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Helena Vilela - Uma arquiteta que escreve · Aug 7, 2026

Projeto Um Ano Sem Compras: Mês 01 - Agosto/2026

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Helena Vilela · Helena Vilela - Uma arquiteta que escreve

No primeiro post, comentei que ao longo deste processo, eu iria fazer uma espécie de entradas de diário. Aqui, o tema não é só finanças, mas vários outros temas que estão ligados ao consumo. Tem exercício de moda, indicação de podcast, resgate de dieta do passado, vários tópicos - além de uma lista de coisas que eu adoraria comprar.

Vale a pena explorar e ver o que eu fui fazendo ao longo do tempo.

Dia 31/07

A terra decretou falência e não temos mais como renovar recursos para este ano. Consumir menos é uma questão real de consciência no mundo que habitamos - seja menos combustível, menos produtos e até menos carne. Eu faço a minha parte como posso: consumo mais de segunda mão (sempre fui ativa em sebos desde a adolescência, mas agora comecei a consumir moda e outros itens de forma ativa e não apenas “herdando” da minha avó ou tias)

Dia 02/08


No primeiro dia, me questionei acerca de uma bolsa que vi na Zara semana passada - linda! Uma bolsa diferente, com tassel... Foi quando resolvi fazer um exercício de Sara Crampton que vi em sua newsletter.

Era basicamente assim:

1. Pensar nas mulheres cujo estilo me inspiram e criar um moodboard com os looks que mais me chama a atenção.
2. Ler e analisar as peças ou estratégias que me chamam a atenção, afinal, cada uma tem seu próprio estilo - é impossível copiar o allure de alguém.
3. Pensar em quais seriam meus looks perfeitos.
4. Ver se há a alguma peça em especial que eu desejo e que não tenho.
5. Fazer uma lista de desejos e alocar verba anual para compra.

É muito curioso pois eu passava um exercício de ambientes assim para quem me procurava para fazer interiores, e nunca passou pela minha cabeça fazer algo assim com meu guarda-roupas. Veja como é importante ler outras pessoas. Acho que vale a pena fazer isso com meu louceiro também rsrsrs preciso criar coragem.

Após este exercício, eu observei que eu precisava apenas de 1 item, que eu tenho desejado há um certo tempo: um vestido de seda. Não importa a referência ou o século da referência rs Todas convergiam para as mesmas peças, fórmulas e cores. Achei muito mais fácil ler meu guarda-roupa após este exercício. Agora, após identificar as peças “extras” que não estão de acordo com a imagem que tenho, posso - finalmente - começar a desapegar de algumas peças que me acompanham há alguns anos, pensar em como usar mais vezes algumas peças que ficaram esquecidas.

Um insight: Revendo minhas fotos e meus looks, acho que também vale assumir um lado “carioca/bossa” que eu tenho em mim (apesar de ser fluminense), e que nunca quis “assumir”, mas que tem tudo a ver com a forma com a qual me apropriei de minhas referências para o clima daqui. (Eu amo esse jeito meio Lenny de ser - essa coisa da simplicidade chic da camisa e do cabelo natural - eu sou enrolada rs). Vide as fotos da viagem aos lençóis, usando pareô e camisa, ou seja adapatando pro verão algo que eu uso quase todo dia, acho que vale a pena assumir este lado que eu gosto e tem tudo a ver com o estado no qual eu nasci. É uma forma de dar uma bossa às minhas roupas, assumindo minha origem.

Dia 03/08
”Nossa, eu sempre te achei tão contida” - foi o que uma amiga me disse quando eu comentei que ia ficar um ano sem comprar. A questão, como eu disse a ela, é que eu sempre fui contida (exceto na faculdade, mas acho que todo mundo tem uma fase “perdida” na juventude), comprava no máximo 5 peças/ano, mas sempre comprei coisas muito boas (eu tenho vestidos de quando eu tinha 15 anos no guarda-roupa, e eu tenho 35), e ano passado quando precisei comprar mais peças, eu me senti sobrecarregada. Meu desejo é não apenas afinar ainda mais o meu estilo ou me concentrar no que eu tenho, mas também usar mais as peças que eu tenho e ter desafios criativos neste período.

Amei o exemplo que este post colocou da necessidade do cérebro de novidade visual. Vale a pena ler o carrossel todo, ele fez muito sentido pra mim, ainda mais pq cozinhar é uma das minhas pequenas alegrias, um glimmer!

Se o post estiver com bug e não aparecer aqui em cima, clique aqui.

