Um tempo atrás, eu entrei naquele buraco extremamente específico e familiar de ter um coração partido. Eu fiz toda a dança, de tentar dizer para mim mesma que não era aquilo, então beber meia garrafa de tequila, contar toda a história em detalhes para gays desconhecidas na balada que me disseram que eu deveria amaldiçoar os órgãos sexuais da pessoa e rascunhar uma mensagem no bloco de notas como se fosse um trabalho em grupo do qual minha amiga tirou todos os palavrões, só para eu colocá-los de volta depois. No dia seguinte, eu acordei esvaziada da raiva, preenchida pela dor, de ressaca e com rebote de bala e a única coisa que eu consegui fazer o dia todo foi ver um episódio de Sex and the City atrás do outro.
A primeira vez que eu vi Sex and the City, eu devia ter uns quinze ou dezesseis anos e fiz isso com uma amiga, usando os DVDs que minha mãe tinha comprado. Eu adorei de cara, mas eu lembro que a Carrie me enfureceu como hoje ela enfurece quase todo mundo da internet: por que ela achava tantos problemas onde eles não existiam? Por que ela nunca conseguia confiar que o cara que claramente gostava dela de fato sentia isso? Do alto da minha arrogância adolescente, eu não conseguia entender por que a Carrie vivia correndo atrás de uma confirmação de algo que parecia óbvio, já que se o Big estava com ela, então ele gostava dela.
É incrível o poder da dissociação, uma vez que nessa mesma época eu beijava escondido um menino com namorada que me dizia, em longas ligações de madrugada, que eu era a pessoa mais especial daquela cidade de merda. Se eu era tão incrível e se ele gostava de mim como dizia que gostava, então ele deveria estar comigo de verdade, não? E se ele não estava comigo de verdade, então tudo isso era só uma mentira.

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