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O que o Claudio Shikida anda lendo, meu Deus?! · Apr 29, 2026

Mãe do Gabi e o Fígado com Jiló na Terra do Queijo - Irracionalidade Racional - O neomaoísmo brasileiro é um problema - Instituições esgarçadas? - Futuro do Brasil?

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Claudio D. Shikida · O que o Claudio Shikida anda lendo, meu Deus?!

Chegou o v(6), n(16) na sua caixa de correio. Digo, se fosse uma letter à moda antiga.

Mãe do Gabi e o Fígado com Jiló na Terra do Queijo - Caminhamos da Praça da Liberdade até o centro e, ali, próximo ao antigo cursinho pré-vestibular do Pitágoras, viramos à esquerda, em direção ao Mercado Central, em uma confortável descida porque, de subir pirambeiras ninguém aguenta mais.

Por onde passávamos, vários olhares espantados nos acompanhavam. Eu ouvia até os diálogos sussurrados:

“- É ela?
- É, parece que sim. A Mãe do…
- Fale baixo!”

O sol não estava tão forte, talvez porque soubesse que a cidade receberia a Mãe do Gabi, notória autoridade em Gabi, pelo menos naquele Gabi, seu filho, ainda na idade de brincar.

Bem, que filho nunca não está nesta idade? Até depois de velho, em meu escritório, viro-me e vejo alguns brinquedos antigos meus. Só que a brincadeira, hoje, é outra. É a de brincar com o salário até o final do mês…

De todo modo, eu falava sobre…a Mãe do Gabi, né? Pois é. Chegamos ao Mercado Central e fui-lhe apresentando as lojas - tal como a Louca dos Gatos (sua amiga, não menos famosa) - ela não apreciou a seção de animais. Encantou-a mesmo as armadilhas para turistas, aquelas de mineiridade estampadas em sacolas, camisas, imãs de geladeira etc.

Passeando, continuei ouvindo os comentários:

“- É mesmo a Mãe do Gabi?
- Ó, acho que sim.”

Contudo, nada disso parecia assustar a Mãe do Gabi que, a propósito, caso deixada sem supervisão, teria comprado umas duzentas lembrancinhas para turistas. Não que minha supervisão seja exatamente algo muito eficiente já que eu mesmo, belorizontino que sou, adoro estas bugigangas (ainda que seja conhecido por quase não preservar as ‘mineirices’ no linguajar).

O Mercado Central é uma variedade. É muitas Minas em um só lugar. Não só de produtos, mas de classes sociais. A verdadeira variedade, sem preconceitos (pelo menos, não visíveis). Recomendo sim, a você, uma visita por lá. Voltemos, contudo, à Mãe do Gabi. Quando dei por mim, já estávamos diante de um anúncio de fígado com jiló.

O dono do estabelecimento já chegou alegre:

“- Mãe do Gabi? Pode comer e beber à vontade que hoje é por minha conta!”

A Mãe do Gabi finalmente percebeu o que acontecia e ficou um pouco assustada. Tentei acalmá-la, mas eu mesmo não compreendia de onde vinha toda aquela fama. Teria esta newsletter um público maior do que os 5 milhões de assinantes? Teria a Mãe do Gabi um vídeo que viralizou nas redes há pouco tempo?

De todo modo, lá estava, sobre a mesa, o prato de fígado (acebolado) com jiló. Nunca fui um apreciador de jiló, mas ela me convenceu de que aquilo era bom. Sim, com uma cerveja, fui convencido. Tomaríamos uma saideira depois, claro. Fígado é algo que não comia há muito tempo. É do meu gosto, claro, mas não o encontro com frequência nos almoços de rua que enfrento (ou que adoro) na semana.

O bom sabor do fígado nos fez esquecer brevemente dos estranhos acontecimentos. A Mãe do Gabi não deixou fígado sobre fígado, jiló sobre jiló e cebola sobre cebola, embora, confesso, o prato não fosse tão organizado assim. De minha parte, deixei as cebolas.

Falamos sobre a vida - que nem sempre é boa e generosa, mas é sempre cheia de esperança - e tudo o mais. Vez por outra alguém parava de longe, tentando ser discreto, e fazia uma selfie, tentando aparecer com a Mãe do Gabi no enquadramento. Quando tentei pagar a conta, o dono não só recusou, como agradeceu efusivamente a Mãe do Gabi pela presença. Ela voltou a se preocupar com tudo aquilo (e tudo o mais).

Quando saímos, começou uma aglomeração de gente e os sussurros já se transformavam em voz, em voz alta. Muita gente oferecendo queijo canastra para a Mãe do Gabi. Bolinho de feijão, limonada, goiabada, doce de leite etc. Tentamos atender às pessoas, mas aquilo já estava se tornando muito estranho e decidimos deixar o Mercado Central o mais rápido possível. Uma verdadeira procissão se formou atrás de nós, mas conseguimos entrar no carro. Alguns ainda tentaram nos perseguir, mas tivemos sucesso na fuga.

Foi quando acordei, suando. Era tudo um sonho. Olhei para o relógio ao lado da cama e vi que estava quase na hora de levar a Mãe do Gabi para um passeio…pelo Mercado Central.

Irracionalidade Racional - Meu artigo, na Exame, tem tido uma certa repercussão. Irracionalidade Racional é um conceito criado pelo prof. Bryan Caplan que acho muito útil para explicar muitos comportamentos - aparentemente - estranhos. Fica aí o convite.

Irracionalidade destruindo instituições

O neomaoísmo brasileiro é um problema - E sério.

Instituições esgarçadas? - Veja aí e me diga se estamos vivendo mesmo em um país no qual as pessoas não têm, realmente, medo de dizerem o que realmente pensam, mesmo que seus pensamentos não agradem a qualquer quadrúpede que tenha algum poder.

Futuro do Brasil? - Sachsida tem razão. É uma escolha e sabemos bem o que queremos. Contudo, será que os meios para alcançar nossos objetivos são os que nos dão o máximo de prosperidade sem roubá-la de outros? Leia o artigo dele.

Até mais ler.

(*) até mais ler” foi plagiado do Orlando Tosetto, cuja newsletter, aliás, você deveria assinar.

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