Bijan, Gibbs e o jeito certo de pagar um running back
Fechou. Depois de semanas de espera, Bijan Robinson e Jahmyr Gibbs assinaram seus novos contratos, e a leitura por trás dos números é mais interessante do que os números em si.
Robinson fechou com os Falcons uma extensão de três anos e 66 milhões de dólares, com 51 milhões garantidos, tornando-se por dois dias o running back mais bem pago da história. Aí veio Gibbs e os Lions, com um acordo de 67,5 milhões e 51,5 milhões garantidos, passando o rival de classe de Draft e assumindo o topo. Valores enormes para uma posição que, não faz tanto tempo, o mercado tinha praticamente decretado como descartável.
Mas o ponto que eu quero destacar é como esses contratos foram desenhados. A NFL parece ter finalmente encontrado a forma de pagar bem um running back sem se expor demais, e o segredo está justamente na estrutura do dinheiro garantido. Em vez de travar tudo de uma vez, os times diluem esse garantido ao longo dos anos, liberando as parcelas conforme o jogador se mantém saudável e produtivo. É proteção pura. Running back é a posição de maior desgaste e maior risco de queda súbita de rendimento, e essa engenharia contratual permite recompensar o talento agora sem amarrar a franquia a um desastre lá na frente. Inteligente dos dois lados. Falei sobre tudo isso no vídeo.
Quantos jogos cada time vence em 2026?
Chegou a parte mais divertida e mais ingrata da pré-temporada: cravar quantas vitórias cada franquia vai somar. É o tipo de exercício em que você tem quase certeza de que vai errar em vários, mas que é impossível resistir. Prever win totals é olhar para calendário, elenco, treinador, lesões e um bom tanto de sorte, e tentar transformar tudo isso num número.
E é aí que mora a graça. Um jogo decidido nos segundos finais, uma lesão na hora errada, um novato que explode antes do esperado, e a conta toda muda. Por isso encarei time por time, sem medo de me expor, montando a projeção de vitórias para as duas conferências inteiras.
Dividi em dois vídeos para dar o cuidado que cada time merece. Vale demais para você já ir formando a sua própria expectativa antes do kickoff, e depois voltar para rir ou reclamar dos meus palpites.
Perdeu a offseason? Sem desculpa para chegar boiando
Sei como é. A vida acontece, o trabalho aperta, e quando você vê, a offseason inteira da NFL passou e você não acompanhou quase nada. Trocas, contratos, mudanças de treinador, novatos chegando. É informação demais para quem não vive disso o dia todo.
Mas perder a offseason não pode ser motivo para chegar na temporada sem saber de nada. E é exatamente para resolver isso que existe o Guia da Temporada do ProFootball. É o material que reúne tudo o que você precisa saber para começar 2026 por dentro: análise de cada time, as principais mudanças de elenco, o que esperar de cada franquia, os nomes para ficar de olho. Um atalho para sair da estaca zero e chegar afiado no kickoff, sem ter que garimpar informação espalhada por mil lugares.
Se você quer aproveitar a temporada entendendo o que está acontecendo em campo, esse guia foi feito para você.
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Cousins x Crosby: Kubiak acertou no castigo
Rolou treta em Las Vegas. Durante um treino dos Raiders, Maxx Crosby bateu duas vezes no braço de Kirk Cousins numa jogada, o quarterback não gostou, partiu para cima e agarrou a camisa do pass rusher. Foi preciso separar os dois. Coisa de training camp, dessas que acontecem quando a intensidade sobe e o pavio encurta.
O que me agradou foi a resposta de Klint Kubiak. Em vez de fazer vista grossa ou tratar como brincadeira de camp, o técnico deixou os dois de castigo, fora do treino seguinte, sem exceção para ninguém. E deixou o recado claro: existem expectativas de como se pratica e de como se trabalha, e elas foram violadas.
É a atitude certa, ainda mais para um treinador de primeiro ano tentando construir uma cultura. Não interessa se são o quarterback titular e o melhor jogador da defesa. Justamente por serem os líderes, precisam dar o exemplo. Se você abre exceção para as estrelas, perde o vestiário inteiro. Kubiak entendeu isso logo de cara, e isso diz muito sobre o tipo de comando que ele quer impor. Gostei.
As novas regras anti-cera são um presente para o nosso futebol
E aqui uma notícia que me deixou animado de verdade. A CBF e os clubes das Séries A e B aprovaram um pacote de regras para combater a cera e o antijogo, valendo já nas próximas rodadas. São medidas testadas na Copa do Mundo: limite de oito segundos para o goleiro segurar a bola sob pena de escanteio, contagem de cinco segundos para laterais e tiros de meta, jogador atendido pelo departamento médico obrigado a ficar um minuto fora, e por aí vai.
Era necessário. O tempo médio de bola rolando na nossa Série A estava em vergonhosos 52 minutos e 54 segundos, atrás de praticamente todas as grandes ligas do mundo. A gente paga ingresso, assinatura, dedica a tarde de domingo, e assiste a menos de uma hora de futebol de verdade num jogo de mais de noventa minutos. O resto é encenação, bola parada eterna, goleiro rolando no gramado. Chega.
Mas fica o alerta, e ele é fundamental: regra só vale se for aplicada com rigor. De nada adianta o texto bonito no papel se o árbitro afrouxar no primeiro jogo grande, na primeira pressão de estádio lotado. O espetáculo só vai melhorar se a arbitragem tiver coragem de contar os segundos, marcar o escanteio, punir a esperteza. Precisamos fazer o jogo acontecer mais. A ferramenta está na mesa. Agora é usar sem tremer.
Dica cultural: 007 - Cassino Royale
A indicação de hoje é para quem gosta de ação com cérebro: 007 - Cassino Royale, de 2006. Para mim, o melhor Bond da era moderna e um dos melhores de todos os tempos.
Esse é o filme que reinventou o personagem. Daniel Craig assume um James Bond mais cru, mais violento, mais humano, longe do agente invencível e cheio de gadgets das fases anteriores. Aqui ele sangra, erra, se apaixona e sofre as consequências. A trama gira em torno de uma partida de pôquer de altíssimas apostas contra um financiador do terrorismo, e o filme consegue a proeza de fazer uma mesa de cartas ser tão tensa quanto qualquer perseguição.
E as cenas de ação são de outro mundo. A sequência de parkour logo na abertura é antológica, daquelas que ficam. Mas o que segura tudo é a reconstrução emocional do personagem, com uma história de amor que dá peso real a tudo o que o Bond viria a se tornar. Se você só conhece os filmes mais antigos ou nunca deu uma chance à franquia, comece por aqui. É elegante, é brutal e não envelheceu nem um pouco.
É isso por essa semana. De volta ao ritmo, com a temporada batendo na porta e muita história boa pela frente. Obrigado por chegar até o fim, e se curtiu, compartilha com quem também gosta dessas conversas. Um abraço e até a próxima.
Deivis
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