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O que o Claudio Shikida anda lendo, meu Deus?! · Jun 10, 2026

Terra Natal - Kindle - Juó Bananére e Bananito - História do Japão - Caligrafia e nós.

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Claudio D. Shikida · O que o Claudio Shikida anda lendo, meu Deus?!

Chegamos com o v(6), n(22) da newsletter, com um tempo frio que só amenizou agora, por volta das 7h21m da manhã deste domingo. Contudo, creio que o frio chegou para ficar, o que significa que é época de sakê quente…

Terra Natal - O desafio da Associação Cultural e Literária Nikkei Bungaku do Brasil para a coletânea era escrever inspirado no tema tão caro ao japonês (e aos seus descendentes mais chegados à cultura ancestral): a terra natal (“furusato”, em uma das leituras mais populares dos kanjis).

Assim o fiz, enviando dois contos, um dos quais foi publicado. O outro é o que se segue.

A Terra Natal de Seiji

Um descendente de japoneses que, ainda por cima, tenha muito afeto e interesse por esta cultura está em uma posição ímpar que é a de se identificar com uma terra natal que não necessariamente é aquela em que nasceu. Foi o que escreveu em seu diário o jovem Seiji cujo nome japonês, diga-se de passagem, não é assim tão popular quanto no passado. A despeito disto, foi assim que seu pai, um nissei, resolveu batizá-lo.

Um belo dia, aos 12 anos, questionou o pai sobre o motivo de fechar a porta da sala quando tocava seus discos produzidos por nomes pouco comuns como Teichiku, Denon, King Records, Toshiba e Victorono.

“- É para não atrapalhar a sua educação.”, disse-lhe o pai.

Intrigado, Seiji resolveu que também iria ouvir as mesmas músicas. Queria experimentar as sensações que seu pai, involuntariamente de forma egoísta, guardava para si. Um belo dia, enquanto pai estava fora, trabalhando, pegou um dos discos, colocou na vitrola e, assim, Seiji mudou para sempre sua vida.

Aos poucos o pai mudou de ideia e passou a lhe mostrar algumas de suas músicas favoritas. Seiji, inicialmente, cantava sem entender bem o significado das músicas, cativado tão somente pela melodia e por alguma coisa que lhe agradava na língua japonesa. Depois, passou a entender a natureza silábica dos alfabetos fonéticos japoneses, sem mencionar alguns kanjis que passou a ler. Neste momento, achou que era necessário pedir ao pai que lhe permitisse frequentar a escola de língua japonesa da colônia e assim foi feito.

Seiji crescia e diversificava seu gosto musical. As fitas cassete não traziam só músicas Enka, mas também j-pop e músicas folclóricas (minyou). A música transformou-se em uma ponte que cruzava para sua terra natal na qual nunca vivera. Às vezes se perguntava sobre se estaria fazendo o que era certo. Afinal, tinha poucos amigos com quem conversar. Os amigos brasileiros achavam tudo muito exótico e os amigos da escola japonesa, à época, todos descendentes, como ele, tentavam se afastar da cultura japonesa.

“- Só estou aqui porque meu pai exige. Quem gosta de ter aulas na manhã de domingo, Seiji?”, disse-lhe um dos amigos da escola japonesa, certa vez.

Vencendo a timidez, em uma das festas de Ano Novo, Seiji foi a um karaokê da colônia, com seu tio e cantou. Eram os anos 80 e o karaokê era uma caixa de som com um toca-fitas e você tinha que saber a letra da música de cor. Com os aplausos - e com o sorriso estampado no rosto do tio (jamais se esqueceria daquele sorriso) - sentiu que poderia ser feliz cantando músicas japonesas.

A terra natal de Seiji certamente não está no Japão. Pelo menos, não nos termos da lei. Afinal, nasceu no Brasil, filho de pai nissei e mãe brasileira. Ainda assim, sempre que canta, sente que sua terra natal pode até ter queijo, goiabada, doce de leite e torresmo nas refeições, mas, sua alma está lá, no udon, no karaague e no sushi, nas músicas que ouve e canta até hoje.

sushi

Kindle - Ouvi um boato de que aparelhos antigos de Kindle seriam desativados e, agora, corro contra o tempo para recarregar o meu. É que usei tão bem o aplicativo para celular que deixei de lado o simpático aparelhinho que comprei há anos. Agora é ver se ainda consigo atualizar meu acervo nele…

Juó Bananére e Bananito - Eh! Io mismo! Altro dia io ‘stava nas rua, camignandu i ouvi um sonido differenti: “mignau, mignau”. Si non era un pequenigno feligno tutto alaranjado co us olho di un denggo che io no pude agguentá.

Así che u nômi du feligno virô ‘Bananito”, uno inlustre gatito che stá na migna famiglia jugandu tutto us coppo da mezza pru chão, sempre mi chammandu co uno o duo ‘mignau’.

Io chego du trabaglio i Bananito mi dize: ‘mignau, mignau!’. Así che respondu: “Eh, Bananito, gatigno danado! Vamô comê us peixito, Bananito?”. Bananito, molto ellegantimenti, arrispondi: “Mignau, mignau, mignau!!”.

Bananito apprescia un peixito. Inda más si for attum.

Aora, tutta as magnana io acórdu co’ Bananito faciendu ‘mignau, mignau’. Che insolenssia feliche na migna vitta…

História do Japão - Um texto interessante!

Caligrafia e nós - Outro dia, acordando de madrugada, terminei por assistir ao Shodo Girls (trailer a seguir).

No JFF Theater você só precisa criar uma conta e se entreter com o cinema japonês. Este filme, inclusive, tem uma referência ao clássico do pós-guerra, Where Chimneys are seen ou 煙突の見える場所 (Entotsu no mieru basho) que assisti em algum momento, na minha época de universitário, lá pelos idos de 1990. Não se trata de uma referência tão sólida, mas apenas o uso da imagem das chaminés (que podem ser vistas de vários ângulos) em um contexto bem diferente.

Li que um crítico de cinema famoso não gostou do filme das praticantes da caligrafia, mas quem é que liga para crítico de cinema? É um ou outro que considero. Para mim, foi um filme muito emocionante que, sim, deixa algumas pontas soltas, mas nada demais. Afinal, se um diretor tivesse que se aprofundar em todas as relações de todos os personagens, provavelmente teria que fazer um filme de 5 ou 8 horas, a depender do número de relações.

Recomendo o filme.

Até mais ler!

(*) até mais ler” foi plagiado do Orlando Tosetto, cuja newsletter, aliás, você deveria assinar.

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