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Bobby Pins · Aug 17, 2026

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Bobby Pins · Bobby Pins

A doutrina do verão começa cedo e parece-me paradoxal que a época mais feliz das pessoas seja também a que vem com o manual mais paginado de regras. Há expectativas para o dia e para a noite, para os corpos e para os copos e uma fronteira clara entre o que é diversão e desperdício do dia.

Eu cresci com a doutrina de que o verão aproveitava-se com 9 horas ininterruptas de praia, a pele a rasgar de sal e sol, seguida de uma agenda pesada à noite. Nunca me identifiquei, mas sobrevivi aos verões de adolescência por necessidade e aos do início da vida adulta por falta de outras referências.

Ficava deserta para que o outono chegasse porque nenhuma outra estação tem este grau de expectativas. Sobre estar ou não bronzeada, sobre ir ao não de férias (e ir ou não para onde), sobre o mar e os seus humores, sobre onde é a próxima festa, jantar ou encontro. Pormenores que me parecem quase imaturos e que me fazem concluir que há quem viva o verão numa adolescência que não os abandona. Não julgo, mas não tenho vontade de me juntar.

Senti os primeiros sinais de alívio do verão quando acrescentei mais água doce e sombra. Mais cidade no início do verão e mais campo no seu último ato. Mais planos de manhã e mais descanso à noite. Quando os copos são chávenas com hortelã e limão, sentada na varanda com o meu amor. Quando adormeço sem estar ao sol e quando a agenda tem espaço para respirar, tal como a minha barriga numa esplanada cheia de pessoas que gosto e pão a flutuar num molho de travessa.

Sou mais feliz desde que arrumei o manual do verão junto com os manuais da escola e vivo-o como quero; com viagens simples, horas saudáveis junto ao mar, carreiras nas ondas - e a coragem para me lançar na água e furar as ondas de uma forma que, desconfio, só quem cresceu em Santa Cruz aprende a ter. Umas guelras invisíveis que nascem de uma costa que vê bandeira verde uma vez por ano, as aulas de natação providenciadas por um mar onde ou mergulhas ou és engolida.

Sou feliz na água doce, à beira-lago, à beira-rio ou no salto de um deck. Nas horas que perco num kayak, deserta para saber onde a corrente me vai levar. Sou feliz às vezes com saladas, sim, mas com muita massa e limão também. Prendam-me: às vezes, não ligo para um gelado. Mas ligo para uma bebida fresquinha ao pôr do sol. Sou feliz branquinha, algumas sardas, algum rubor na pele, nada mais necessário. De biquíni ou fato de banho. E, acima de tudo, sou feliz quando não vou. Quando não me apetece sair, quando não quero enfrentar o sol, quando o melhor dia de verão do mundo é com a casa a meia-luz para refrescar, as cortinas puxadas e um livro maravilhoso no colo, num limbo etéreo entre mergulhar no universo das personagens ou dormitar.

Mas esta é a minha doutrina. Longe de mim impingi-la a alguém.

autor(a) desconhecido(a) | via pinterest

No menu desta segunda-feira, encontras abaixo…

‪‪❤︎‬⋆˙ Uma série para acompanharem

‪‪❤︎‬⋆˙ O que vão cozinhar esta semana?

‪‪❤︎‬⋆˙ O mundo de quem cria os word puzzles

Read the original on innmartinsm.substack.com

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