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DeSmeeOLado · Jun 1, 2026

O Novo Batman é Tudo Isso?

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Guilherme Smee · DeSmeeOLado

Esta edição de DeSmeeOLado traz 23 reviews e, entre eles, uma resenha do novo Batman (sim, sempre tem um Batman pra chamar de novo!) desenvolvido por Matt Fraction e o espanhol Jorge Jiménez. Entre a edição final do último volume da numeração anterior de Batman e esta aqui, aconteceu um atraso enorme, culpa de Jeph Loeb e Jim Lee, que resolveram “brindar” os leitores com uma segunda saga de Silêncio. Fraction e Jimenez tiveram a chance de desenvolver quase o mesmo número de edições da saga de Loeb e Lee nesse meio tempo.

Aproveitando, gostaria de convidar os leitores desta newsletter a participar da edição de 2026 da PocCon, nos dias 5 e 6 de junho, no Distrito Anhembi. Estarei lá lançando quadrinhos novos e também participando de um painel sobre pesquisa acadêmica em quadrinhos no sábado. Na quinta-feira, feriado, estarei na Feira da Diversidade, que acontece no Vale do Anhangabaú, também em São Paulo. A entrada para os dois eventos é gratuita! Lançarei três publicações: Manual dos Memes, O Oceano que Guardamos Entre Nós e SuperFalo Extra!

As últimas semanas têm sido frenéticas por aqui e nelas produzi o evento GibiTRI, aqui em Porto Alegre, que teve presença de vários convidados especiais, com destaque para a Helô D’Angelo, que trouxe sua Graphic MSP da Pipa. Na semana seguinte, estive em Florianópolis para o Buszilla, e rolou bate-papos com os tradutores Mário Luiz C. Barroso e Carlos Rutz. Mas o mais sensacional desse tempo fora do DeSmeeOLado foi ter sido agraciado, junto com a Marina Duarte, com nosso primeiro Troféu Angelo Agostini, pelo fanzine O Pai Tá On. O Angelo Agostini é o prêmio de quadrinhos mais longevo do Brasil! E a Marina levou também como melhor desenhista!

Agora, sem mais delongas, vamos aos nossos costumeiros reviews!

O ESTRANHO E O SINISTRO, DE MARK FISHER

★ ★

Eu tinha visto uma citação sobre este livro em algum texto em inglês que li e que, obviamente, citava o livro na língua original do conceituadíssimo autor Mark Fisher. Quando vi a versão em português do livro, na Amazon, não titubei em adquirir. Mas acabei me arrependendo. No lugar de Fisher se deter sobre os dois conceitos, que, na acepção dele, têm duas formas diferentes de serem encarados, ele passa a desfilar vários exemplos de estranho e sinistro na literatura e no cinema, em especial. A primeira parte parece mais bem solapada teoricamente, já que ele discute o estranho a partir do Unheimlich de Freud, algo que já estudei bastante. A segunda parte, como diz a introdução, lembra um trabalho incompleto, não parece que Fisher se debruçou sobre o sinistro com a mesma dedicação com que fez com o estranho. Saí bastante decepcionado com este livro.

MASCULINIDADES ECOLÓGICAS, DE MARTIN HULTMAN E PAUL M. PULÉ

★ ★ ★

Quando pesquisava livros sobre masculinidades na Amazon, muitas vezes me deparava com este livro, sempre com um valor mais alto que a média dos livros. Então, semana passada encontrei ele no Sebo Elemental, em Florianópolis, por um valor acessível. Juntei-o à minha pilha de trocas. Podemos dizer que o livro se divide em três partes. A primeira delas explica a masculinidade, seus principais autores, as principais teorias sobre esse conceito e a área de estudos. A segunda parte vai em busca de definir o cuidado, trazendo autoras relacionadas com as teorias do cuidar e relacionando essa área com a das masculinidades, uma vez que o cuidado historicamente está relacionado ao feminino. Já a terceira parte tenta explicar como o cuidado pode ser masculino e abranger o planeta, o ecossistema inteiro, como as masculinidades podem ser ecológicas e aplicar a discussão prévia do cuidado já feita pelo livro, na criação de novas masculinidades, que os atores chamam de ADAM-n, em que o -n do Adão significa novo.

