Se tem uma coisa que eu invejo nas pessoas é o sono (inclusive, estou preparando um texto sobre isso para logo mais). Dormir bem, infelizmente, sempre foi um luxo para mim.
Há dez anos a situação se intensificou, mas desde 2019 tem sido o maior problema da minha vida e hoje eu sei que foi o início da perimenopausa.
Eu brinco que, se eu dormisse, eu poderia ser presidente dos Estados Unidos. A diferença de quem eu sou quando durmo e quando não durmo é absurda, e todas as vezes que eu passo por um período mais difícil do que o normal, isso fica ainda mais evidente.
Abril foi um desses meses.
Por sofrer há muito tempo e ter uma resiliência acima da média, eu ainda sou extremamente funcional com pouquíssimas horas de sono. Nos primeiros 3 ou 4 dias você nem percebe. O problema é quando isso se acumula por semanas, que foi o caso desse último mês.
No começo da segunda semana sem uma única noite de sono completa, eu começo a perder totalmente o foco e fico parecendo uma barata tonta. No começo da terceira semana, se torna muito difícil me autorregular emocionalmente e quase impossível me recuperar dos treinos e é, geralmente, quando eu acabo me lesionando.
Para vocês terem uma ideia, lá pela terceira semana sem dormir uma noite direito, eu estava fazendo o jantar e reparei que a couve-flor que eu ia preparar estava mofada por dentro e comecei a chorar. Sim, chorar de soluçar, como se fosse uma criança de 2 anos. Esse é o nível.
Eu não tenho uma insônia crônica e constante, e sim episódios que variam entre um e três meses e acontecem algumas vezes ao ano. Mas considerando que essa é a minha vida há mais de 6 anos, eu estou extremamente esgotada.
O meu último episódio tinha sido em novembro do ano passado. Foi horrível, o pior que eu já tive, e depois disso eu decidi que começaria a reposição hormonal. Eu já vinha estudando o assunto há um tempo e estava convencida de que iria fazer, mas calhou que, no mesmo mês, a FDA finalmente tirou a tarja preta para tratamento da peri e menopausa.
Estou trabalhando em um post bem completo sobre a minha experiência, mas resumindo: eu achei que assim que começasse eu sentiria uma melhora, mas não foi bem assim.
De dezembro para cá a minha vida tem sido uma montanha-russa. Duas semanas eu me sinto ótima, pronta para dominar o mundo. Nas outras duas semanas eu não quero levantar da cama. Eu durmo uma noite inteira e passo as 3 noites seguintes acordando 5, 6, 7 vezes completamente encharcada e morrendo de calor e sede.
Além disso, desde que comecei com o estrogênio em fevereiro, eu ganhei 7kg. Eu sei que talvez não pareça, que isso não é o fim do mundo, mas eu sou uma pessoa que desde os 18 anos usa o mesmo número de calça jeans e, no momento, 90% das minhas roupas não me servem — algo que nunca tinha me acontecido antes.
Foi bem perturbador e triste ver que, apesar de estar seguindo a mesma dieta, de não beber uma gota de álcool e de fazer exercícios 6 vezes por semana, o meu peso, composição corporal, textura de pele, celulite… tudo mudou drasticamente em 2 meses.
A minha médica disse que demora de 3 a 9 (NOVEEEEE) meses para o corpo se adequar, mas eu confesso que depois de tanto tempo sofrendo com isso, a minha paciência está quase nula.
Ainda assim, não tenho outra escolha a não ser continuar fazendo tudo o que estou fazendo (reposição hormonal é muita tentativa e erro), ajustando o protocolo e mantendo a esperança de que um dia eu vou dormir como uma pessoa normal e voltar a me sentir eu mesma.
Se você não dorme bem, seja lá por qual motivo, saiba que eu sinto a mais profunda empatia. Se você dorme bem, principalmente depois dos 40, saiba que eu sinto a mais profunda inveja e eu espero que você aproveite esse presente todos os dias e seja muito grata, porque esse é um dos maiores luxos da atualidade.
Depois do fiasco de “And Just Like That” (que é ruim mas eu amo), confesso que não me deixei criar muitas expectativas para O Diabo Veste Prada 2. Ao mesmo tempo, pensei que a Meryl Streep não deve estar desesperada para fazer um filme e que ela não deixaria estragar o legado de uma personagem tão icônica.
Acabei me surpreendendo positivamente e amei o filme! Achei tão bom quanto o primeiro, com uma cadência muito parecida.
