adolescentes americanos vêm compartilhando de suas merendas escolares. Não é exagero dizer que as coisas retratadas não são comida. Poucas coisas são tão desrespeitosas quanto dizer que um alimento de que não gostamos é nojento, mas não tem outra maneira de descrever aquilo.

Volto ao livro de Michael Pollan citado no começo da news:

“A crescente distância que nos separa de qualquer envolvimento físico direto com o processo que transforma a matéria-prima extraída da natureza numa refeição preparada está mudando nossa compreensão do que vem a ser a comida. (...) Os alimentos se tornam apenas mais uma mercadoria, uma abstração. E, assim que isso acontece, viramos presas fáceis para corporações que vendem versões sintéticas da coisa verdadeira — o que chamo de substâncias comestíveis semelhantes a alimentos.”

O pediatra Daniel Becker também comentou o vídeo e nos lembra de que apesar de no Brasil estarmos longe do mundo ideal, já estamos à frente dos Estados Unidos em matéria de alimentação escolar. São algumas políticas públicas que garantem a compra de alimentos frescos de agricultura familiar, programas que treinam as merendeiras e que até proíbem o uso de alimentos ultraprocessados nas merendas. Veja o vídeo aqui.

Um viva para a nossa merenda e para nossas merendeiras!

Para inspirar seu fim de semana: uma seleção de edições publicadas em julhos passados. Vem que tem muita coisa gostosa por aqui :)

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Fotos: Bruno Geraldi | Revisão: Eloah Pina

Read the original on lenamattar.substack.com

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