Você já ouviu falar da dieta do sapato? Não, não é um delírio meu. Eu tenho pensado muito nela recentemente, especialmente após ver este post acerca de marcas de sapatos brasileiros e como a qualidade dos nossos sapatos é imbatível. Quando vi no post acima a menção de transferir o valor do impulso da compra pra poupança, lembrei dela. Basicamente, pelo que eu me lembro, a autora do livro (é um livro muito velho e foi muito criticado) sugeria que os impulsos alimentares fossem trocados por depósitos para comprar o sapato dos sonhos - eu não li o livro, mas era o que li sobre ele há muitos anos. Então, ao invés de gastar em um delivery e fugir da dieta, ela incentivava guardar esta mesma quantia de dinheiro para que ele fosse revertido no sapato, criando assim um sistema de recompensas para quem busca emagrecer. Eu sempre achei curiosa esta dieta pois ela não leva a comida como encontro ou fator social, apenas como uma transação, mas de fato é um sistema que o cérebro reconhece, o de se recompensar por algo. Acho que eu deveria testar com alguma finalidade específica.

Dia 04/08

Fui à uma consulta da Dermato ao lado do melhor shopping da cidade, na minha opinião, não entrar no shopping foi de longe a melhor coisa que eu fiz. Não que eu não consiga me comportar, não é isso, mas tenho observado que quanto menos exposta a algo, menor o desejo de consumo. É como aquela máxima da dieta: se você não pode comer doces, não tenha doces em casa.
Estou impressionada com o efeito de tirar os apps do celular - tirei até o da Amazon.

Acho que vale incluir aqui para quem está focando em economizar: Há algum tempo, eu tinha lido este artigo do The Cut chamado “How Do I Reverse Lifestyle Creep?”. A expressão lifestyle creep, é algo que pode ser traduzido como inflação do estilo de vida. Ontem, eu passei por este episódio do podcast de duas australianas no qual o tema era discutido, basicamente algumas pessoas não conseguem manter um estilo de vida único, e vão aumentando de acordo com o que ganham, ou seja, elas sempre têm a sensação de que o dinheiro não sobra no final do mês, pois seu estilo de vida acompanha o aumento do rendimento. Aparentemente, o tema finanças, escolhas e redes sociais está em voga tanto por ser um tabu quanto por ser necessário já que na “ditadura da imagem” imposta nos tempos modernos, muitos acabam por querer bancar uma imagem, especialmente os mais jovens, como mostra este artigo da The Cut - Social Media’s Last Taboo It’s okay to be every kind of person online — except struggling.

Dia 05/08
Ouvi este podcast do The Business of Fashion no qual as hosts comentam como as pessoas estão lendo as etiquetas de composição de roupa e como isso tem redirecionado o consumo das pessoas conscientes já que há uma forte relação da industria têxtil com sustentabilidade.

Como eu sou uma pessoa que já lê etiquetas há muito, aproveito para retomar aqui uma outra conversa acerca de consumo consciente aqui, neste post. Até que ponto nossos valores influenciam nosso consumo?

Dia 06/08
Hoje, li acerca da “fadiga da performance”, e como essa coisa do desempenho constante está se refletindo na moda por meio do conforto nas roupas de academia soltinhas. Quem não ama um camisetão? Eu amo e uso até hoje! É curioso pois eu nunca tive muitas roupas de fazer ginástica. Ano passado, ia jogar squash de moletom e fui muito zoada, inúmeras vezes, pois eu precisava estar com roupa grudadinha… o conforto sempre foi importante pra mim, ainda mais porque eu faço atividade física mais por obrigação do que por prazer. Tem semanas que eu faço 1x por semana e tudo bem… Ah, e sem postar no instagram falando “Tá pago” ou algo do tipo.

Este tema me chama a atenção, parece que ninguém faz nada mais por fazer… é a generosidade que precisa estar no outdoor, a corrida do domingo que vira treino de maratona, o hobby que precisa ser monetizado ou o tempo que precisa ser a todo custo ligado à algo produtivo.

Dia 07/08

Adorei que a Tamara Klink fez uma campanha pedindo para que seu livro seja circulado e não mais comprado. O livro, Bom dia, Inverno está na lista de mais vendidos no Brasil. Pesquisei mas não encontrei nas bibliotecas digitais, nem nenhum de segunda a mão à venda1.
Encontrei uma bolsa vintage que eu queria muito em um brechó. Meu coração sentiu. Pensei até em comprar e começar do zero o desafio, afinal ela está linda, e tem o preço perfeito. Não comprei. Seguimos.

Dia 10/08
Questionamento do dia: Qual a ética e os valores envolvidos em uma compra?