A RAZÃO DESUMANA: CULTURA E INFORMAÇÃO NA ERA DA DESINFORMAÇÃO INCULTA (E SEDUTORA), DE EUGÊNIO BUCCI

★ ★ ★

Este livro acabou ficando aquém do que eu esperava. Muitos intelectuais têm por costume desenvolver um livro com artigo prévio publicado em outros espaços, inclusive o autor do livro. No entanto, a forma como este livro foi vendido dá a impressão de que o mesmo assunto é desenvolvido ao longo dos capítulos e que eles estão entrelaçados. Mas não é isso que acontece aqui. O livro compila sete artigos de Eugenio Bucci já publicados antes, e os assuntos não necessariamente estão relacionados como capítulos de livro, embora sejam vendidos assim. O resultado é que temos artigos publicados de 2020 em diante, com uma certa defasagem dos assuntos e de ineditismo. No fim, não teve nenhuma parte do livro que achei que valia a pena mantê-la comigo e, por isso, vou vendê-lo em sebos.

SEMIÓTICA DO FIM: CAPITALISMO E APOCALIPSE, DE ALESSANDRO SBORDONI

★ ★ ★

Achei muito interessante um livro que se chama Semiótica do Fim e como entendemos o fim de um mundo que nunca, realmente, acaba, apenas traz os sinais de que está acabando. Sbordoni traz os conceitos de um superaquecimento de sentidos que outros semióticos também já haviam sinalizado muitas décadas antes. Por outro lado, o próprio Sbordoni traz neste livro um desfile de conceitos que são pouco aprofundados aqui, alguns deles que nem fazem muito sentido estarem presentes nesta coletânea, que traz artigos publicados anteriormente em um site específico. Gostaria mais de ver um livro que fosse feito totalmente sobre esses sinais e sentidos apocalípticos ou ainda escatológicos e teleológicos, e menos pequenos textos sobre diversas coisas que muitas vezes não se conversam. Estes textos até dão faíscas de conhecimento, mas eu preferia que elas pegassem fogo.

O QUE É NACIONALIDADE?, DE GUILLHERMO RAUL RUBEN

★ ★ ★

Comprei este livro na minha volta a Florianópolis, no Sebo Elemental. O que é nacionalidade?, de Guillermo Raul Ruben faz parte da coleção Primeiros Passos, uma bela coleção para estudos mais aprofundados sobre diversos temas, criada na década de 1970. Então podemos afirmar que este livro tem por volta de cinquenta anos. Ainda assim, ele se presta a ser útil trazendo a diferenciação entre nacionalidade e nacionalismo, trazendo a origem da palavra nação, os paradoxos da nacionalidade, sua aplicação na sociedade e na internacionalização (uma palavra mais forte para globalização usada na época da escrita deste livro). O livro também é ilustrado com figuras bem ao gosto da época. O que faz o livro não ser tão bom é sua datação, afinal, é de cinquenta anos atrás, fora isso, é uma ótima fonte de consulta para entender o conceito de nacionalidade.

