Se tem uma palavra que esvaziaram de sentido nos últimos anos, essa palavra é “bem-estar”.
Querer estar bem virou sinônimo de tomar um suquinho verde, fazer skin care todo dia e transformar seu passatempo em mais uma fonte de conteúdo.
Tudo que nos faz bem foi hackeado pela indústria do bem-estar?
(Se fosse a Mari Krüger, respondendo, ela diria que sim.)
A verdade é que o mercado de wellness virou um dos motores da economia global — e está passando por um reposicionamento, que foi liderado por nós, millennials, e agora está intensificado pela Gen Z.
O tal do wellness movimenta mais de 2 trilhões de dólares por ano em um sistema de saúde fragmentado, quase com a ausência completa de políticas públicas.
As pessoas estão buscando estar no controle das próprias vidas.
E é aqui que profissionais de saúde entram. Ou melhor: deveriam entrar.
A McKinsey, maior consultoria global, chama isso de “a grande expansão da economia de wellness” e pior que não é exagero.
De 2020 a 2022, o mercado cresceu mais de 12%.
Só nos EUA, o gasto com produtos e serviços de bem-estar dobrou.
E esse consumo está sendo moldado, principalmente, por mulheres, jovens e pessoas de comunidades marginalizadas, ou seja, aquelas que mais sentem os efeitos da precariedade em saúde pública e mental.
Se jogarmos as mesmas lentes para o Brasil, o que nós temos?
Um mercado de aproximadamente 96 bilhões de dólares.
Os destaques: cuidados pessoais e alimentação saudável, que juntos somam US$ 69,6 bilhões.
O Brasil ainda ocupa o 12º lugar no ranking mundial de bem-estar, segundo o Global Wellness Institute (GWI).
Essas lentes, quando brasileiras, corroboram o que a Forbes já disse em um arigo: “Bem-estar em alta, saúde mental em baixa”.
No entanto, ainda se faz necessário conhecer o que o relatório da McKinsey diz sobre os pilares e perfis de consumidor.
42% dos millennials e Gen Z dizem que mindfulness é prioridade altíssima
Aplicativos de meditação são recomendados por médicos
Mercado digital cresce 70% quando há parcerias estratégicas
Uma das principais demandas da sua clientela
Produtos para sono crescem 30% ao ano
Oportunidade: conteúdo não-óbvio sobre higiene do sono
50% dos consumidores compraram produtos funcionais no último ano
Conexão direta com saúde mental via microbiota
Parcerias com nutricionistas pode ser uma boa oportunidade
44% da Gen Z luta para manter motivação para exercícios
Saúde mental e exercício são indissociáveis
Conteúdo sobre exercício e ansiedade performa bem
Gen Z coloca "melhor aparência" no top 3 de prioridades
Skincare como ritual de autocuidado
Autoestima é território seu, não da estética
Gerações mais novas pensam em prevenção
Saúde mental preventiva é diferencial
Posicionamento: "Terapia antes da crise"
Plataformas de conteúdo (como TikTok e YouTube) viraram hubs de educação em saúde mental, ainda que com todas as problemáticas de autodiagnóstico, como no caso do TikTok.
É o que o relatório chama de “conscious consumerism”, que é o consumo com propósito, onde sentir-se bem se mistura com sentir-se no controle da própria vida.
E sim, quando algo tão sério quanto a saúde vira um ativo de mercado, ela também vira “só mais um jeito” de vender promessas de bem-estar pra quem já é exausto.
Eu gosto de pensar que essa é uma janela de oportunidade para quem trabalha de forma séria, ética e com repertório.
Ainda que você não venda milagre encapsulado no branding do hype, você pode usar esse movimento para se posicionar, informar e educar.
Fazem pesquisa extensa
Querem ciência por trás das soluções
Pode ser seu público principal
Focados em ser fitness e alta performance
Leais quando encontram algo que funciona
Parcerias com pessoas educadoras físicas
Preferem simplicidade
Focam no básico que funciona
Seu público de terapia tradicional
Se sentem perdidos e estressados
Precisam de suporte e motivação
Pode ser seu público “de entrada”
Sensíveis a preço
Compram só o essencial
Se fosse para atingir, deixaria por último
Enquanto as grandes marcas vendem solução mágica, você pode “vender” o que ninguém entrega: o processo verdadeiro e, muitas vezes, dolorido da saúde mental e bem-estar.
Mari Krüger — que citei no começo — e Drauzio Varella são excelentes exemplos de posicionamento e criação de conteúdo.
Eles combate com ciência e, para falar de bem-estar hoje, é preciso falar nos quatro cantos da internet, com estratégia, porque é onde mais procuram.
Você pode continuar tratando o o tal do wellness como “coisa de coach”.
Ou pode assumir o que já é seu:
A ciência por trás do bem-estar
O conteúdo que informa e não adoece
O cuidado como projeto de futuro sem gatilho de urgência
A health creator economy começou.
Essa conversa é séria e não pode ser entregue nas mãos de charlatões que deixam as pessoas piores do que quando as encontraram.
O que você faz já é o tal do wellness, só que bem feito, baseado na ciência.
A questão é: você está dentro ou está fora? Por quê?
— Espero que seja útil.
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