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o diário · Jan 8, 2025

O poder dos começos

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Geissy Araújo · o diário

Era último dia de 2024, último dia marcado no calendário de um ano que me convidou a mudanças de formas inimagináveis em minhas fantasias. Longe de onde cresci e daqueles com quem dividi rotinas, observo movimentos nas redes sociais de revisão do que foi e desejos do que será. É interessante observar o poder dos começos, começo de um novo ano, de um novo mês de uma nova semana, novo relacionamento, novo trabalho. Começos parecem renovar esperanças perdidas com a familiaridade. É como se fosse possível resetar e começar de novo, como a gente faz com o computador quando está lento demais ou com o celular que trava vez ou outra. As vezes é preciso desligar pra iniciar novamente e tudo voltar a funcionar. Alguns começos tem esse poder. Começos também podem trazer medo. Podem nos colocar de frente com o que dói. Podem ser bastante desconfortáveis e não tão esperançosos. São tantos universos vivendo nesse universo que habitamos que generalizar seria cair em uma armadilha de perder a profundidade das diferenças. Mas uma coisa não posso negar: começos vem com muita potência. As vezes difíceis, outras vezes incríveis e fluídos. Eles também nos pedem movimento, energia e atenção.

Começos podem traçar fundamentos para construção do por vir. Reflito sobre esse poder e sobre a beleza que é perceber que todos os dias são começos, não apenas os primeiros dias no calendário. Já parou pra pensar como é isso pra você? Se dar conta que o agora, esse exato momento, é começo em potencial? Isso te assusta ou te anima? Eu particularmente gosto de começos, gosto da curiosidade que o não saber me apresenta e vejo cada um deles como portas para criação de mim, da minha rotina, da minha vida. Sou boa em me reinventar e já fiz isso tantas vezes e sigo fazendo. O interessante é observar que isso se torna mais custoso a medida que os anos passam, com os compromissos que assumimos, com a história que vivemos. Você percebe isso também? Minha palavra pra 2024 foi mudança e e com ela veio também o diário com meus escritos que desejo continuar criando em 2025. Na verdade o reencontro com a escrita expressiva e livre tem sido de uma nutrição da minha existência sem antecedentes. Minha prática meditativa tem sido, também, escrever. E isso tem me levado a lugares que não sabia que podia chegar através da palavra. Em breve trago mais sobre isso.

Por agora, a minha aspiração para esse ano é essa: que possamos reconhecer as belezas dos inícios, mesmo que eles nos tragam um oceano de incertezas acompanhados pelo medo do desconhecido. Se a gente olhar melhor, talvez possamos enxergar a imensidão de possibilidades, muitas delas guardam sonhos sonhados e outros nem pensados, mas que podem nos revelar realidades bonitas demais de se viver. Que possamos reconhecer que cada momento é precioso, mesmo aqueles que nos cortam a alma e deixam cicatrizes pra sempre. Que possamos nos deixar sentir a felicidade quando ela chega, e se render a fluidez dos momentos em que parece que o tempo para contempla-los. Que possamos estar mais aqui, na nossa vida, enquanto ela acontece.

Feliz começo!

OBS: Deixo aqui uma foto que tirei da janela de casa, guardando o começo do inverno em terras do norte, trazendo a beleza da quietude do frio da neve. Aprecie. O que você sente quando vê essa foto? Adoraria te ler nos comentários.

Read the original on geissy.substack.com

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