FICÇÃO CIENTÍFICA CAPITALISTA: COMO OS BILIONÁRIOS NOS SALVARÃO DO FIM DO MUNDO, DE MICHEL NIEVA

★ ★ ★ ★

Johanna Zylinska (2018) defende que as narrativas apocalípticas de fim de mundo possuem um viés patriarcal, uma fantasia que projeta o macho como salvador da humanidade. Isso pode ser verificado principalmente depois de ter visto sua centralidade eclipsada pelos movimentos de identidade e democráticos ocidentais. Para Michel Nieva (2026), esse tipo de relato coloca em evidência o homem magnata e empresário como o único ser com poder de salvar o mundo, uma vez que ele também era o único que tinha poder para destruí-lo. Para ele, não é estranho que um arquétipo da hipermasculinidade como Arnold Schwarzenegger seja considerado por algumas pesquisas dos Estados Unidos como um “super-herói ambiental”. Já Pedro PJ Brandão (2026), na orelha do livro de Nieva, também não se surpreende que em Homem de Ferro 2, Tony Stark se encontre com Elon Musk no primeiro terço do filme e se cumprimentem com um aperto de mão. Para ele, esse encontro é também a conjunção do imaginário com alguém que tem o poder e dinheiro o suficiente para que esse imaginário seja realizado e concretizado. Assim, o livro de Nieva (2026), Ficção científica capitalista, discorre sobre como, desde e com incentivo de Hugo Gernsback e sua Amazing Stories, os empresários multimilionários têm sido incentivados por esse gênero literário a perseguirem a inovação e, a partir dela, a destruição do mundo. O livro traz uma análise fundamentada em grandes obras e autores da ficção científica do Norte Global e, por isso, Nieva, autor argentino, acredita que não estamos vivendo um Antropoceno, mas um Capitaloceno ou Androceno. Ainda, ele acredita que a ficção científica interplanetária possui uma ligação com a conquista da América pelos europeus e da América Latina pelo Norte Global, enquanto apenas a decolonização e o devir indígena possam ser a salvação desses mundos.

ÉTICA MARICA: PROCLAMAS LIBERTARIAS PARA UNA MILITÂNCIA LGTBQ, DE PACO VIDARTE

★ ★ ★ ★

Deparei-me com este livro no sebo e achei que deveria adquiri-lo. Já sabia que uma versão dele, chamado de Ética Bicha, tinha sido publicado no Brasil pela Editora N-1, mas no valor caro que a editora costuma praticar. Então li este livro tão rapidamente quanto o escritor, Paco Vidarte, o compôs. Segundo o autor, ele levou apenas um mês para desenvolvê-lo. Isso é entendível porque Ética Marica, mais que um manifesto, é um desabafo. Parece que nele, Paco deixou sair anos de opressão e preconceitos que veio sofrendo. Uma parte do livro me fez entender que um dos pontos de paradoxo de uma ética bicha e de quem pode ser “empoderado” a partir dela é a condição de classe social. Uma bicha empoderada só será aquela que tem os meios financeiros e capitais para sê-lo e para poder ser respeitada não por ser bicha, mas por possuir esse capital. Aqueles cuja classe não corresponde aos anseios da sociedade, não serão respeitados, sejam eles LGBTQIA+ ou não. Portanto, para que se exija ética, é preciso também consciência social e, para se atingir a consciência social, é preciso educação para encontrar os meios de buscar capital para exigir o respeito social. Bem triste isso.

AVANTE, VINGADORES!, VOLUME 26 (44), DE STEVE FOXE, LUCA MARESCA, JACKSON LANZING, COLLIN KELLY E TOMMASO BIANCHI

★ ★

Esta é a última edição de Avante, Vingadores!, de longe a publicação a que a PaniniTM dava menos bola. Tanto é que as capas não eram nem mesmo atualizadas no site, como é o caso desta aqui. Nos seus últimos suspiros, a revista trouxe no mix duas minisséries relacionadas com o evento Um Mundo Sob Destino. Primeiro Vingadores Superiores, em que o filho de Destino, Kristoff Vernard, enfrenta a traição dos Vingadores, que se deparam com a dupla traição da Fantasma. Uma minissérie descompromissada e ok. Já a outra atração Thunderbolts: Ataque a Destino foi algo completamente dispensável, mas a arte de Tommaso Bianchi se sobressaiu de longe aos roteiros de Lanzing e Kelly. E assim acabou-se mais uma versão de Avante, Vingadores!

MILES MORALES: HOMEM-ARANHA, VOLUME 8, DE CODY ZIGLAR, GREG WEISMAN, EMILIO LAISO, MARCO RENNA, ANDRES GENOLET

★ ★

Interessante a presença da nova Hulk na revista do Miles Morales. Ela já vinha se apresentando na história de Miles como sua terapeuta e discípula de Leonard Samson. Somente essa ligação e o fato de ter cabelos verdes já davam um sinal de que a personagem tinha uma ligação com a Energia Gama. Este arco da Guerra dos Deuses, escrito por Cody Ziglar, está bem divertido, com a presença de outros personagens da Marvel, como Hércules e outros coadjuvantes das tramas de Miles. Mas a parte dos Homens-Aranha é difícil de engolir. Nesta edição, a história enrola e enrola, para, no fim, sim, sair com algo interessante, mas que poderia ter sido feito com a economia de muitas páginas. Preferia muito mais que o mix da revista não tivesse Homens-Aranha.

