Talvez eu já tenha comentado por aqui que sou intolerante a lactose. Ou melhor, fiquei intolerante a lactose há uns dois anos, depois de uma virose estomacal, do nada.
Esse acontecimento mudou bastante coisa na minha vida. Precisei passar a prestar atenção na composição dos alimentos e tentar aprender a reconhecer os sintomas da minha nova condição. E, quando eu cometia um deslize, passava mal de verdade, não conseguia dormir de tanta dor e ficava a madrugada toda tentando adivinhar se era lactose ou apendicite.
Passei a ver meu corpo como um inimigo. Um tirano que distribuía punições desproporcionais aos laticínios cometidos. Mas tenho tentado melhorar essa relação. Ela sempre foi tranquila porque meu corpo trabalhava direitinho, em silêncio, e eu achava que ele não fazia mais do que a sua obrigação. Só que, agora, precisamos renegociar nossos termos para seguirmos juntos.
E até que é bom eu começar a me acostumar com as mudanças, porque elas não vão parar por aqui, visto que habito essa casa de carne, osso e outros materiais igualmente perecíveis. Também não custa lembrar que nem todas são ruins.
Queria deixar bem claro que sei que intolerância a lactose é uma condição super manejável! Não estou me achando uma grande coitada nem nada! Mas o susto (e a indignação) por ter que, depois de 36 anos de vida, me adaptar à nova realidade do meu corpo foi bem real. E foi dessa sensação de habitar um lugar estranho, de não reconhecer mais meus arredores e ter que reaprender a lidar comigo mesma que surgiu a tirinha de hoje.
Nos últimos meses, entre uma viagem muito sonhada para o Japão e arrumações na casa nova, desenhei bem pouco. Por isso, para a primeira tirinha do ano, optei por um traço mais solto, rápido e gostoso. As cores são impactantes e saturadonas porque achei que combinava com o tema, mas fiquei bem na dúvida sobre o fundo escuro. Achei que ficou pesado, mas bonito, especialmente no último quadro, que tem bastante preto e meio que se dissolve nele, colaborando com a sensação de mistério e desconhecido.
Vou adorar, de verdade, saber no que pensaram ao lê-la, se curtiram a estética, o tema e se já experimentaram algo parecido!
Como sempre, pode baixar e compartilhar as imagens! Só peço que dê meus créditos e, se possível, me marque ✨
Nos últimos meses, chegaram leitores novos por aqui (bem vindos!) e, por isso, resolvi trazer uma listinha das HQs, gravuras e outras coisinhas que tenho disponíveis no momento. Lembrando que são pequenas tiragens e, frequentemente, edições limitadas, já que sou uma empresa de uma pessoa só que faz as coisas por pura vontade de vê-las no mundo e meu estoque tem que caber num armário na minha casa. Caso queira algo, é só mandar um e-mail para ltdathayde@gmail.com!
✸ Gravura em serigrafia Teimar em Ver Beleza nas Coisas
Mais fotos aqui! Tiragem limitada de 30 exemplares (restam uns 10), papel Opalina 240g e estrelinhas douradas perfeitas. Eles medem 46x64cm (são grandões) e custam R$150 + frete.
✸ Zine Eu Quero Ser a Sua Casa
Uma declaração de amor ilustrada, que você pode ler na íntegra aqui. Vencedor do Prêmio Angelo Agostini de melhor fanzine e traduzido para o francês pela editora Bleu Dans Vert. R$35 + R$10 de frete fixo para todo o Brasil.
✸ Zine Aqui Dentro, Todos os Perigos São Conhecidos
Tiragem limitada de 100 exemplares impressos em risografia com capas carimbadas uma a uma, manualmente, com tinta dourada. Você pode ler na íntegra aqui! R$30 + R$10 de frete fixo para todo o Brasil. Comprando os dois zines juntos, você paga apenas um frete!
✸ Pin metálico Coração Selvagem
Mede 4x4cm e é a coisa mais linda do mundo. Tiragem limitada de 50 unidades. R$60 + frete.
✸ Combo zines + pin
✨Os dois zines mais o pin por R$80 + frete!✨Promoção inventada agora, agorinha mesmo, para agradecer a todo mundo que me acompanha por aqui e me anima a continuar criando coisinhas.
✸ Junk journaling, que consiste basicamente em juntar todo tipo de lixo fofo — carimbos, ingressos, embalagens, panfletos — e colar num caderno. Fiz isso durante a viagem pelo Japão e foi uma das coisas mais divertidas da vida, além de, no final, me deixar com um objeto único, cheio de lembranças e muito bonitinho que obriguei todos os meus amigos a verem. Uma atividade super gostosa para quem curte papel, atividades manuais e colecionar coisinhas!
✸ Não me abandone jamais, de Kazuo Ishiguro. Custei a criar coragem para ler esse livro porque só a sinopse já é brutal. Ele conta a história de um grupo de amigos que crescem juntos em uma espécie de internato isolado no interior da Inglaterra. A narradora é Kathy, que, já adulta, passeia conosco através de suas lembranças sobre os relacionamentos com os colegas e amigos, intrigas e descobertas juvenis. Acontece que, entremeadas nessas memórias de infância, há pistas sobre o mundo em que vivem: uma distopia em que uma classe de pessoas é sacrificada em prol de outra (um conceito desconfortavelmente próximo da nossa própria realidade, né?).
O livro me deixou pensando em genocídio, colonialismo, exploração animal e humana — enfim, as faces cruéis da nossa realidade que optamos por ignorar todos os dias — e em como avanços tecnológicos dissociados de discussões sobre ética tornam-se apenas mais ferramentas de opressão e desigualdade. E, principalmente, na importância das utopias e de uma imaginação revolucionária.
Obrigada pela leitura! Sinta-se à vontade para deixar um comentário ou responder a este e-mail. Caso queira, você pode me pagar um cafezinho
Ou, se preferir, pode mandar um pix de qualquer valor para a chave ltdathayde@gmail.com, que vai alegrar meu dia.
Até a próxima,
Laura.
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