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Entre Linhas com Deivis Chiodini · Jul 31, 2026

Entre Linhas — Edição #9

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Deivis Chiodini · Entre Linhas com Deivis Chiodini

A maré de azar dos 49ers não passa

Tem times que parecem carregar uma nuvem carregada em cima, e os 49ers da última temporada e meia se encaixam bem nisso. A sequência recente é de dar dó.

Começou fora de campo, do jeito mais assustador possível: Kyle Shanahan sofreu um acidente de carro sério, com nariz e costelas quebrados, mão fraturada, dezenas de pontos no rosto e uma concussão que o deixa limitado justamente na abertura do camp. É o cérebro da operação comprometido no pior momento.

Depois veio o gramado cobrar: Ricky Pearsall machucou o joelho de novo, mais um capítulo de uma carreira que não consegue deslanchar por causa do físico. E o jeito que San Francisco encontrou foi correr atrás de um velho conhecido, Deebo Samuel, para tapar o buraco no grupo de recebedores.

Nenhuma dessas coisas, isolada, seria o fim do mundo. Juntas, no espaço de poucas semanas, formam um quadro preocupante para um time que já vinha se equilibrando na corda bamba. A temporada dos Niners começa antes mesmo de começar, e não do jeito que eles gostariam.

Jalen Carter merece cada centavo

Jalen Carter se tornou o defensive tackle mais bem pago da história da NFL, com uma extensão de quatro anos e 152 milhões de dólares, média de 38 milhões por temporada e 106 milhões garantidos. Passou o Jeffery Simmons, que tinha assumido o topo poucas semanas antes. Ficou caro? Talvez. Mas vale.

Vamos ser honestos sobre o pacote completo. Carter tem uma personalidade controversa, com episódios que mancharam a imagem, incluindo a expulsão logo no primeiro jogo da temporada passada antes mesmo de uma jogada acontecer. Isso é real e não adianta varrer para baixo do tapete. Mas dentro das quatro linhas, quando está focado, ele é um destruidor de jogos.

Os números avançados não deixam dúvida. Na temporada de 2024, ele liderou os Eagles em pressões, com 45, além de 12 tackles para perda de jarda e 16 quarterback hits, tudo isso sendo constantemente dobrado pelos adversários. Ele joga contra dois bloqueadores na maioria dos snaps e ainda produz nesse nível. Numa liga em que o interior da linha defensiva nunca foi tão valorizado, pagar o topo do mercado por um jogador desses, com o melhor ainda por vir, é investimento, não gasto.

A temporada das greves

Chegou também a época dos ausentes por vontade própria. Jahmyr Gibbs e Bijan Robinson, dois dos running backs mais empolgantes da liga, estão sentados, esperando novos contratos antes de colocar o capacete.

E aqui vai a parte interessante. A pergunta que me fascina não é quando esses contratos vão sair, porque vão sair, isso é quase certo. É como eles vão ser estruturados. Porque a NFL tem mostrado um padrão curioso nos últimos anos: costuma acertar bem na estrutura dos contratos de jovens indo para o segundo vínculo, protegendo o time e recompensando o jogador de forma equilibrada.

Mas erra com frequência nos contratos de quem já vai para o terceiro, quando o desgaste começa a cobrar e o dinheiro garantido vira armadilha.

Gibbs e Bijan estão exatamente nesse primeiro grupo, o do segundo contrato de jogadores jovens e no auge. Se o padrão se mantiver, devem sair acordos bem montados. Mas running back é a posição mais traiçoeira de todas para se investir pesado. Veremos como as franquias vão desenhar isso.

QBs no estaleiro e o efeito dominó no camp

Duas situações de quarterback para acompanhar de perto. Tua Tagovailoa lida com uma lesão nas costas, e Michael Penix Jr. pode levar até quatro semanas para estar totalmente liberado. E o impacto disso vai muito além do nome no topo do depth chart.

Pensa na cadeia de efeitos. Um camp inteiro se estrutura em torno da sintonia entre o quarterback titular e seus alvos, das repetições que constroem timing e confiança. Quando o titular some por semanas, todo esse trabalho fica comprometido. Imagina ser o Drake London, um dos melhores recebedores da liga, chegar animado para a temporada e passar boa parte da pré-temporada recebendo passes do Cooper Rush em vez do seu quarterback de verdade. Não é sobre desmerecer ninguém, é sobre química, sobre construir algo que só se constrói com repetição. Lesões de camp não aparecem no placar de setembro, mas moldam o começo da temporada mais do que a gente imagina.

Adeus a Franco Baresi, o eterno número 6

E hoje o futebol amanheceu mais pobre. Morreu Franco Baresi, aos 66 anos, uma das maiores lendas da história do Milan e do futebol italiano. É o tipo de perda que atravessa gerações e clubes.

Para quem não viveu a era dele, deixa eu tentar traduzir. Baresi foi o zagueiro elegante por definição. Não era o mais alto, o apelido de “pequeno gigante” dizia tudo, mas compensava tudo com uma leitura de jogo que parecia trapaça, uma antecipação que fazia o difícil virar simples. Vinte temporadas no Milan, quinze delas como capitão, 719 jogos, seis títulos italianos e três Copas dos Campeões Europeus. Um homem, um clube, uma vida inteira. O Milan aposentou a camisa 6 dele, honra reservada aos verdadeiros imortais.

Mas Baresi era mais do que troféus. Era liderança em estado puro, o cara que organizava a defesa com um gesto, que impunha respeito sem precisar levantar a voz. Quem tem memória lembra dele arrastando a Itália até a final da Copa de 94, jogando lesionado, com uma entrega que beirava o irracional, e depois desperdiçando um pênalti na decisão contra o Brasil, chorando de um jeito que ficou marcado. Elegância, inteligência e coração. Um ícone de verdade. Que descanse em paz.

Dica cultural: Família Soprano

Depois de um dia desses, uma indicação que é quase obrigatória para quem gosta de boa TV: Família Soprano. Se você ainda não viu, tem um dos maiores clássicos da história esperando por você.

A série acompanha Tony Soprano, um chefe da máfia de Nova Jersey que tenta equilibrar duas famílias impossíveis de conciliar: a do crime organizado e a de casa, com esposa, filhos e todos os dramas de um pai de subúrbio comum. O toque de gênio está justamente aí. Tony vai ao psiquiatra tratar ataques de pânico enquanto ordena assassinatos, e a série usa isso para dissecar culpa, poder, decadência e a hipocrisia de um homem que se vê como vítima enquanto destrói tudo ao redor.

Os personagens vão se enredando uns nos outros de um jeito que só as melhores histórias conseguem. Ninguém é totalmente bom, ninguém é totalmente mau, e você se pega torcendo por gente por quem não deveria torcer. James Gandolfini entrega uma das maiores atuações da história da televisão. É densa, é lenta na medida certa, e continua influenciando tudo o que veio depois. Cinema em formato de série, décadas antes de virar moda.

É isso por essa semana. Um detalhe: a edição da semana que vem também sai na sexta, por conta de uma breve folga que vou tirar. Anota aí para não estranhar. Obrigado por chegar até o fim, e se curtiu, compartilha com quem também gosta dessas conversas. Um abraço e até a próxima.

Deivis

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