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diatribes modernas · Jun 3, 2026

o que fazer quando não se tem raízes?

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Giovanna Lobato · diatribes modernas

Eu achava que era uma planta de baixa manutenção. Um cacto, famoso por ser fácil de cuidar e que não precisa de atenção. Você rega quando lembra, ou não também. A ideia só durou até eu ter um cacto e matá-lo. Então, quis ser girassol, mas não me achei brilhante o suficiente.

Hoje me sinto uma jiboia — onde quer que eu esteja, minhas raízes me sustentarão. Com espaço e nutrientes, cresço belíssima até tamanhos quase pré-históricos. Não dou flores, mas tenho padrões detalhados e únicos em cada folha. Acho jiboias magníficas. São coisinhas determinadas a viver.

Soube de plantas de raízes soltas quando ouvi sobre bromélias na quarta série. Minha professora contou que elas continham ecossistemas inteiros e perfeitos. Imagina só! Mundos inteiros existindo dentro de você, onde quer que você vá. Uma bromélia não precisa de raízes. É uma planta que vai sobreviver em praticamente qualquer lugar que você colocá-la. Me identifico.

Acho que também há nelas uma metáfora sobre os mundos inteiros que carrego em mim através da escrita. Mas essa ideia ainda está sendo elaborada internamente, então deixo para uma edição futura.

Há alguns anos conheci as avencas quando uma amiga ganhou uma de herança. Era um amuleto da sorte que sobreviveu várias décadas em um ambiente tóxico. Com elas — a amiga e a planta — aprendi o significado de resiliência e a transformar veneno em força. Uma habilidade útil, mas que eu gostaria de não ter, dadas as circunstâncias em que as consegui.

Um dia quero conhecer a Orquídea Vanda e perguntá-la como ser uma planta que vive sem substrato. Se um dia conseguir fazer essa conversa acontecer, conto aqui como foi.

Quanto à como viver sem raízes, ainda não sei. Vou sobrevivendo enquanto investigo. Se tiver uma ideia, por favor, me conte.

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