A capa da vez é a de Fantastic Five #1 (outubro de 1999) que apresenta uma versão futura do Quarteto Fantástico, no universo MC2, o mesmo que faz parte May Parker, a Garota-Aranha, filha do Homem-Aranha. Esse quinteto serve para fazer uma alusão ao quinteto de quadrinhos que foi avaliado com cinco estrelas nesta edição de DeSmeeOLado. No final desta Newsletter, algumas notícias boas, e peço a ajuda de vocês, entusiastas desta publicação, a me ajudarem com algumas coisinhas. Agora vamos para as avaliações e reviews!
A TONALIDADE DO PENSAMENTO, DE BYUNG-CHUL HAN
★ ★
Quem acompanha meus reviews sabe que eu gosto muito dos livros de Byung-Chul Han e que tenho lido quase todos eles. Mas este aqui não me fisgou, muito pelo contrário, me afastou. Talvez pela forma como foi traduzido e apresentado aqui, ou por ser baseado em três palestras que o filósofo teuto-coreano fez em Portugal, me pareceu uma colcha de retalhos de outros livros dele. Além disso, o título “A Tonalidade do Pensamento” que eu achava que se referia ao sentido da visão, na verdade, se refere ao sentido da audição, se refere à forma como ouvimos e produzimos sons e música. Na verdade, de novo este livro só tem o finalzinho, quando Han acrescenta mais pensamentos sobre a sua obra sobre a esperança, uma das mais recentes a serem lançadas no Brasil. O formato do livro também difere daqueles que a Vozes lançou aqui, que são pocket, esse aqui enche linguiça com páginas em preto e com fotografias da palestra. Como se pode perceber, diferente da maioria dos livros do autor, esse foi o meu despreferido.
NOVELAS, ESPELHO DA MÁGICO DA VIDA: QUANDO A REALIDADE SE CONFUNDE COM O ESPETÁCULO, DE SOLENI BISCOUTO FRESSATO
★ ★ ★
Quando comprei este livro pela Amazon, achei que as novelas que seriam abordadas nesta análise seriam produtos das décadas de 1980 e 1990, quando realmente elas estiveram mais em voga e os meios de comunicação de massa estavam na ordem do dia. Tive uma surpresa quando vi que produções mais contemporâneas como Império, Velho Chico, Amor de Mãe e Terra e Paixão eram citadas no livro. Não apenas citadas, capítulos eram dedicados a elas, envolvendo as mais diversas temáticas. Sempre o livro é guiado pela dicotomia entre a vida apresentada como uma realidade crua e outros momentos como algo espetacular, o que tem muito a ver com a tradição do melodrama latino-americano. Na minha opinião, o que deixa o livro menos forte é essa divisão em temas, se a autora tivesse se focado mais no tema da duplicidade entre realidade e espetáculo e menos nos temas mais diversos, acredito que o resultado seria mais potente. De toda forma, é um belo livro contemporâneo sobre análise de novelas, algo que é sempre muito bem-vindo.
MANIFESTO SAMPLER: INVASORES DE CORPOS, DE FREDERICO COELHO E MAURO GASPAR
★ ★ ★
Numa das minhas flanagens pelas livrarias (acredito que foi pela Livraria Paisagem) me deparei com esse livro pequeninho e carinho. O que me chamou a atenção foi o subtítulo “invasores de corpos” e o “manifesto” no título. Invasores de corpos, antes que você pense, não me remeteu a zumbis, mas aos invasores de textos da teoria da cultura de fãs de Henry Jenkins, que é muito parecido com o que o manifesto sampler prega. O livro é dividido em duas partes, a primeira é do manifesto em si, que não explica o que é samplear (quem explica é um texto de IA no fim do livro, a IA também sampleia). A primeira parte é a mais interessante do livro. Já a segunda parte traz alguns exemplos de sampleamento de textos realizados pelos autores do livro. Esses eu já não gostei tanto. A experiência teria sido melhor se o valor do livro não fosse tão salgado, dando a sensação de que faltou algo para compensar o que desembolsei.