LIGA DA JUSTIÇA SEM LIMITES, VOLUME 7, DE MARK WAID, DAN MORA, CHRISTOPHER CANTWELL, SEAN ISAAKSE

★ ★ ★

Sinceramente, eu pensava que tinha lido todo o arco de Somos o Passado, da Liga da Justiça Sem Limites, mas não, faltava esse epílogo. Também pensei que tinha lido toda a minissérie dos Desafiadores do Desconhecido, mas não, faltava a última parte. Ou seja, essa revista da Liga da Justiça está realmente um tanto faz como tanto fez acompanhar. Tentando ser um pouco mais justo, esse epílogo da Liga da Justiça Sem Limites com os desenhos de Dan Mora de volta é um conto interessante, com a disputa de seres superpoderosos, como o Mestre do Tempo Apocalypse contra a Liga da Justiça pelo destino do Gorila Grodd. Mas a minissérie dos Desafiadores do Desconhecido, que começou bem, não dá pra defender. Ela foi se enrolando em si mesma até não sobrar nada que a justificasse ou a tornasse inteligível para o leitor. Sabemos que existem perturbações na realidade causadas pela ausência de Darkseid e que nem a Liga nem os Desafiadores conseguiram fazer algo a respeito disso. Fora isso, a minissérie deixa irritantes pontas soltas. O que vale mais a pena nela toda é a arte de Sean Isaakse.

BLACK EMPERORS: BIKES VS. SK8S, DE DALTON CARA E MAGENTA KING

★ ★ ★

Eu me lembro que em uma Comic Con Experience passada, talvez numa das primeiras a que fui, este quadrinho era sensação; todos procuravam, todos queriam tê-lo e, se não me engano, no evento ele esgotou. Encontrei este quadrinho no sebo por um preço legal e resolvi lê-lo. Realmente o visual é muito legal, a produção gráfica ajuda muito a termos essa sensação. Já o roteiro lembra muito o formato mangá, mas com algumas cenas e um enredo que me dão a sensação de já ter me deparado com aqueles trechos antes. Algumas partes são um tanto fracionadas, e não sei se entendi realmente o que os autores queriam passar. Nada é muito explicado para o leitor. Ainda assim, é uma boa história em quadrinhos, principalmente por ser visualmente impactante, lembrando Paul Pope e Jeff Lemire.

DJELIYA: UMA FANTASIA ÉPICA AFRICANA, DE JUNI BA

★ ★ ★

Conheci o trabalho de Juni Ba, um quadrinista africano megatalentoso, na publicação de Robin: The Boy Wonder, que ele fez para a linha Black Label da DC Comics. Achei o trabalho incrivelmente bonito e envolvente na sua narrativa. Assim, quando me deparei com este Djeliya: Uma Fantasia Épica Africana, fiquei com vontade de lê-lo. Assim, me deparei novamente com uma narrativa cheia de clima e atmosfera desenvolvida pela possibilidade de se navegar por diversas formas diferentes de se contar uma página de história em quadrinhos que Juni Ba utiliza. Um verdadeiro deleite visual e de organização de layout. A história, no entanto, não me encantou da mesma forma, me parecendo fragmentada demais, em partes em que eu realmente não entendia o que estava acontecendo. Então, entre o visual impactante e a história que não entendi por completo, fico com o visual impactante.

MISTER NO ESPECIAL: COLONESSE, DE MARCO DEL FREO, LUIGI MIGNACCO E EUGÊNIO COLONESSE

★ ★ ★

As duas histórias presentes neste Especial, publicado pela Tábula Editora, foram as últimas histórias que o autor ítalo-brasileiro Eugenio Colonesse produziu para a Sergio Bonelli Editore. O rompimento com a editora está relacionado a uma discussão sobre o desenho de um modelo de avião, já que, nesta história, Mr. No precisa abandonar seu velho companheiro aeromotor Piper. Falando sobre as histórias em si, gostei muito da primeira parte, em que Mister No descobre uma civilização amazônica no meio de uma cratera vulcânica extinta. No entanto, a segunda história, que dá continuidade à primeira, não me encantou tanto, a trama acaba relacionando-se mais sobre a mesquinhez e a luta de interesses relacionados aos caraíbas tentando se apossar violentamente daquelas terras e tendo apenas Mister No para interpor-lhes. Ainda assim, é um belo resgate de material realizado pela Tábula Editora, que permanecia inédito no Brasil.

