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ENTRE SESSÕES I Dani Moraes · Nov 27, 2025

#62: Cair nos mesmos buracos

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Dani Moraes · ENTRE SESSÕES I Dani Moraes

Sabe aquela sensação de estar andando em círculos? Cometendo os mesmos erros? Sabe quando nos perguntamos: será que não aprendo com as minhas dores? O que mais precisa acontecer para que eu pare de cair de novo, e de novo, nos mesmos buracos? Para compreender essa situação, podemos buscar explicações diversas.

Se, por um lado, o que acontece por trás dessa repetição é definido como a reprodução de um aprendizado que gera um padrão de comportamento automatizado, como definido pelas neurociências, por outro, compreendemos determinadas dinâmicas como manifestações inconscientes de aspectos sombrios em nós, advindos de compensações psíquicas, sob a influência, inclusive, de forças arquetípicas presentes na coletividade, como define a Psicologia Analítica.

Particularmente, vejo complementaridade entre os conceitos neurocientíficos e junguianos. E acredito que, com base neles, precisamos apenas de um tanto de paciência (tempo) e investimento pessoal (em terapia, por exemplo) para identificar, nomear e enfrentar esses condicionamentos. O processo passa, portanto, pela ampliação da nossa consciência — que nos possibilita compreender o que nos faz reagir de forma repetitiva diante de determinadas situações ou sentimentos. Este é o caminho que nos leva a desvendar nossos porquês.

De acordo com a neurociência afetiva, a mecânica cerebral que explica a repetição de padrões de comportamento reflete a automatização de aprendizados — algo diretamente relacionado à qualidade das primeiras experiências emocionais que vivemos, especialmente durante a infância, quando o cérebro está mais plástico e vulnerável à formação de padrões emocionais automáticos não verbais. A partir delas, aprendemos e associamos reações que se tornam automáticas. E, por isso, muitas vezes nos sentimos aprisionados a sistemas de reação que parecem nos dominar.

Para o psiquiatra e psicoterapeuta Carl G. Jung, teórico por trás da abordagem terapêutica com a qual trabalho, a Psicologia Analítica, essas dinâmicas podem ser entendidas como manifestações pessoais, inconscientes. Junto a esses conteúdos também operam aspectos ainda maiores e inexoráveis, chamados de inconsciente coletivo. Ou seja, além do que atua sobre nossa individualidade, estamos intrinsecamente atrelados a aspectos socioculturais — ou arquetípicos, em termos junguianos — do nosso tempo. No consultório, observo como essas dinâmicas se manifestam de maneira única em cada pessoa — e como, muitas vezes, resistem à lógica. E é aí que o trabalho terapêutico se torna essencial.

Costumo explicar aos meus clientes que somos seres biopsicossociais. E gosto muito desse termo, porque ele sintetiza a complexidade que existe e que sustenta justamente a criação de padrões de comportamento, tantas vezes autodestrutivos. São eles: biológicos, enquanto aspectos que influenciam cada uma das fases da nossa vida, nossos impulsos e instintos — seja na infância, adolescência, vida adulta ou velhice; psíquicos, como nas relações e respostas particulares que refletem as experiências a que somos expostos desde o nascimento, bem como o que herdamos de nossos antepassados, incluindo traumas transgeracionais, por exemplo; e sociais, a partir dos incontáveis acontecimentos e desdobramentos advindos do meio em que vivemos.

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Por isso, conhecer a neurociência afetiva e estudar os vieses psíquicos profundos do comportamento humano — dentro do campo da Psicologia Analítica, como escolhi —, além de acompanhar e compreender as características socioculturais da contemporaneidade, me ajudam a entender os processos internos de autoproteção que, equivocadamente, associamos à ideia superficial de autossabotagem. E que, de forma profunda, contextualizam esses condicionamentos e, naturalmente, nos afetam sem que, muitas vezes, tenhamos consciência.

E, vejam, tomar consciência é um passo primordial para qualquer caminho de transformação. É um ponto de partida do qual não podemos prescindir, ainda que não solucione nossos problemas de maneira direta ou que não aplaque por completo nossas angústias. Se o processo de tomada de consciência nos possibilita acessar os tais porquês, é na ampliação dele que nos aproximamos do questionamento profundo proposto por Jung: para quê? Esse é justamente o tipo de reflexão que a terapia possibilita: uma escuta qualificada para reorganizar sentidos, pausas e recomeços.

A serviço de que propósito estamos nessa vida? Qual é o chamado a que devemos atender, tantas vezes sinalizado justamente pelos conteúdos inconscientes que manifestamos, e que pode dar sentido aos nossos desafios e caminhos? Partimos das explicações, razões e narrativas para, então, alçarmos voos maiores dentro do nosso processo de autoconhecimento, quando nos confrontamos com algo maior, como os pedidos da Alma para a realização plena da nossa existência. Assim, ao entendermos o porquê, podemos então buscar nos questionar: para quê?

Se cair nos mesmos buracos é difícil, pior será ignorá-los.

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Minha agenda está aberta para novos atendimentos.
Se você sente que chegou a hora de olhar com mais profundidade para os seus padrões, sua história e seus caminhos, será um prazer te acompanhar nesse processo.

📩 Para saber mais, é só me escrever por aqui, por e-mail (oi.danimoraes@gmail.com) ou no WhatsApp (11) 98962-3322.

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