Provavelmente, você já se apaixonou por alguém. Eu, pelo menos, já me apaixonei muitas vezes. Cada uma de maneira mais intensa do que a última.
Estar apaixonado é maravilhoso, uma das minhas coisas favoritas. Risos frouxos, borboletas na barriga, belos buquês de rosas, a espera ansiosa pelo próximo encontro…
Porém, nem tudo são flores. Quando alguém está apaixonado, está anestesiado. Envolto pelo véu do amor, onde tudo parece mais bonito, mais feliz. Isso pode ser perigoso.
Sou uma apaixonada crônica, focada, detalhista. Quando estou amando, deposito minhas energias de tal forma que, se não prestar atenção, esqueço de todo o resto, inclusive de mim.
Nessas de amar, fui amando sem perceber, arrastada pelos meus sentimentos como alguém que é puxado por uma correnteza. Acabei me esquecendo de que até o amor precisa de seus limites.
Mas eu estava ocupada, não pensei em limites, nem em nada que pudesse comprometer meu amor. Já que eu não defini meus limites, a vida se encarregou de defini-los por mim (que atenciosa!).
No meio de tanto amor, me deparei com algo que não deixava espaço para nenhum questionamento. Aquilo era o limite.
Não acho nem que seja um limite só meu, imagino que boa parte dos apaixonados tem limites até mais baixos. Aquilo era demais.
A questão dos limites é que, como o nome já diz, eles limitam algo. Nesse caso, o amor. Essa extrapolação do limite comprometia diretamente o amor, não poderia mais acontecer.
Clichê ou não, toda essa conversa que escutamos sobre amor-próprio tem um grande fundo de verdade. Por vezes, o seu amor-próprio tem de entrar em conflito com o amor pelo outro. Quando limites são ultrapassados, esse conflito é inevitável.
Não deixa de ser um conflito, abandonar um amor nunca é fácil. Escolher a si mesmo é doloroso às vezes. Mas permitir que seus limites sejam ignorados é dar passe livre para que eles não sejam levados em consideração.
E, para mim, a falta de consideração dói absurdamente. Logo com o amor que eu construí com tanto carinho, tanto detalhe. É como se destruíssem uma obra que acabei de pintar, ela tinha tanto potencial.
Mas acontece, cotidianamente obras são destruídas, danificadas, rasgadas. O que resta é reunir os materiais e iniciar um novo rascunho. Tentar recriar uma arte a partir de retalhos nunca dará o mesmo resultado da obra original.

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