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Histórias tristes e piadas ruins · Mar 4, 2026

Medos que não sentia

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Laura Athayde · Histórias tristes e piadas ruins

O texto dessa tirinha estava anotado no meu bloco de notas desde dezembro do ano passado, quando me bateu uma angústia por causa da sequência aparentemente interminável de feminicídios e agressões contra mulheres que vinham sendo noticiadas. Infelizmente, esse sentimento apenas se intensificou nos últimos meses.

Uma das versões desse texto terminava com “é pesado descobrir-se mulher”. Não sei porque decidi usar outras palavras; acho que não me agrada muito dar a entender que o que caracteriza o “ser mulher” é a violência. Mas talvez seja, em parte.

Tinha tempo que eu não fazia um comentário político tão direto assim através do meu trabalho. Já fui uma quadrinista muito milituda, sentia a necessidade de ser útil e falar de temas universalmente importantes, mas hoje em dia há muitas e incríveis artistas empenhadas em fazer essas denúncias. Por isso, e talvez porque tenha me cansado um pouco de acompanhar e refletir sobre tantas desgraças, eu vinha me dedicando mais à auto expressão. Só que, desta vez, olhei para dentro e o que vi foi uma tristeza cansada com o fato de que existir neste mundo sendo mulher continua tão difícil.

Gostaria de encerrar esse desabafo com um texto da poeta Warsan Shire:

“Mother says there are locked rooms inside all women;
kitchen of lust,
bedroom of grief, bathroom of apathy.
Sometimes, the men — they come with keys,
and sometimes, the men — they come with hammers.”

(Tradução meia boca:
"Minha mãe diz que há cômodos trancados dentro de todas as mulheres;
cozinha do desejo,
quarto do luto, banheiro da apatia.
Às vezes, os homens — eles vêm com chaves,
e às vezes, os homens — eles vêm com martelos."

E, pensando bem, para terminar numa nota um pouco menos fatalista, vou deixar aqui também este trecho do livro Dear Senthuran: A Black Spirit Memoir, de Akwaeke Emezi:

“I’m not interested in resilience, but in how to move through this world with reciprocal tenderness, even though this only works with people interested in the same thing.”

(Tradução meia-boca:

“Não estou interessado em resiliência, mas em como me mover através deste mundo com ternura recíproca, apesar de isso só funcionar com pessoas interessadas na mesma coisa.”)

Muito obrigada a todos os que compraram o combo que anunciei na newsletter passada! Sempre fico muito feliz em botar gibis (e pins) para circular, tecendo diálogos por aí e abrindo espaço no estoque e na cabeça para novas ideias. Espero que apreciem as leituras!

✸ Desta vez, a novidade é a ecobag A Vida é Dura:

Feita em algodão cru e com estampa serigrafada, ela mede 35x35cm e está saindo a R$50 + frete. Também tem a versão Eu Passarei Cafezinho, que já é um clássico por aqui:

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✸ A pedido de uma leitora, transformei em caneca uma das minhas tirinhas mais queridas:

Diferente, das ecobags, a caneca não é comprada direto comigo, e sim no site Uma Penca, que é o responsável pela produção e envio desse e alguns outros produtos que fazemos em parceria.

O álbum West End Girl, de Lily Allen. Acho que já ouvi esse álbum umas 50 vezes, sem exagero. Ele conta, em ordem cronológica, a história do romance, casamento e posterior infidelidade e divórcio, com passagem por relacionamento aberto, entre ela e o ator David Harbour, da badalada Stranger Things. Lily é um ícone para todas as garotas que gostavam de um bom pop britânico nos anos 2000; sem dó nem do irmão, que ela chama de maconheiro na música Alfie, ela sempre foi uma letrista talentosa e mordaz. No álbum novo, ela está mais afiada — e sincera — do que nunca. Ouvindo as faixas, senti que estava vendo um reality show dos bons ou lendo uma biografia não autorizada, com o bônus de as produções serem super gostosinhas.

West End Girl – Álbum de Lily Allen | Spotify
Capa de West End Girl

Butter, de Asako Yuzuki. Rika é uma jornalista que, em busca de um furo sensacionalista, começa a fazer entrevistas regulares com uma serial killer condenada por assassinar três de seus amantes. No entanto, na tentativa de compreender essa mulher que parece agir exclusivamente de acordo com seus apetites, Rika começa a questionar as imposições da sociedade japonesa que moldam sua vida, seus desejos e até mesmo seu corpo. Uma história que, além de proporcionar ao leitor as emoções de uma investigação criminal e descrições culinárias saborosíssimas, propõe uma leitura fascinante de seus personagens. E o mais interessante é que é baseado em um caso real! Infelizmente, acredito que ainda não tenha tradução para o português brasileiro (espero que isso mude em breve!).

Butter: THE No. 1 SUNDAY TIMES BESTSELLING SENSATION | Amazon.com.br
Capa de Butter. Imagem retirada da Amazon

Obrigada pela leitura! Sinta-se à vontade para deixar um comentário ou responder a este e-mail. Caso queira, você pode me pagar um cafezinho

clicando aqui!

Ou, se preferir, pode mandar um pix de qualquer valor para a chave ltdathayde@gmail.com, que vai alegrar meu dia.

Obrigada a Leticia Lopes e Monikita pelo cafezinho!

Até a próxima,

Laura.

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