A MULHER E O DESEJO: PARA ALÉM DA VONTADE DE SER DESEJADA, DE POLLY YOUNG-EISENDRATH
★ ★ ★
Apesar deste livro entrar na linha daqueles trabalhos que se apoiam na psicologia e filosofia junguiana dos arquétipos, ele não é tão esotérico quanto a maioria dos livros que seguem por esse mesmo caminho. A tese de Polly Young-Eisendrath se apoia na ideia de que os homens desejam alguém que seja submisso a eles, enquanto que o desejo das mulheres se liga à liberdade e à emancipação. Para isso ela traz a lenda de Parsival que lida com a forma de desejar das mulheres, diferente dos homens. Uma boa tese, mas eu me pergunto sempre sobre essas ideias arquetípicas para os gêneros onde ficam as pessoas queer, as pessoas trans, homossexuais e não-binárias. Não seria uma ideia defasada dividir a sociedade em apenas dois lados? Assim, a autora traça mais quatro histórias orais para explicar o desejo feminino em diversas instâncias como o lar, o sexo e o trabalho. Conforme o livro avança, vai ficando menos interessante e trazendo mais obviedades ou sensos comuns. De toda forma, ter sido apresentado a essa interpretação da lenda de Parsival valeu a compra do livro.
PEQUENOS HERÓIS MARVEL, VOLUME 11, DE DANIEL KIBBLESMITH, TY TEMPLETON, MARIO DEL PENNINO, LEAH WILLIAMS, ARIANNA FLOREAN, JOE CARAMAGNA
★ ★
Como vocês sabem, tenho comprado essa linha dos Pequenos Heróis Marvel para o meu afilhado (caham!). Mas primeiro elas passam por mim para inspecionar (caham!). Depois de apresentar as histórias de Chris Giarusso e Skottie Young para os cabeçudinhos da Marvel, o título está trazendo um mix de especiais de uma linha já extinta da Casa das Ideias com foco em crianças. Aqui nesta edição de número 11 (chegando longe, né?), as melhores histórias são as escritas por Daniel Kibblesmith e são histórias boas mesmo envolvendo o Homem-Aranha e seus companheiros do Aranhaverso. Já aquelas escritas por outras pessoas, como Leah Williams, numa história boba sobre um influencer ou ainda sobre uma invasão de Gigantes de Gelo na Torre dos Vingadores, são chatas de doer. Mas talvez uma criança possa curtir mais.
DEADPOOL, VOLUME 8, DE CODY ZIGLAR, ROGÊ ANTONIO E ROB LIEFELD
★ ★
Vamos começar pela parte de Grandes Encontros do Deadpool, escrita e desenhada por Rob Liefeld. Uma história que começou legal virou apenas porradaria entre Deadpool, Wolverine, Crystar e Hulk, além do Matador de Dragões. Ou seja, Liefeld fazendo uma barriga na história para ela poder caber em cinco edições. Já na história principal do Deadpool, ele enfrenta Solem, um inimigo da galeria de vilões de Wolverine, que também aparece nesta história. Os dois disputam a espada Muramasa, que está de posse de Solem e é uma das formas que Deadpool pode enfrentar o Garra da Morte, que anteriormente conseguiu matá-lo. Nenhuma das duas histórias é muito interessante, principalmente tendo em vista que em edições anteriores as duas atrações foram mais divertidas. Mas vamos ver o que o futuro reserva para o mix desta revista.