BATMAN, VOLUME 7, DE MATT FRACTION, JORGE JIMENEZ, TOM TAYLOR, LEE GARBET

★ ★ ★

Esta edição traz o primeiro número de Batman escrito por Matt Fraction, que foi muito celebrado lá fora. Traz diversas modificações estéticas no Batman, como seu novo uniforme e traquitanas como o Batmóvel. Também temos um Alfred holográfico e a Mansão Pennyworth. Temos o legado de Cavaleiro das Trevas, com as inserções audiovisuais e uma gangue de gênero indefinido atacando mulheres. Mas a parte mais interessante é a relação que Batman e o Crocodilo travam entre si, falando de mudanças que ocorreram com eles. Somente esse diálogo já valeu ter lido a edição. A arte de Jorge Jiménez é muito boa, mas é perceptível a influência do traço de Dan Mora nessa construção. Por outro lado, a edição de Detective Comics, de Tom Taylor e Lee Garbett, não é tão fluida e agradável de ler como Batman. A narrativa foca no detetive Bullock investigando um antigo companheiro da polícia e, no fim, Batman se vê surpreso ao resgatar um velho inimigo. Vou acompanhar o primeiro arco das duas atrações nesta revista mix e, se gostar, continuo, se não, você já sabe.

X-MEN 2099, VOLUME 3: O TEATRO DA DOR, DE JOHN FRANCIS MOORE, RON LIM, IAN EDGINTON, BROTHERS HILDEBRANT, STEVE PUGH, JIM CALAFIORE

★ ★ ★

No terceiro volume de X-Men 2099 somos apresentados ao Teatro da Dor, que envolve Xi’An, o líder fundador da equipe futurista de mutantes, que está sendo manipulado por essa organização. Enquanto tentam tirar seu líder dessa influência, os Estados Unidos caem sob o domínio de Destino 2099. Este encadernado poderia ser dividido em três partes. A segunda parte conta com o Especial de X-Men 2099 com pequenas histórias e com a graphic novel Oásis, desenhada pelos irmãos Hildebrandt, os mesmos de uma série famosa de cards da Marvel. Essa graphic novel, na minha opinião, é a melhor história deste encadernado capa dura. Na última parte, temos um arco interessante com o Ladrão de Túmulos e os Zumbis, emulando os X-Men 616, enquanto Morfina Somers é desafiado pelo novo governante dos Estados Unidos e, ao mesmo tempo, o refúgio de mutantes dos X-Men 2099, Halo City, é ameaçado.

AQUAMAN, VOLUME 1, DE JEREMY ADAMS, JOHN TIMMS, MICHAEL SHELFER, JEFERSON SADZYNSKI

★ ★ ★ ★

Eu gostei muito do que Jeremy Adams fez com o Flash. Já o Lanterna Verde que ele escreveu não me agradou a ponto de eu continuar acompanhando. Aqui em Aquaman, é um meio-termo entre as duas primeiras. Isso porque logo no começo a Atlântida é perdida e todos estamos cansados desse plot de destruir, perder, ameaçar a cidade submersa. Mas o que vem depois é bem aventuresco e agradável, acompanhando Arthur Curry em uma jornada para salvar seus entes queridos perdidos ao lado de figuras como o mago Arion, a feiticeira Vivienne e o Capitão Nemo. É um quadrinho para ler descompromissadamente, quase um ponto zero do Aquaman. Mesmo assim, eu queria ter visto mais dos personagens coadjuvantes da mitologia do Aquaman. Ah, sim, nesta fase Arthur está com os poderes de manipulação de água que, de alguma forma, na série Aquamen, ele herdou de Mera. Essa última série foi deixada de lado no Brasil pela Panini™.