Dia 17/08
Não tem sido difícil ficar sem comprar. Semana passada, encontrei um jeans perfeito e por acaso. Como eu precisava - e estava na lista dos itens permitidos - comprei na hora, o que é raro pra mim também, já que eu costumo esperar uns dias para comprar. Aliás, vou comentar algo: a última vez que eu usei um jeans 38 eu tinha 17 anos e estava no colégio, ou seja, comprar um jeans 38 que ficou perfeito e não precisa nem de pence nem de barra, foi uma realização (ainda mais na Zara cujos tamanhos são micros).
Não, eu não gosto de comprar na Zara, é raríssimo eu comprar lá. Posso passar um ano sem comprar lá facilmente, mas às vezes é o lugar no qual eu faço um achado interessante. Neste momento, por exemplo, eles estão com uma bolsa com tassel perfeita, mas eu só admirei.
Pra mim, o mais difícil é ver peças que eu queria em lojas de segunda-mão e não poder comprar. Como um vestido da Andrea Marques que eu vi em 2021 e esperava encontrar meu tamanho desde então. E por falar em busca por peças de acervo e itens especiais, adorei este episódio no qual uma arquivista de moda comenta acerca da preservação ideal das peças que temos e do esvaziamento de termos importantes como curadoria e acervo.

Dia 19/08
O Selo Eu Reciclo trouxe um dado que me chamou a atenção: 92% dos consumidores têm um histórico de compras por impulso - e cita promoção, edição limitada e consumo influenciado por tendência como grandes incentivadores de consumo.

NOVENTA E DOIS PORCENTO - chocante, não?

Dia 20/08
Alguns itens que tenho desejado comprar atualmente: qualquer coisa que mescle prata (cor) e tassel pra eu colocar na penteadeira (eu brinco que o quarto de hóspedes aqui de casa é um espaço de experimentação). Sempre gostei de tassel, acho um coisa meio anos 1920 e gosto da mescla com o metal com algo tão delicado como este emaranhado de fios de seda. Mas eu entendo que isto é algo que está em alta, então sei que é uma vontade que pode passar.

Bolsa da H&M, colar da Zara e caixinha de prata da Elsa Peretti para Tiffanys.

Pensei até em comprar uma cigarreira retangular lisa ou um cinzeiro para usar como compartimento de apontador de lápis de olho para ficar mais de acordo com a minha linguagem, até que vi a ideia mais simples de todas: de colocar tassel num pente.

Reprodução de LoveEcru no Instagram

Esta luminária me encantou e causou estranhamento ao mesmo tempo - eu não gostei do vidro com a iluminação, mas gostei da forma - especialmente sem o tassel. Eu gosto de tassel mas queria algo que ficasse mais a minha cara.

Esta colher de madrepérola (que eu adoraria pendurar na parede como um pequeno ornamento num lugar específico no corredor), colheres de tartaruga (vi primeiro no insta de uma amiga, depois achei aqui!), e uma peça de inox martelado. A primeira, tem a ver comigo, apesar de ser uma peça que causaria estranhamento pra quem me conhece, a segunda é neutra, certo? E a última, eu amo inox, achei lindo este centro de mesa com movimento, já imaginei numa mesa de centro sobre livros, mas eu não teria onde colocar na minha casa. É curioso que as três peças colocadas assim lado a lado não façam sentido, mas em um conjunto em escala maior elas podem ter seu lugar.

Acontece que eu me questiono se tudo isso tem a minha cara, ou teria espaço na minha casa, apesar de eu achar lindo. Dá pra admirar sem comprar e se eu quiser experimentar um tassel na bolsa, posso simplesmente colocar o tassel nesta bolsa de metal que eu já tenho e que comprei há anos atrás para usar em casamentos. As vezes é preciso segurar o impulso e a emoção e pensar em como fazer algo com o que eu já tenho em casa.

Dia 21/08
Estava com a necessidade de fazer algo com as mãos. Fui à gráfica, imprimi uma imagem, fui à papelaria e comprei um papel com textura. Com 11,50 transformei o conteúdo de uma moldura que eu já tinha em casa. Troquei algumas molduras de lugar, em alguns minutos, meu quarto estava bem diferente.

Dia 23/08
Sendo brutalmente honesta - tal qual Virigina Woolf em seu diário - hoje, eu gostaria de comprar muitas coisas pra cozinha (pratos de servir e coisinhas assim) e eu me dei conta que só ano que vem. Tipo, a ficha realmente caiu.

Dia 28/08
Um pequeno questionamento: ”Com o que você AMA gastar dinheiro?” - esta foi a pergunta que chegou no e-mail, cortesia da newsletter de Anne Hellen Petersen. Eu já sabia que eu amava gastar com viagem mas, o meu prazer também é gastar com coisas de casa. Mobiliário, décor, coisas de casa. AMO. Eu não ligo se eu ficar sem comprar roupa, mas eu amo uma coisinha bonita pra admirar, pra usar e pra deixar um momento tão corriqueiro interessante. Parece que o dia muda. Igual flores, amo como elas mudam o espaço e agregam beleza de imediato.

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