Uma das coisas que eu mais prezo na vida é a escolha. Da roupa a profissão. Da casa ao marido. Da cidade aos amigos. Eu pergunto se Francisco, meu filho, quer tomar banho ou jantar primeiro, se vai fazer o dever de casa à noite ou pela manhã. Nem tudo tem escolha, mas no que é possível, eu faço acontecer.
Não me lembro, quando mas inventei técnicas pessoais para descobrir o que eu realmente queria quando a decisão era bem mais profunda do que uma blusa no armário.
Na faculdade de jornalismo decidi que seria fotógrafa. Eu morava em Recife quando decidi voltar para minha cidade natal. No Rio, decidi morar sozinha sem ninguém para dividir contas. Anos depois, decidi deixar meu namorado vir morar comigo, decidi, após ser reconhecida por isso, que não queria mais fotografar casamentos, decidi dar atenção pro meu filho. E no Rio eu morava quando decidi me mudar para São Paulo. Em São Paulo, no meio da pandemia, decidi me separar e decidi criar meu filho sozinha.
É romântico quando se fala em escolhas, mas uma coisa que aprendi foi saber que as consequências das minhas decisões são únicas e exclusivamente minhas. O caminho e a consequência é de quem escolheu. “Ah mas eu não sabia que seria assim”. A Vida não tem manual, cada escolha envolve abrir uma porta desconhecida. Não sei o que tem lá. Pode ter um jardim, um parque de diversões, uma mina de ouro ou um precipício.
E sobre a tal técnica que desenvolvi se chama: ouvir meu coração. Ah que balela… auto ajuda. Não é rsrs… Por exemplo, cada vez que me doía a barriga imaginando largar tudo em Recife e voltar pro Rio eu fechava os olhos e desistia. Pronto, não vou mais! Vou ficar aqui! A barriga parava de doer, mas o coração apertava seriamente! E foi aí que eu soube que a dor na barriga era a de passar por um caminho que de fato eu não sabia nada mas a dor do coração era a de desistir da minha vida. Nesses momentos de dúvida eu decido pelo que o coração não dói.
Quase enfartei passando pela enseada de Botafogo indo para o aeroporto na minha última passada pelo Rio como moradora. Deixei as lágrimas descerem, mas em nenhum momento eu gritei para parar o carro e voltei correndo para o apartamento já vazio. Era hora de continuar, eu sentia.
Andei questionando minhas decisões, coisa rara por aqui, e resolvi fazer o inverso: e se eu não tivesse optado por isso isso e isso? Não consegui, era impossível não tomar o caminho que tomei e aí eu soube que estou na estrada certa, é que ela é cheia de buracos mesmo… não tinha como saber como seria mas eu sei ela como era.
Após essa espiada na minha rota e vendo que ela foi bem calculada sim, sigo com passos mais fortes e confiante de que na estrada, a paisagem vai mudar jajá e será, no mínimo, mais agradável.
Escolhas são a parte mais importante da vida junto com aceitar o que tem do outro lado da porta aberta. Essa parte de aceitar me irrita um pouco, confesso rsrs
Até a próxima e na dúvida, aguarde no local, já dizia uma amiga minha :)
Carol
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