PODEROSA, VOLUME 4, DE LEAH WILLIAMS, ADRIANA MELO E DAVID BALDEÓN

★ ★ ★ ★

Depois de um volume três de Poderosa meio chatinho e que saiu aos trancos e barrancos, Leah Williams volta à carga com o último volume das histórias solo da personagem até aqui. Ela vem acompanhada da brasileira Adriana Melo e do espanhol David Baldeón nos desenhos. Juntos, eles contam dois relatos. O primeiro é a trajetória de Ejecta, uma nova heroína que surge em Metrópolis, mas que tem a ver mesmo com o passado recente de Karen Starr, ou melhor, de Paige. Porque essas duas personalidades também acabam se enfrentando nesta edição. Enquanto Poderosa, Sina, Natasha Irons e a novata Mariposa, além do asgardiano Alex, se preparam para a festa de lançamento do novo prédio do Estrela, um trio de elementais os ataca. Gostei bastante desse encadernado e me empolgo tanto quanto parte do primeiro e do segundo volume fez. Uma pena que a série da Poderosa foi descontinuada lá nos Estados Unidos.

O ABRIGO DOS ANIMAIS, DE TOM KING E PETER GROSS

★ ★ ★ ★

O Abrigo dos Animais, escrito por Tom King e desenhado por Peter Gross, guarda certa semelhança com WE3, de Grant Morrison e Frank Quitely, afinal, as três espécies animais são as mesmas: cão, gato e coelho. No entanto, King diz que quer, com O Abrigo dos Animais, desenvolver uma obra-prima contemporânea tal qual foi A Revolução dos Bichos, de George Orwell, para a sua época. Embora o quadrinho tenha lá seus arroubos criativos, como a forma como os animais domésticos se sustentam sozinhos, está bem longe de ser a incrível crítica política do livro agora chamado A Fazenda dos Animais. Aqui, a crítica fica muito implícita e minguada, nem todos captarão a ironia da história e nem suas analogias. Outra coisa a ser mencionada é que provavelmente O Abrigo dos Animais tenha sido adaptado de uma história em prosa de King, dado o enorme volume de texto e as imagens que não complementam o que o texto diz, nem o contradizem, nem fazem diferença na trama inteira. Existem adaptações literárias mais ricas nesse quesito. Então, apesar de ser uma boa história, ela não precisava ter sido produzida em quadrinhos.

MARJORIE FINNEGAN: A LADRA DO TEMPO, DE GARTH ENNIS, GORAN SUDZUKA E MIROSLAV MRVA

★ ★ ★ ★

Se ao ler Happy! eu achava que esse era um quadrinho escrito por Garth Ennis, mas, na verdade, era de Grant Morrison. Ao ler Marjorie Finnegan, me senti lendo um quadrinho de Grant Morrison que, na verdade, era de Garth Ennis. Então, posso dizer com segurança que este é um dos quadrinhos mais divertidos e sem pé nem cabeça, mas com um certo rigor, que já li feitos por Garth Ennis. É uma aventura divertida e bastante descompromissada que tem a ver com o espaço-tempo sendo bagunçado por uma das irmãs Finnegan e tentando ser reordenado por outra. Aqui, a arte de Goran Sudzuka lembra bastante a de bastiões da comicidade nos comics, como Amanda Conner e Kevin Maguire, mais um sinal de que não devemos levar este quadrinho a sério demais, mas nos divertir com ele. Eu consegui me divertir muito e, aliás, talvez seja um dos quadrinhos de Ennis que mais me fizeram divertir em vez de me sentir mal, como faz a maioria das obras de Ennis. Então, recomendo fortemente Marjorie Finnegan: A Ladra do Tempo.

