Eu, que até sempre fui apreciadora de desporto em geral e futebol em particular, tenho interesse nos jogos deste campeonato, como em tratar das cutículas da vizinha (não disse das minhas, para não me julgarem, mas nem sei como se tratam cutículas, portanto seria o mesmo).
Culpo o país organizador, aquele que é promotor de guerra, mas a quem o mundo desculpa tudo, até discriminação à entrada. *assobia para o lado*
Culpo a nossa Seleção presa a um herói do passado porque isso enche os cofres da federação. Nem para ele acho que seja bom.
Culpo o negócio à volta disto e a minha crescente incompreensão sobre porque é que isto move o mundo desta forma bilionária e outros eventos igualmente (ou mais) interessantes, competitivos e igualitários *assobia para o lado* não.
Culpo as pausas para hidratação, que podem ser uma evolução saudável da forma como se vive o desporto na era do aquecimento global *assobia para o lado* , mas me fazem dizer frases toscas e retrógradas como “no meu tempo não havia destas mariquices”.
que andam 22 homens atrás de uma bola, com sapatilhas cor-de-rosa (se vos parece crítica ao uso da cor associada ao género, saibam que o carrinho da minha filha será azul e notem que é só mesmo crítica ao consumismo, porque adivinhem o artigo que vai esgotar a seguir nas lojas, se não esgotou já), estamos no pináculo do renovado culto da magreza feminina.
a falar de pessoas que têm problemas de obesidade e usam os recursos que haja para os combater depois de anos a fio de iô-iô corporal e incompreensão dos privilegiados que sempre tiveram bom metabolismo e lá do alto ditam sentenças ignorantes. Falo das pessoas magras, medianas, saudáveis, que utilizam medicação ou dietas ou jejuns e se passeiam agora nas redes pele e osso. Façam com o seu corpo o que quiserem e jamais iria para o feed de alguém comentar o seu corpo (claramente faço-o no meu espaço na mesma, mas enfim), só que o problema das estrelas serem pele e osso é que influenciam quem está a ver - é isto outra vez o bonito e elegante? questiona-se a adolescente com um corpo perfeitamente saudável, de qualquer tamanho.
Parecem efetivamente fenómenos separados, o culto da magreza extrema e o mundial no país da guerra no terreno dos outros. Notem: enquanto estivermos preocupados com circo e com os nossos corpos, que têm de responder a padrões, e em termos sapatilhas rosa virais, não estamos tão atentos ao que realmente se passa. Nem reparamos como isto é um exercício de controlo sobre as mentes de homens e, ainda mais particularmente, de mulheres.
Sintoma(s):
Assoobiar para o lado.
Receita:
Yesteryear, o livro de Caro Claire Burke que já é um fenómeno de marketing (sobre uma influencer tradwife que vai parar aos tempos de esposa cristã parideira e respeitadora do marido, que tanto advoga). Comecei por estranhar e depois entranhei - excelente final.
Efeitos secundários:
Urticária com a tradução/revisão, se lerem em português. Luzes na cabeça sobre como fazemos todos parte destes fenómenos da sociedade e quão pouco os entendemos.
Todas as segundas, às 8h, começa a tua semana com a medicação recomendada por médico nenhum. Um comprimido com efeito placebo, mas sem efeitos secundários.
Se conhecerem quem goste de tolices e reflexões inconsequentes, partilhem o comprimido!
*Este link é de afiliado da Bertrand, lembrem-se que tenho uma filha para criar.
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