ABSALOM: OS FANTASMAS DE LONDRES E OUTRAS HISTÓRIAS, DE GORDON RENNIE E TIERNEN TREVALLION
★ ★
Ultimamente não tenho me dado bem ou tido sorte com as publicações do catálogo da Mythos Editora. Absalom: Os Fantasmas de Londres e Outras Histórias parecia promissor por ser uma série da Rebellion, editora da 2000 AD, e escrita por Gordon Rennie, responsável por bons roteiros em diversas séries da editora. Mas Absalom não me cativou. Trata de um velho investigador do sobrenatural que perdeu sua família para as hordas do inferno, algo que vem o assombrando por anos. Até que uma nova cadete na linha de frente do combate a essas forças do além o convence de que ainda pode recuperá-los. Mas os roteiros, na minha opinião, ficam aquém dos demais que li de Rennie e a arte em preto e branco também não me motivou. A edição também usa de uma gramatura mais leve e porosa do papel couchê que parecia que eu estava lendo uma edição de revista semanal em brochura. Uma pena.
CZAR ACIDENTAL: A VIDA E AS MENTIRAS DE VLADIMIR PUTIN, DE ANDREW S. WEISS E BOX BROWN
★ ★ ★
Eu gosto muito do trabalho jornalístico-documental de Box Brown. Já li todos os trabalhos dele publicados no Brasil e faltava somente este, que é uma parceria com outro autor, Andrew S. Weiss, especialista em Rússia. Acho que é o único quadrinho em parceria que Brown fez. Nota-se no texto que é muito menos fluido do que aquele que encontramos nos demais trabalhos do autor. O tema é pesado, mas combina bem com a forma como Brown delineia a narrativa em quadrinhos. Por outro lado, o texto de Weiss é cansativo porque há muitas informações para o leitor acompanhar em pouco tempo de quadrinho. Talvez um recorte da vida de Putin fosse mais proveitoso para quem lê. Por exemplo, eu gostei muito mais das partes históricas sobre a constituição do povo russo do que das que explicam as motivações e alianças de Putin. Mas entendo que elas poderiam ser retiradas para uma fluidez maior da obra. Também verifiquei as avaliações gerais dessa publicação e percebi que é a menos favorita daquelas feitas por Brown, então talvez isso também justifique minha pouca empolgação com ela.
MARTIN MYSTÈRE, VOLUME 2, DE ALBERTO CATELLI, ANGELO MARIA RICCI, FRANCO BIGNOTTI, GAETANO E GASPARE CASSARO
★ ★ ★
As histórias do Martin Mystère me encantam pelos seus temas relacionados com os grandes mistérios da humanidade. Neste segundo volume trazido de volta ao Brasil pela Editora 85, começamos com um arco de duas partes envolvendo o mistério do sumiço dos homens de Neanderthal, dos quais o guarda-costas de Martin, Java, faz parte. Em seguida, outro mistério que também é uma grande lenda difundida aos quatro ventos: a busca pela fonte da juventude. As duas últimas partes deste encadernado de cinco partes trazem uma interrogação que persegue a humanidade desde o século XIX que é a fama do Triângulo das Bermudas de atrair embarcações e aeronaves para o desconhecido. No entanto, achei que o primeiro volume de Martin Mystère saiu-se melhor em deixar o leitor com uma pulga atrás da orelha em relação aos mistérios que trata. De toda forma, quero acompanhar a série e estou curioso para saber mais sobre e ler as próximas investigações do arqueólogo do impossível.
COWBOY BEBOP: SUPERNOVA SWING, DE DAN WATTERS E LAMAR MATHURIN
★ ★ ★
Não conheço muito do universo e da mitologia do Cowboy Bebop para entender completamente este quadrinho, editado originalmente pela Titan Books e, aqui no Brasil, pela CyberPulp Comix. O nome do roteirista chama a atenção, porque já li vários trabalhos de Dan Watters de que gostei bastante. Aqui ele usa de sua verve para criar um planeta em que a composição atmosférica faz com que seus habitantes permaneçam em um estado que beira o entorpecimento. Por isso, não existem brigas e nem guerras por lá, todos vivendo como se fossem uma galera hippie de Woodstock. Essa foi a edição de que mais gostei da trama, que gira em torno da busca por um colete cósmico que garante sorte ilimitada para quem o veste. Assim, os cowboys e outros caçadores de recompensa partem atrás dele. Os desenhos são bem diferentes do que estamos acostumados nos comics e as cores são impactantes, bastante relacionadas com a série live action de Cowboy Bebop.