SEM ALMA, VOLUME 1, DE LUCA ENOCH, STEFANNO VIETTI, MARIO ALBERTI, IVAN CALCATERRA

★ ★ ★ ★

Para começar, preciso dizer que Sem Alma lembra muito mais os álbuns de luxo em estilo europeu do que uma série regular da Bonelli. Na versão brasileira da Mythos Editora, optou-se por incluir duas histórias por edição. Sem Alma conta a trajetória de Ian antes de ele se tornar o Dragonero, trabalhando para a companhia de mercenários, conhecida como os Sem Alma. O leitor que tiver acesso a essa edição e às histórias dos Sem Alma vai perceber que elas são muito mais violentas, pesadas e sensuais do que as apresentadas em Dragonero. Acabam se tornando uma série de fantasia medieval dirigida a adultos. Gostei da ousadia, e ela funciona muito bem principalmente na primeira história da série. A segunda achei sensacionalista demais, mas não o suficiente para abandonar a vontade de continuar acompanhando a publicação. Nas narrativas percebemos como Ian é nobre e ingênuo perto dos calejados, amargurados, recalcados e violentos membros dos Sem Alma, talvez ecoando o quanto a alma deles já foi perdida na guerra que lutam por dinheiro.

CONAN, O BÁRBARO, VOLUME 11, DE JIM ZUB E JONAS SCHARF

★ ★ ★ ★

Eu tinha começado a ler Conan, o Bárbaro, produzido pela editora Titan, mas logo em seguida abandonei a série mensal. Resolvi retornar ao gibi agora, neste número onze, porque a PaniniTM incluiu em seu mix uma minissérie chamada A Batalha da Pedra Negra. Nestas histórias, diversos personagens criados por Robert Howard, como Conan, Solomon Kane e Dark Agnes, são assombrados por um símbolo e acabam reunidos na mesma frequência temporal por esse mesmo artefato. Gostei bastante da proposta da minissérie (um tanto parecida com outra que a Marvel fez anteriormente), porque foi bem realizada, dando até mesmo uma sensação de horror cósmico nesta trama. Os desenhos de Jonas Scharf garantem ao roteiro de Jim Zub a escuridão e a seriedade que são necessárias num quadrinho como este. Agora é procurar pela segunda e última parte.

EXCEPCIONAIS X-MEN, VOLUME 6, DE EVE L. EWING, CARMEN CARNERO, MARK RUSSELL, BOB QUINN

★ ★ ★ ★

Mais uma edição gostosinha de ler de Excepcionais X-Men, que continua aprofundando e desenvolvendo as relações entre os personagens novos que Kitty está mentorando e os professores, que, além dela, incluem Emma Frost e Bobby Drake. Nesta edição, o foco está em Axo, o mutante hispânico capaz de controlar o espectro emocional dos seres sensientes. Também ficamos sabendo mais sobre o mutante que quer adquirir amostras de DNA das pessoas para tornar sua vida menos pesada. Mas será que suas intenções são boas? Em X-Factor acompanhamos uma debandada de pelo menos dois membros: Frenesi e Destrutor. Este último fica sabendo mais sobre como sua amada Polaris foi salva do X-Term. As histórias do X-Factor estão longe de serem sensacionais como eram as de Peter David, mas também não são ofensivas nem ruins. É um mix bem agradável de se acompanhar nesta revista mutante.

PEQUENO MANUAL DE DEFESA PESSOAL, DE HELÔ D’ANGELO

★ ★ ★ ★ ★

Que quadrinho legal esse da Helô D’Angelo! Ele segue muito a mesma pegada de Nos Olhos de Quem Vê, só que em vez de falar sobre a aparência feminina, traz dicas práticas para quem precisa se defender na rua. A perspectiva que o quadrinho toma aqui também é interessante: ela foca nas populações precarizadas, ou seja, aquelas que estão mais propícias a serem atacadas em qualquer lugar. Nessa categoria estão mulheres, pessoas negras e queer, por exemplo. Helô até traz um conceito que achei sensacional sobre o desmaio de consciência que temos quando nós, minorias, somos atacados fisicamente ou simbolicamente. Quando somos injuriados ou chamados a um desafio físico, tudo apaga e não sabemos como agir, ficamos então à mercê de nossos algozes. Este minimanual de defesa pessoal vai ensinar a melhor forma de reagir a esses ataques covardes. O manual é muito alto-astral e eu consegui dar altas gargalhadas em pelo menos duas situações nesta leitura. A HQ é bastante informativa, e a visualidade infografada, aliada ao formato jornalístico que a Helô imprime, nos ajuda a desenvolver uma leitura leve sobre um problema complexo. Defenda-se!

Era isso por ora, galerinha!
Abram seus miolos!
T+!

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