A Espanha tem um segredo que o mercado ainda não contou para todo mundo: as regiões mediterrâneas do país produzem alguns dos tintos mais generosos, concentrados e inesquecíveis do planeta. Esta semana, a Vitrine Havana reúne três rótulos que representam exatamente isso: Syrah, Garnacha e Monastrell em suas expressões mais autênticas.
O tinto que dá nome à semana. Tempranillo envelhecido por tempo suficiente para que cada nota, de cereja a tabaco, de baunilha a ameixa seca, esteja completamente integrada. Um Reserva com todas as letras.
A Syrah espanhola guarda características que a diferenciam tanto da versão francesa quanto da australiana. Em solos de altitude e clima continental, ela desenvolve um perfil aromático que combina a especiaria e o negro de fumo típicos da uva com uma acidez que garante longevidade. The Old Brick Factory é um Syrah que honra essa identidade: estruturado, com taninos firmes e presentes, aromas de pimenta-do-reino, frutas negras maduras e um toque de azeitona curada. Corpo cheio, final longo. Para quem gosta de tintos que se impõem com elegância.
Perfil sensorial: Pimenta negra, amora, frutas do bosque, azeitona, defumado suave. Corpo cheio, taninos firmes, final persistente.
A Garnacha é a uva espanhola mais subestimada do mundo e, ao mesmo tempo, a que mais recompensa quem tem a curiosidade de explorar. La Viña Escondida vem de videiras velhas, aquelas que sobreviveram ao abandono e à modernização, e é exatamente nesse contexto que a Garnacha mostra sua profundidade real. Na taça, revela um rubi translúcido com aromas de framboesa madura, pétalas de rosa secas, terra úmida e especiarias suaves. Corpo médio com taninos sedosos e acidez vibrante. Fresca, profunda e surpreendentemente elegante para quem espera algo denso e pesado.
Perfil sensorial: Framboesa, rosa, terra, especiarias leves. Corpo médio, taninos sedosos, acidez viva, final floral.
A Monastrell é a uva do sol e da aridez. Cultivada principalmente nas regiões de Jumilla, Yecla e Alicante, no sudeste espanhol, ela precisa de calor intenso para atingir sua maturação plena. O resultado é um tinto denso, com cor quase opaca, aromas de frutas negras em compota, chocolate amargo, especiarias quentes e um toque balsâmico. Parajes del Valle expressa a Monastrell em toda a sua potência, sem perder o equilíbrio. Taninos robustos que pedem tempo na taça ou uma boa refeição ao lado. Um tinto para noites frias e longas.
Perfil sensorial: Ameixa em compota, mirtilo, chocolate, alcaçuz, balsâmico. Corpo cheio, taninos robustos, final quente e prolongado.
Se a Espanha tem um coração mediterrâneo, ele bate com três uvas. A Syrah chegou ao país vinda do Ródano, mas encontrou nas altitudes da Meseta e nas pedras vulcânicas de algumas denominações uma identidade própria. Diferente da opulência australiana e da elegância francesa, a Syrah espanhola é seca, especiada e com uma mineralidade que surpreende.
A Garnacha, conhecida na França como Grenache e no mundo inteiro como base de grandes blends, é originalmente espanhola. Saiu da Espanha, conquistou o Mediterrâneo inteiro e voltou renovada. As videiras velhas de Garnacha, algumas com mais de 100 anos, produzem uvas com uma concentração que dispensam explicação: ela está toda na taça.
Já a Monastrell é a uva que não cede. Adaptada ao sol implacável do sudeste espanhol, ela produziu durante séculos tintos robustos que abasteciam mesa de trabalhadores e adegas de exportação. Hoje, com enólogos que respeitam a matéria-prima e aplicam técnicas mais precisas, a Monastrell revelou uma elegância que ninguém imaginava que estava escondida ali.
Três uvas. Três histórias. Três razões para explorar a Espanha além do óbvio neste julho.
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