JENNY SPARKS, DE TOM KING E JEFF SPOKES
★ ★ ★
O Capitão Átomo enlouquece e resolve colocar cinco reféns em um bar e exterminá-los se suas exigências de se tornar um ser divino não forem atendidas. A trindade de super-heróis do Universo DC envia Jenny Sparks, o espírito do século XX, para detê-lo. Com exceção de flashbacks, a história se passa toda no bar, ao estilo Contos de Canterbury, Noites na Taverna e o arco Fins dos Mundos de Sandman. A personalidade de Jenny Sparks é bem trabalhada aqui por Tom King e os desenhos de Jeff Spokes são muito bons. No entanto, todo o resto é meio confuso. King não parece saber se está lidando com o Capitão Átomo ou com o que sabemos sobre o Dr. Manhattan de Watchmen, que foi baseado naquele personagem. Alguns dos cinco reféns colocados no bar não têm muita serventia para a narrativa, principalmente depois da virada final. Então, no fim das contas, Jenny Sparks não é o quadrinho de reinvenção mais legal de Tom King, talvez um dos mais confusos, na verdade. E quando King quer ser confuso, acredite que ele será.
MEU AMIGO MORTO, DE SIMON GÄRDENFORS
★ ★ ★ ★
Esta HQ foi indicada pela Helô D’Angelo como um bom exemplo de quadrinho autobiográfico. Ela foi desenvolvida pelo autor sueco Simon Gardenfors e trata sobre a relação que ele travou com seu amigo Kalle. Ele se divide em sua relação com o amigo antes da morte, durante o processo de luto e anos depois do acontecido. A relação dele com o amigo é uma amizade estranha bem ao estilo daquela comumente travada entre homens cisheterossexuais, mas é como eles conseguem travar essas amizades. Os dois amigos parecem dois panacas idiotas adolescentes. Com o amadurecimento, então, o autor percebe o quanto a amizade e a morte do amigo o afetaram e passa a fazer terapia. O quadrinho tem forte influência de Chris Ware, mas traz uma narrativa menos complexa. Vale destacar o trabalho de design gráfico feito por Simon Garndenfors página a página, o que deixa o quadrinho mais interessante a cada virada e mais bonito também.
OS FABULOSOS X-MEN, VOLUME 9, DE JED MACKAY, NETHO DIAZ, GAIL SIMONE E ANDREI BRESSAN
★ ★ ★ ★
Esta edição traz um diálogo do Ciclope com o comandante das forças da UNI, que sequestraram e torturaram o Fera. Toda essa edição se passa ao redor desse diálogo de Scott Summers que é, ao mesmo tempo, um blefe, uma ameaça e um pedido de cuidado. Ele cita tanto a política antiterrorismo de George W. Bush como Shakespeare. Acredito que esta tenha sido uma das melhores edições desta fase, Jed MacKay estava bastante inspirado quando a desenvolveu. Já a história de Uncanny X-Men não foi tão boa assim, mas também não foi ruim. Trouxe a estreia do brasileiro Andrei Bressan no título. Contudo, a arte dele não funcionou com os diálogos imensos dessa edição. Nesta edição, Trask solta os cachorros (literalmente cachorros-sentinelas) nos jovens mutantes que a equipe de Vampira vem tutorando. Ao mesmo tempo, Vampira delega um de seus colegas como tutores desses novos personagens. Uma edição bem legal de Os Fabulosos X-Men.
