Há palavras que descrevem. “Morre-se” sentencia. Neste episódio da FF/FM, atravessamos a obra e a trajetória de Paulo Tim, economista, professor, pesquisador histórico e poeta, para entrar numa região onde a morte deixa de ser apenas o fim e passa a funcionar como medida da própria existência. Nascido no Rio de Janeiro e criado desde bebê em Santa Maria, Paulo Tim construiu uma trajetória entre economia, universidade, vida pública e literatura. Depois de décadas em Brasília, entre o IPEA, o BNDES e a Universidade de Brasília, encontrou no litoral norte gaúcho outro modo de permanecer no mundo: a história, a poesia, os livros e a memória. Seu poema Morre-se não oferece consolo.
Há morte acidental.
Há morte política.
Há morte injusta.
Há morte violenta.
Há a morte que chega de repente.
E há aquela que se instala lentamente enquanto ainda estamos vivos.
Mas, no momento decisivo, Paulo Tim faz algo inesperado: diante da própria morte, não invoca a eternidade. Evoca as mulheres que amou, os vinhos que bebeu, os livros que releu, os charutos que fumou, a vida que contemplou. Talvez essa seja a pergunta que sustenta todo o episódio: se vamos morrer de qualquer maneira, por que permitimos que coisas tão pequenas decidam o que fazemos com o tempo que ainda temos? Hoje, a FF/FM não promete respostas. Promete apenas uma conversa com aquilo que nenhum de nós conseguirá evitar.
MORRE-SE. E enquanto não chega a nossa vez, ainda estamos aqui.

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