Foram 28 dias. Consegui trabalhar sem preocupação de onde iria deixá-lo, ver séries sem hora pra acabar, sair de casa às 23h porque deu vontade. Acordei cedo e tarde. Viajei. Dormi fora. Transformei a sala num estúdio de fotografia e recebi doze mulheres aqui. Não comi arroz e feijão, aliás pouco me preocupei com o que comer. Assisti cursos até tarde da noite. Parecia a Carol com 32 anos… dez anos atrás! Eita, não tinha feito as contas, dez anos! Liberdade, libertinagem e trabalho. Maravilha!
Comprei uma muda nova da árvore da felicidade mas quem mexe na terra comigo não estava aqui. - Vou esperar. - Decidi. Eu pensei em ir nas atrações de férias em promoção, zoológico à noite, infinidade de museus, mas quem eu amo levar nesses lugares não estava aqui. Vou depois com ele! Buzz no cinema? Tadeu na Netflix? Não vou ver sem ele.
A casa ficou normal. Sem farelos de borracha pelo chão nem papeis com meio desenho feito espalhados pela mesa. Ninguém pediu pra Alexa lembrar o tempo do banho e nem repetir a mesma música 12 vezes seguidas.
Ninguém acordou com os cabelos cacheados embolados andando cambaleando de sono. Ninguém pra fazer cosquinha. Ninguém para me desconcertar com perguntas absurdas na hora de dormir, ninguém pra me ensinar sobre a simplicidade, ninguém pra eu plantar sementes de humanidade.
Que saudade… é uma lástima que isso tudo venha junto com brigas pelo dever de casa, correria para ir pra escola, pensar no amanhã, no hoje, no lanche da escola, no jantar, na roupa limpa, no que fazer, onde deixá-lo pra ir trabalhar. Coisas que doem ao longo dos meses mas que se diluem na saudade imensa do meu periquito que cada vez mais está crescendo e ganhando suas asas.
Eu quero comprar um girassol pra recebê-lo, nossa flor tatuada na minha perna. Penso em bolas, bolo, e abraços sem fim. No dia seguinte… bem, no dia seguinte, quando sobrarem as migalhas de chocolate em cima da mesa, começa a vida real. E eu amo essa vida real ao lado do Francisco, meu companheiro de casa e de vida. Nosso caos cansa mas nos diverte.
Poderia ser mais fácil? Não sei. Mas aprendi que preciso lidar com o que tenho igual água… preenchendo, pertencendo e me misturando.
Volta logo que mamãe tá roxa de saudade! Até amanhã, meu amor!
mamãe Carol :)
Nenhuma publicação

Comments
Nothing yet. Say the first thing.
Sign in to join the conversation.