OS SACRIFICADOS, VOLUME 1, DE RICK REMENDER E MAX FIUMARA
★ ★ ★ ★
Rick Remender não é dos meus roteiristas preferidos, mas preciso reconhecer que ele faz um trabalho muito melhor quando cuida de seus projetos independentes do que quando trabalha para uma corporação como a Marvel. A prova disso está neste Os Sacrificados, que acompanha um mundo paradisíaco, mas que precisa sacrificar jovens rebentos para que tudo isso se mantenha. Junte a isso uma princesa rebelde e um elixir milagroso, então temos a base de toda essa trama. Dei uma chance a mais para o Remender e gostei mesmo de acompanhar Os Sacrificados. É uma mistura de diversas narrativas familiares que já vimos em algum lugar e essa mistura gera algo novo, que é a faísca que acende a intensidade desta publicação. Foi uma jornada bastante gratificante pelo volume um desta história, vamos ver quando a PaniniTM programa o segundo volume para sair no Brasil.
VIDAS SECAS, DE GRACILIANO RAMOS, JOSÉ AGUIAR E FERNANDA BAUKAT
★ ★ ★ ★
Mais uma vez somos brindados com a arte incrível de José Aguiar e a forma como ele, ao lado de Fernanda Baukat, conseguriam traduzir em forma de histórias em quadrinhos a obra-prima de Graciliano Ramos, Vidas Secas. O que me chamou mais atenção foi a narrativa em quadrinhos. Nem tanto a arte, nem tanto o texto, do qual falarei depois. Mas as escolhas do que mostrar e como mostrar dentro desta adaptação. Falando de texto, entendo que os autores quiseram ser mais fiéis possíveis ao estilo de Graciliano Ramos, mas acredito que acabou pesando na forma. Essa sensação ocorre pelo texto original de Vidas Secas ser datado de quase cem anos atrás. Dentro de uma publicação que pretende atingir novos públicos, ele poderia ser ainda mais suavizado e ainda mais modernizado. Lá pelas tantas a gente se acostuma com ele, mas no começo gera um belo de um estranhamento. Mesmo assim não deixo de recomendar a obra como um belo trabalho de adaptação literária para as histórias em quadrinhos.
HERA VENENOSA: O CICLO DA VIDA E DA MORTE, DE AMY CHU, CLAY MANN, STEPHEN SEGOVIA, ROBSON ROCHA, JULIO FERREIRA, ETHAN VAN SCIEVER, AL BARRIONUEVO E CLIFF RICHARDS
★ ★ ★ ★
Li algumas edições dessa coleção italiana da PaniniTM com os inimigos do Batman como temática, mas não tinha gostado de nenhuma delas até que me deparei com essa da Hera Venenosa. Nesta trama, vários colegas de trabalho e pesquisa de Pamela Isley são assassinados por um matador serial e todas as pistas apontam para a própria Hera Venenosa. Mas o intuito de Pamela é outro, e se quiser provar sua inocência, precisará desbaratar esses crimes antes da polícia. O roteiro e os diálogos de Amy Chu são bastante envolventes, trazendo relações e relacionamentos entre os personagens que nos cativam. Os desenhos, no entanto, sofrem com a rotatividade dos encarregados de fazerem o fill-in de Clay Mann. Se eu não tinha gostado dos volumes do Morcego-Humano e da Mulher-Gato, este aqui, da Hera Venenosa, foi uma grata surpresa. Espero me surpreender mais.
INVENCÍVEL, VOLUME 10: QUEM É O CHEFE?, DE ROBERT KIRKMAN E RYAN OTTLEY
★ ★ ★ ★
Depois de enfrentar seu pai, o Omni-Man, que queria dominar a Terra para os alienígenas viltrumitas, o Invencível, Mark Grayson, teve de confrontar outra figura paterna: o líder da Agência de Defesa Global, Cecil Stedman. O estrategista havia contratado um cientista maluco para criar Reani-Men, homens biônicos baseados em corpos mortos de vivos de pessoas. Uma das primeiras vítimas desse cientista tinha sido um amigo próximo de Mark, que não gostou nada de ver essa tecnologia sendo usada pelo governo dos Estados Unidos. Ele partiu para a desforra, enfrentou o exército de Reani-men e Cecil com uma fúria jamais vista e se desligou da Agência de Defesa Global. Este foi mais um ótimo volume dessa experiência que tem sido acompanhar as aventuras de Invencível. Nunca foi ruim ler nenhum volume dessa série.
