RSS Amplifier

Lambrequim · Jul 30, 2025

✨ (em breve) seremos todos avatares

0
Sign in to vote or save

Lambrequim · Lambrequim

Oi, tudo bem?

O Lambrequim desta quinzena está contribuindo na desconstrução de binários. Eis o que preparamos para a edição 210 do nosso quinzenário incidental:

Um convite para próxima feira no nosso calendário;
Uma seleção de links para você buscar diagramas, curvar textos & ver ilhas obscuras;
E um olá para a sua versão ciborgue.

É isso! Compartilhe o Lambrequim com seus amigos e boa leitura!

Se você curte o Lambrequim, considere apoiar financeiramente o nosso trabalho. Você pode optar por uma assinatura mensal clicando no botão abaixo ou realizar um apoio único pela chave pix temporacriativa@gmail.com

PROJETOS DO LADO DE CÁ

por Edições Tempora

A 44ª Semana Literária e Feira do Livro do SESC está chegando — e nós estaremos lá!

De 13 a 17 de agosto, o Museu Oscar Niemeyer (MON) será a casa de um dos eventos literários mais tradicionais do Paraná.

Garantimos nosso lugar para acompanhar tudo de camarote, e desta vez vamos dividir o espaço com nossos amigos da editora Máquina de Escrever.

Nas próximas semanas, postaremos no nosso perfil do Instagram (@edicoes.tempora) novidades sobre nossas ações durante a Semana Literária e um preview do catálogo de livros que estarão disponíveis na feira!

NUM UPA!

Um mecanismo de busca para diagramas.

Deixe seus textos curvados.

Um site com notícias good vibes!

Veja esse mapa de ilhas “obscuras”.

SOBRE LIVROS

por Menin

A subjetividade, tal como herdamos da modernidade ocidental, está em ruínas. O “sujeito”. Esse ente racional, autônomo, originário e fundante já vinha sendo desconstruído há décadas pela crítica filosófica, e a figura do ciborgue talvez seja o golpe mais radical nessa longa operação de desestabilização. A Antropologia Ciborgue lê o presente como um campo já povoado por híbridos: corpos atravessados por fios, próteses, algoritmos, redes, políticas e desejos.

Inspirada principalmente no Manifesto Ciborgue de Donna Haraway, essa abordagem nos convida a repensar o que é ser humano em um mundo em que a fronteira entre o biológico e o técnico, o orgânico e o artificial, o natural e o cultural, já não se sustenta. O ciborgue dissolve a ideia de sujeito como unidade fechada e originária e, de certo modo, exige que pensemos em fluxos, intensidades, circuitos, e não mais em indivíduos isolados.

A Antropologia Ciborgue sugere uma ontologia do “embaralhamento”, em que os opostos tradicionais ocidentalizados se tornam interdependentes, borrados, híbridos.

  • Humano vs. Máquina/Animal: Ainda podemos nos considerar “puramente humanos” quando corpos são continuamente reconfigurados por tecnologias, de óculos a chips neurais, de implantes a avatares?

  • Corpo vs. Mente: A mente ainda está separada do corpo quando interagimos com ambientes digitais que afetam nossa percepção, memória e agência?

  • Natureza vs. Cultura/Tecnologia: Se somos feitos de técnicas desde sempre — da linguagem à escrita, do fogo ao código —, em que momento a tecnologia deixou de ser “natural”?

O até então, monstro do amanhã, é uma realidade. Somos todos, já, ciborgues — mistos de carne, dados e política.

Tudo aquilo que foi desenvolvido até aqui — a desconstrução dos binarismos clássicos, a recusa da pureza identitária, a compreensão do corpo como território tecnológico e a crítica à separação entre natureza e cultura — encontra fundamento e aprofundamento no livro Antropologia do Ciborgue: As Vertigens do Pós-Humano, publicado pela Autêntica Editora. Organizada por Tomaz Tadeu, a obra reúne textos fundamentais de Donna Haraway, Hari Kunzru e do próprio Tadeu, e constitui uma das principais referências para pensar as complexas relações entre humanos, máquinas, saberes e subjetividades no contemporâneo.

No centro do volume está o célebre Manifesto Ciborgue, de Haraway, que propõe uma figura teórico-política capaz de desestabilizar os alicerces da modernidade ocidental. Hari Kunzru, por sua vez, desloca esse debate para o plano da experiência cotidiana, mostrando como a condição ciborgue já se manifesta nos detalhes mais banais da vida urbana e mediada. Para Kunzru, o ciborgue é uma textura sensorial, uma forma de estar no mundo que mistura fascínio, controle, deslocamento e reconfiguração constante do eu. Tomaz Tadeu, como tradutor, organizador e autor, costura essas vozes com uma densidade crítica própria.

Ao propor o ciborgue como figura central para pensar o presente, o livro aponta caminhos possíveis para uma ética situada e uma política do entrelaçamento. A leitura proposta por Haraway, Kunzru e Tadeu ultrapassa os limites de uma crítica da técnica e propõe uma virada epistemológica. Abandonar a nostalgia da pureza, acolher a ambiguidade do presente e cultivar alianças éticas entre corpos, saberes e máquinas pode ser o gesto mais radical de nossa era pós-humana.

Assim, não somos entidades puras, separadas da técnica ou da cultura, pelo contrário, somos em diferentes graus, seres constituídos por camadas de dispositivos, redes e discursos. A subjetividade deixa de ser uma essência fixa e torna-se um processo contínuo de acoplamentos — entre carne e código, desejo e algoritmo, memória e máquina. Nesse sentido, ser humano hoje é, inevitavelmente, ser ciborgue.

Por fim, ao reconhecer que já habitamos uma condição híbrida, a Antropologia Ciborgue nos convida a abandonar definitivamente a ilusão de uma humanidade pura, autônoma e intacta. Ser ciborgue é uma uma constatação do presente: somos atravessados por redes técnicas, discursos, dispositivos e políticas que configuram nossos corpos, nossos afetos e nossas formas de existir.

Nesse cenário, pensar o humano é também repensar o político — não mais fundado em identidades fixas, mas em alianças situadas e provisórias. O corpo, antes visto como limite da individualidade, revela-se um território de inscrição tecnológica, onde memória, desejo e controle se entrelaçam em circuitos instáveis. A subjetividade, por sua vez, já não se constitui como essência interior, mas como efeito de acoplamentos entre carne e código, voz e interface, presença e mediação.

Read the original on lambrequim.substack.com

Comments

Nothing yet. Say the first thing.

    Sign in to join the conversation.