Não vou falar de mim (desta vez) e de todas as coisas dispensáveis que já acumulei porque “vai que é preciso” e às quatro da manhã o mundo está demasiado sossegado para me julgar. Mas o facto de pesquisar isto ou aquilo de bebé ou sobre maternidade, faz com que as minhas redes sociais e banners estejam completamente viciados. Entro no Instagram e deparo-me com cinquenta vídeos sobre o perigo de asfixia da criança por ter uma manta que seja no berço e outros cinquenta a vender mantas para pôr no berço.
Fosse isso o pior. De facto, eles aproveitam-se da fraqueza dos pais (e em particular das hormonas da mãe) para vender TU-DO. E, por favor, se alguma vez eu declarar ou mostrar que gastei um cêntimo que fosse numa destas coisas - ou se alguém me oferecer e eu não deitar disfarçadamente fora na primeira oportunidade - internem-me.
O meu primeiro enjoo na gravidez aconteceu quando vi que havia pessoas a gastar dinheiro nisto. É exatamente aquilo a que soa.
A mãe feita Jesus Cristo, a fazer leite do sangue (em vez de vinho da água) extrai leite das marunfas (uma ideia que ainda me é estranha, mas uma coisa de cada vez) e em vez de o usar todo para alimentar o seu bebé, reserva uma parte para pôr num molde, endurece a substância e guarda ao pescoço em forma de coração.
Ou seja, depois anda na vida a passear os seus próprios fluidos. Espero bem que a moda não pegue e a seguir façam colares de ranho (ou pior, não vos quis chocar).
Faz lembrar um pouco quando caíam os dentes às crianças e se levavam às ourivesarias para transformar em medalhinhas, mas pensei que já tínhamos ultrapassado isso.
Este é pior do que comprar porque pode ser um DYI completo e há mesmo quem faça isto em casa. Botar folha de papel no chão, sujar os pés das crianças e marcar os seus primeiros passos na folha, para depois emoldurar.
Depois não se queixem que as crianças riscam as paredes, se vão ver essa bonita arte exposta lá em casa como um feito especial.
Já estou a imaginar a bebé começar a andar e em vez de se dizer “traz a câmara e filma!” dizer-ser “depressa vai buscar tinta de choco e uma folha A4!”.
Há quem faça com patas de cães também, por isso aproveitem. Escolham a vossa forma favorita de sujar a casa e decorem o vosso lar com lixinhos.
Está reúne todos os problemas acima e mais outro.
Há poucas coisas que me apeteçam menos do que comprar um kit de argila (?) para besuntar a barriga. Já por o creme ou óleo de manhã e à noite para prevenir as estrias é um castigo e não faz tanta bodega. Mas imaginemos que me apetecia fazer isso e que gostava de ter essa recordação física da minha barriga empinada (que a senhora de limpeza lá do escritório jura que é barriga de menino, apesar de as análises dizerem o contrário).
Onde é que aquela porra se guarda? Não, digam-me! A sério. Porque eu ando a fazer seleção de SACOS DE PLÁSTICO para deitar fora e recusar empréstimos que podem ser úteis, porque não cabe mais um alfinete cá em casa. Enquanto isso, há sortudas que têm espaço para ter altares de barriga e tudo?
Claramente o problema é meu e das minhas escolhas de vida.
Todas as segundas, às 8h, começa a tua semana com a medicação recomendada por médico nenhum. Um comprimido com efeito placebo, mas sem efeitos secundários, ou uns pílula que não foi dourada sobre o novo mundo que estou a descobrir.
Se conhecerem quem goste de tolices e reflexões inconsequentes, partilhem!
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