ABSOLUTE MULHER-MARAVILHA, VOLUME 3, DE KELLY THOMPSON, HAYDEN SHERMAN E MATTIA DE IULLIS
★ ★ ★ ★
Temos mais uma edição muito boa de Absolute Mulher-Maravilha, agora encerrando o primeiro arco e iniciando um segundo, mais curto. Talvez o que mais me fascine nesta versão alternativa da princesa Diana seja a presença da feiticeira Circe como presença materna e o fato de que a Mulher-Maravilha é uma bruxa. Ao tratar o feminino poderoso como bruxa, algo a ser perseguido, caçado e exterminado, existem muitíssimas camadas a serem exploradas. O segundo arco leva a Mulher-Maravilha de volta ao Inferno, onde se depara com seu senhor, Hades, e aprendemos mais sobre os outros laços coloridos que a personagem carrega, um pouco de sua origem, poderes e destino. Vale dizer que este novo arco não conta com os incríveis desenhos de Hayden Sherman, mas com a arte de Matia de Iullis, que não decepciona no seu encargo. Poderia dizer que o início do novo arco está mais interessante que o fechamento do arco antigo. Vamos ver na próxima edição.
QUARTETO FANTÁSTICO: EDIÇÃO DEFINITIVA, VOLUME 2, DE STAN LEE E JACK KIRBY
★ ★ ★ ★
Eu tinha gostado pra valer da primeira Edição Definitiva do Quarteto Fantástico, que apresentava conceitos, personagens, um mundo inteiramente novo, além de desenvolver a relação entre os membros da família fantástica como algo disfuncional. Este segundo volume, no entanto, não me empolgou tanto. Começou a parecer mais como são os quadrinhos de super-heróis tradicionais. Os vilões acabam retornando ainda mais frequentemente do que o normal. Somente o Doutor Destino e o Namor devem aparecer em cinco edições cada neste encadernado, que contém vinte histórias. Claro que também tem seus momentos, como o Universo compartilhado da Marvel se desenvolvendo com X-Men e Vingadores dando as caras, ou os personagens como a Criança-Problema e o Diablo fazendo suas primeiras aparições. Mas enquanto o primeiro volume foi tranquilo de ler, neste segundo eu tive que dar uma bela remadinha pra poder concluí-lo.
ABSOLUTE CAÇADOR DE MARTE, VOLUME 2, DE DENIZ CAMP E JAVIER RODRÍGUEZ
★ ★ ★ ★ ★
“Nessa onda de calor, eu até peguei uma cor, estou com o corpo todo bronzeado...”, em ritmo de Maria Rita começamos esse review porque o plot da onda de calor na cidade continua em Absolute Caçador de Marte. Enquanto o policial John Jones ajuda a combater os focos de incêndio criminosos na cidade, ele percebe que foram provocados por várias pessoas que assumiram uma vontade irrefreável de colocar fogo em tudo. Segundo o Marciano, isso foi provocado por seu antagonista, o Marciano Branco. Se aprofundam e se racham ainda mais as relações familiares no núcleo do Jones e conhecemos mais as motivações do parceiro de trabalho de John. A arte continua espetacular junto com as cores berrantes que caracterizam o trabalho de Rodriguez, mas dessa vez achei que o quadrinho foi um pouco menos impactante que a primeira edição. Os motivos são óbvios: quando entramos em contato com uma coisa nova pela primeira vez, somos mais arrebatados por ela. Dito isso, o nível de qualidade dessa revista em quadrinhos continua muito alto.