Além disso, o filme teve um significado muito especial para a minha história pessoal. Quando eu assisti ao primeiro em 2006, eu estava no momento de virada da minha carreira. Foi quando eu comecei a ganhar um dinheiro que faria diferença na minha vida e tudo o que eu queria era chegar “lá”. Eu queria ter aquela vida glamurosa, ir para Nova York, ter aquelas roupas, fazer coisas legais, ter acesso a pessoas incríveis.
Corta para 2026 e enquanto eu assistia ao filme ia passando uma retrospectiva dos últimos 20 anos pela minha cabeça.
Eu não só visitei Nova York como morei na cidade! Eu conhecia intimamente todos os cantinhos que aparecem no filme. Me identifiquei muito com a Andy que usou todas as roupas no começo de carreira para conquistar o que queria e ter mais autoconfiança, mas que aos 40 e poucos anos já construiu o que queria, sabe quem é e não precisa mais disso para se sentir bem, competente e bonita.
Tem uma cena em que ela vai a um almoço na casa da Miranda nos Hamptons e eu jamais poderia imaginar 20 anos atrás que uma dia eu estaria em almoços como aquele.
Foi inevitável fazer esse paralelo com a minha própria vida, porque foi um filme que me inspirou demais 20 anos atrás e eu jamais imaginei que fosse chegar muito além de todas as minhas grandes ambições.
Finalmente assisti à primeira temporada de The Pitt.
Eu nunca assisti a nenhuma série de hospital como ER e Grey’s Anatomy porque eu tenho muita aflição, mas o Mark queria ver The Pitt e eu decidi acompanhá-lo.
Para quem evitou esse tipo de série a vida toda, eu fui escolher ver a mais gráfica de todas. Confesso que preciso cobrir os olhos em muitas partes, mas eu gostei muito da série.
Um dos meus maiores problemas com os Estados Unidos é o sistema de saúde. É BIZARRO. Nos últimos anos eu tenho estudado muito para tentar entender melhor como as coisas funcionam — já que elas são como são — e como eu posso ser a minha própria defensora, tanto quando estou na frente de um médico, quanto quando preciso contestar uma cobrança absurda.
A série também virou uma chave em mim: nesse país, não se vai ao pronto-socorro a não ser que você esteja DE FATO morrendo. Me fez ter muito mais empatia pelos médicos da emergência e um maior entendimento do que é uma situação que requer atendimento imediato.
Nesse ponto, acho que somos muito mal acostumados no Brasil. Sinto que as pessoas vão ao pronto-socorro sem muita necessidade e, até por isso, os hospitais têm uma estrutura para esse tipo de atendimento (mesmo no SUS), o que não acontece nos Estados Unidos.
Achei a série excelente, com atuações incríveis e muitos assuntos relevantes abordados de forma natural, sem parecer estar forçando a barra. Lá pela metade tiveram 2 episódios que eu achei meio parados, mas no geral, a temporada foi muito bem amarrada e eu devo assistir à segunda temporada logo mais.
Nem sei por onde começar… O jornalista Louis Theroux acompanha alguns dos mais famosos criadores de conteúdo “red pill”(sendo bem generalista) por alguns dias para produzir esse documentário. São homens com visões extremamente conservadoras, machistas, homofóbicas e tudo o que há de pior.
Todo conteúdo tem seus vieses, mas eu gosto daqueles que mostram nuances, principalmente quando o assunto é algo que gera opiniões fortes a respeito. Gosto de ser desafiada e de ouvir os lados da história.
Achei que o Louis Theroux tentou fazer isso, mesmo deixando bastante claro qual era a posição dele em relação ao assunto, e isso acabou me fazendo pensar sobre o que está fazendo com que os homens (especialmente os adolescentes e jovens) se conectem tanto com essa mensagem.
Fiquei muito intrigada e tenho consumido muito conteúdo a respeito. Comecei a ler o livro do professor Scott Galloway “Notes on Being a Man” e devo falar mais sobre isso no mês que vem, quando terminar de ler e tirar minhas próprias conclusões.
Só sei de uma coisa: se eu fosse mãe de menino eu estaria extremamente preocupada e tentando entender tudo o que pudesse sobre esse universo (eu nem sou e já estou).
Eu comprei esse livro na pandemia (em inglês Regretting Motherhood: A Study), mas nunca tinha lido. Depois de ler “The Baby Decision” fiquei curiosa e decidi finalmente abrir.
Confesso que minha intenção era muito mais validar a minha decisão de não ter filhos, mas o livro teve um impacto muito mais profundo do que eu antecipei.
Uma das coisas mais interessantes foi o conceito de arrependimento que ela traz.
