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Helena Vilela - Uma arquiteta que escreve · Aug 11, 2026

Inspirações de Julho

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Helena Vilela · Helena Vilela - Uma arquiteta que escreve

Notas da editora pré-edição: Na parte dois da edição especial de leitura, eu disse acerca das relação das marcas de luxo em relação à produção de produtos e criação de clubes de livros com a ressalva específica: “Mas, precisamos lembrar de algo importante: ser culto é diferente de parecer culto” - pois é… aprendi um termo novo essa semana: culture washing que é justamente o uso da cultura como perfomance e parte de uma agenda e não como uso específico, que nem o Green washing em relação à sustentabilidade, lembra? Ah, tem o artwashing também - quando há o uso de arte com o mesmo intuito!

E se eu um ano sem comprar DE NOVO?
Muitas pessoas chegaram aqui por conta do Projeto Um Ano Sem Compras e eu estou fazendo a atualização do que tem acontecido no meu dia a dia neste post:

Nele, estou colocando várias entradas com exercícios que eu fiz que me ajudaram a visualizar que eu não preciso comprar mais nada, ou algo interessante que eu li acerca do cérebro e o desejo de consumo… Eu o enviarei completo no final do mês, mas quem quiser ir acompanhando, pode ler.

A beleza no cotidiano

Há uns meses eu já sabia que o tema do mês de julho por aqui ser a beleza. Uma coisa é curiosa, afinal o Zeitgeist do momento parece ser este: só se fala de beleza em todos os lugares. Seja a perda da beleza, a necessidade da beleza ou o meu maior medo: nós nos acostumarmos com a beleza.

Enquanto estive no Maranhão, conhecendo o Parque dos Lençóis Maranhenses, lembro de perguntar a um dos guias se ele havia, algum dia, se acostumado com tamanha beleza. Cheguei a comentar com algumas pessoas que ali entendia o que eu via nos desenhos acerca da sedução dos Oásis em meio ao deserto: a beleza era tanta que me seduzia, me cegava e me fez até me perder do meu grupo em algum momento. Eu passei horas contemplando aquela beleza e aquele silêncio. O guia me respondeu que ele nunca se acostumou com aquela beleza e, que pelo contrário, não trabalhar ali - para ele - era enlouquecedor. Ele não suportava ficar um dia afastado daquele cenário, aquilo o nutria.

Esta frase começou então a aparecer de diferentes formas - em conversas, em livros, e até na série The Madison que assisti atrasada, mas que se tornou uma das minhas preferidas. Existe um medo recorrente de algumas pessoas que outras se acostumam com a beleza a ponto de deixarem de valorizá-la em algum momento. Estou lendo um livro chamado Toda a beleza do mundo: Vida e arte pelos olhos de um segurança de museu. Publicado no Brasil em março deste ano, o livro mostra os bastidores do The Met pelos olhos de um jovem que, após a morte do irmão, decidiu que ser segurança de um museu e estar cercado por obras de arte era melhor do que ter um trabalho de prestígio como o de organizador de eventos da revista The New Yorker.

Patrick Bringley ficou dez anos na posição de segurança do museu. Eu confesso que achei que leria o livro de capa a capa, ledo engano, a leitura nos pede calma para apreciar a história tão rica em detalhes que entrelaça acervo, visitantes, rotina e a vida do autor. O livro, considerado o melhor do ano de 2023 (ano de seu lançamento) por inúmeras publicações, está sendo uma agradável surpresa. As vezes a gente acha que precisa de muita coisa, mas aquele clichê é real - cada um tem sua própria definição de sucesso. Para Patrick, pelo que eu entendi até agora na leitura, sua necessidade naquele momento não era o sucesso ou o prestígio de trabalhar numa revista famosa e estar cercado de celebridades, sua necessidade era estar cercado de beleza, aquele tipo específico de beleza que só vem da arte.

Tópicos Relacionados:
Já li e comentei
aqui, neste post: o romance An Object of Beauty, de Steve Martin uma narrativa acerca do mercado da arte.
Próximo na minha lista de leitura:
Breakfast at Sotheby’s: An A-Z of the Art World - um livro que traz um olhar sobre o mercado da arte e o valor atribuído às obras.
Arte e negócios: Mulheres, vale a pena ler o livro da ex-diretora global de parcerias da Christie’s e leiloeira Lydia Fenet - The Most Powerful Woman in the Room Is You: Command an Audience and Sell Your Way to Success

Read the original on helenavilela.substack.com

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