O DESTINO DE PATINHAS, DE FABIO CELONI
★ ★ ★ ★ ★
Acredito que este foi o melhor quadrinho do Tio Patinhas que já li (não que eu tenha lido muitos). A história é incrivelmente aventuresca, com paragens e personagens exóticos; a trama é envolvente sem deixar de lado a caracterização dos personagens e suas motivações, apresentando Donald, os sobrinhos e o Tio Patinhas sem perder quem eles são para o leitor. O traço de Fabio Celoni e as cores de Merli são dinâmicos e contemporâneos, então não são como a maioria dos celebrados quadrinhos Disney que têm marcas do tempo. A história conta como, depois de perder toda sua fortuna (em As Lentilhas da Babilônia), o Tio Patinhas passa a ser assombrado e é desafiado a recuperar seu patrimônio financeiro para não perder as suas memórias. Então, essa história de cinco partes e duzentas páginas nos leva dos céus às profundezas da Terra, do espaço sideral a outros recônditos perdidos do planeta. Um quadrinho ótimo de ler e de se deslumbrar.
BLEFE MORTAL, DE RICK VEITCH
★ ★ ★ ★ ★
Rick Veitch é um dos celebrados autores que passaram pelo Monstro do Pântano. Em Blafe Mortal ele traz sua incursão no universo do faroeste, e o resultado é muito bom. Primeiro, porque a narrativa traz diversos plot twists. Quando pensamos que uma coisa está estabelecida, Veitch vem e bagunça com esse status. Mas também é preciso destacar o artifício do “panel vision” que o autor criou para esta e outras obras suas: toda a história em quadrinhos é contada apenas em um painel, ou uma splash page, como quiserem. Uma das definições de histórias em quadrinhos é a de painéis colocados lado a lado para criar a sensação de narrativa sequencial. Veitch extrapola esse conceito pensando esses painéis não como vizinhos na mesma página, mas como próximos dentro da mesma publicação. Por isso, acaba ao mesmo tempo trazendo um laboratório e uma revolução na experimentação da arte de narrar os quadrinhos. Mais do que isso, a história é empolgante e nos prende do começo ao final. Espero que a CyberPulp traga mais volumes da coleção “panel vision” de Veitch para o Brasil.
DORMINDO ENTRE CADÁVERES, DE LUÍS MOREIRA GONÇALVES E FELIPE PARUCCI
★ ★ ★ ★ ★
O médico português Luís Moreira Gonçalves se voluntaria para ajudar a combater o Covid-19 no estado de Rodônia, na região Norte do Brasil, local que foi um dos mais afetados pela pandemia do coronavírus. Depois de acompanhar os destinos mais escabrosos de pessoas que foram afetadas pelo vírus, tendo ele mesmo pego o vírus e dormido entre os cadáveres do necrotério de um hospital, resolveu contar sua experiência através de uma história em quadrinhos. Para isso, contou com a ajuda do artista Felipe Parucci, que quadrinizou seu relato, usando de uma narrativa regular de dois quadros por página e um estilo rabiscado e sem linhas concretas, talvez para emular a confusão e desordem que a pandemia causou na vida das pessoas no Brasil e ao redor do mundo. Dormindo entre Cadáveres é um relato contundente sobre a linha de frente nos hospitais brasileiros, espaços precários de saúde e o descaso do governo Bolsonaro com as pessoas afetadas pela doença. Um quadrinho que deveria servir de lição, se nosso povo não esquecesse tão fácil e levianamente das mazelas que passa e que passou.