Ela explica que a sociedade tem regras sobre quando o arrependimento é aceitável e quando não é. Se você cometeu um crime, por exemplo, o arrependimento é obrigatório. Sem ele, não existe perdão, não existe redenção. Mas se arrepender de uma escolha de vida que “deveria” te fazer feliz — como ter filhos, casar, seguir determinada carreira — é visto como fraqueza, imaturidade, ingratidão.
Ou seja, o arrependimento só é permitido quando serve para restaurar a ordem social. Quando ele ameaça questionar essa ordem, é tratado como defeito de caráter ou até patologia.
Eu nunca tinha pensado no peso moral que é colocado no arrependimento e em como ele é tratado de formas completamente diferentes dependendo do contexto.
Outra coisa que achei sensacional: ela aborda a complexidade da relação entre mãe e filho que é como qualquer outro relacionamento humano, cheia de complexidades. Mas o peso que se coloca nessa relação, muito por influência do Cristianismo, quase como se ela fosse sagrada, faz com que mães não sejam vistas como seres humanos e que essa relação seja idealizada.
Essa coisa de “mãe é única” cria expectativas completamente desproporcionais, tanto da mãe em relação ao filho quanto vice-versa.
Isso me fez pensar como filha também. Parece que a mãe não pode ter defeitos. E quando ela tem (e todas têm, umas mais e outras menos), o peso desses defeitos é tão intenso que acabam nos gerando traumas, justamente porque crescemos com a expectativa de que mães são seres sagrados.
E por último: o quão cruel é silenciar essas mães. Todo mundo tem o direito de se arrepender de qualquer escolha e, no caso de muitas mães, nem foi uma escolha real. Só ao reconhecer e aceitar esse arrependimento é possível se curar e conviver com ele e é triste que muitas não possam se abrir sobre isso.
Juro, antes de falar sobre o livro eu preciso comentar que a tradução do título foi muito infeliz. O livro se chama “The Wedding People”, que é mais uma expressão, tipo “o povo do casamento”. Eu entendo que não tem o mesmo significado em português, mas a tradução brasileira é quase um spoiler.
Enfim, esse é um daqueles livros gostosinhos, comédia romântica, sem muito compromisso, perfeito para ler antes de dormir, mas com várias reflexões interessantes sobre amizades na vida adulta, casamento, divórcio, vida pós-divórcio com filhos, sem filhos e depois dos 40.
Eu simplesmente AMEI esse livro.
Ele conta a história de Sybil, uma advogada aposentada de 72 anos, de uma forma muito inusitada: através das cartas que ela enviou e recebeu ao longo de uma vida.
O livro é uma coletânea dessas cartas e é incrível ir descobrindo, quase que decifrando, a personalidade, a história de vida, as angústias e alegrias dela por meio dessas correspondências.
Tudo é muito sutil, nada é explicado ou óbvio. É como ter encontrado uma caixa cheia de cartas de alguém que você não conhece e ir tentando fazer sentido sobre a história daquela pessoa.
Ele também trata do envelhecimento, de como continuar relevante, do poder da escrita como ferramenta de conexão e autoconhecimento e do poder de transformação em qualquer idade.
Terminei o livro muito emocionada e com uma vontade enorme de escrever mais cartas.
Com esse aumento de peso e de medidas repentino e inesperado, a maioria das minhas calças não estão me servindo e, as que ainda servem, não estão muito confortáveis.
Isso por si só tirou muita da minha vontade de me vestir e me arrumar todos os dias. Mas como eu sei que me vestir bem me faz feliz e por causa do meu compromisso de me arrumar para o mundo todos os dias, eu tentei encontrar algumas alternativas que fossem confortáveis, arrumadinhas e que continuassem me servindo uma vez que toda essa bagunça hormonal se ajeite.
Eu ainda não sei como o meu corpo vai se comportar, mas antes de trocar todo o meu guarda-roupa, achei que fosse interessante pensar em alternativas.
Esses dois achados foram:
Essa calça é muito versátil e o tecido parece um crepe. Funciona muito bem para o clima mais meia-estação de LA (talvez seja meio quente para usar em um lugar mais quente e úmido). Dá para usar super casual, mas também mais arrumadinha com uma camisa.
Tem sido meu uniforme.
A outra foi essa calça da Zara que eu comprei bem maior para ficar bem baggy mesmo e ficou linda, uma vibe meio Phoebe Philo que eu adorei, mas claro que eu não tirei fotos quando usei.
Esse mês a news saiu com uns dias de atraso porque cheguei em São Paulo no dia 30, fui direto assistir ao filme (não queria deixar de comentar sobre ele) e não parei um segundo desde que cheguei!
O mês de maio vai ser todo em São Paulo e eu estou animada para uma viagem de férias que farei aqui na América do Sul!
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