DEVIANT - TERROR NO NATAL, DE JAMES TYNION IV E JOSHUA HIXSON
★ ★ ★ ★ ★
As pessoas que curtem true crime deveriam ir sem medo de serem felizes na leitura de Deviant: Terror no Natal, de James Tynion IV. O autor já tem minha simpatia por diversos trabalhos dele que me fizeram um leitor satisfeito, mas ele também é um autor queer, então, volta e meia ele consegue se esgueirar com esses temas aqui e ali. Só que em Deviant, ele não se esgueira, ele escancara, ele ajuda a aproximar a pulsão de amor com a pulsão de morte que somente as pessoas queer conseguem entender. Mais ainda, talvez por essa razão, alguns de nós sejam fascinados por essas histórias de terror e true crime. Aqui também entendemos a força da comunidade queer, quando um se reconhece no outro, seja para as coisas mais absurdas e nefastas, seja para um momento de estender a mão, de entendimento e compreensão. Tynion IV resolve isso muito bem, desenvolvendo um relacionamento gay de uma forma tão complexa e verdadeira, muito diferente do que se costuma ver nos quadrinhos mainstream. Por essa e todas as outras razões eu reverencio o esforço do autor nesta obra.
Então, quero falar sobre o quadrinho novo que está saindo esta semana. Ele se chama “O Oceano que Guardamos em Nós” e trata - mais uma vez - da relação entre um pai ex-boxeador e um filho, que é híbrido de humanos com uma espécie alienígena, que abduziu esse pai nos anos 1980. Ele conta a história da busca de equilíbrio realizada por esse filho ao se deparar com restos da presença alienígena na sua terra. Esse quadrinho ficou na gaveta por quase dez anos, eu e o Romi Carlos, o desenhista, desenvolvemos ele pro PROAC de 2018. Como faz parte de uma trilogia com Desastres Ambulantes (outra HQ que fizemos juntos) e uma HQ vindoura, fiquei receoso em publicá-la de forma independente. Mas agora, tomei coragem e, daqui a um tempo, devo produzir o roteiro da parte final. Todas elas podem ser lidas de forma que sejam entendidas por si mesmas. A capa do quadrinho conta com cores da premiada quadrinista Veronica Berta.
Outra novidade é que eu e a Marina Duarte continuamos pedindo seus votos para a premiação do Troféu Angelo Agostini. Você pode votar em
https://www.angeloagostini.com.br
. Nesta 42ª edição do prêmio estamos concorrendo nas seguintes categorias:
Quadrinho Independente
Fanzine
Melhor Desenhista
Melhor Roteirista
Melhor Letrista
Gostaria, então, de pedir que acesse o site e fizesse seus votos, de preferência na gente, nessas categorias.
Vai acontecer neste próximo final de semana, dos dias 15 a 17 de maio, na ONG Cirandar (Duque de Caxias, 1297 no Centro Histórico de Porto Alegre), a quarta edição do GibiTRI, uma feira de quadrinhos que também tem bate-papos e oficinas. E olha que legal: temos vários convidados especiais. Vinda de São Paulo, Helô D’Angelo vai autografar seu mais recente lançamento, pela Graphic MSP, Pipa: Voo. Vindos de Alpestre, no interior do Rio Grande do Sul, a dupla de quadrinistas pai e filha, Marcel e Marcelli Ibaldo, criadores das tirinhas da Tê Rex. E também Gustavo Duarte, da série Como Fazer Amigos, vai estar presente com seus mais recentes lançamentos, Cebolinha: Recuperação e Olívia no Mundo Invertido.
Por último, mas não menos importante, chegamos naquele momento de vales, de engasgo da nossa campanha do Catarse, do livro Marvel Made in Brazil. A tão temida metade da campanha que pouca gente apoia. Por isso pedimos sua contribuição para adquirir este livro feito especialmente para os fãs e curiosos sobre como a Marvel foi publicada no Brasil, trazendo aqueles materiais feitos exclusivamente em nosso país. Ajude e não deixe de apoiar em https://www.catarse.me/marvelmadeinbrazil
Era issom galela!
Abram seus milos!
T+!
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