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Nevoeiro · Jan 23, 2026

O método Querida Mamãe + minimalista ou insosso? + em defesa do excesso

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Carol Bensimon · Nevoeiro

Essa é uma edição exclusiva para assinantes pagos. Logo mais você vai encontrar um antipático Paywall. Perdão, mas os artistas precisam manter a lojinha! Talvez seja uma boa oportunidade para você se juntar ao Clube Nevoeiro ;)

1.

Vamos começar com uma citação sobre bloqueio. É do John McPhee, um autor americano de não-ficção, que nunca foi publicado no Brasil e que tem um livrinho gostoso sobre processo de escrita, Draft No. 4. McPhee, além de escritor, foi professor de escrita em Princeton – entrou em 1974. Recebia muitas cartas de ex-alunos e começou a responder seus lamentos estridentes sobre a paralisia de uma rotina normal de escrita com o que podemos chamar de método Querida Mamãe.

Caro Joel: você está escrevendo, digamos, sobre um urso-pardo. Nenhuma palavra lhe ocorre. Há seis, sete, dez horas, nenhuma palavra lhe vem à mente. Você está bloqueado, frustrado, em desespero. Não está em lugar nenhum e não consegue tomar um rumo. O que você faz? Você escreve: “Querida Mamãe”. E então você conta para sua mãe sobre o bloqueio, a frustração, a inaptidão, o desespero. Você insiste que não tem talento para esse tipo de trabalho. Reclama. Se lamenta. Descreve seu problema e menciona que o urso tem uma cintura de cinquenta e cinco polegadas e um pescoço com mais de trinta polegadas de circunferência, mas que poderia correr lado a lado com o Secretariat, o cavalo lendário. Você diz que o urso prefere deitar e descansar. O urso descansa quatorze horas por dia. E você continua assim o máximo que conseguir. E então você volta, apaga o “Querida Mãe” e todas os lamentos e reclamações, e fica apenas com o urso.

2.

John McPhee escreveu sobre peixes, geologia, tênis, Alasca, arte russa, barcos. Ele, um escritor de não-ficção, tinha essa vantagem sobre os romancistas: pegava um objeto concreto do mundo e o virava de todos os ângulos para então falar de História, de natureza, de indivíduos. Os romancistas partem de pessoas para falar de todas essas coisas. Frequentemente pessoas que não existem e nunca existiram. E aí vem a dúvida que pode paralisar: sobre o que estou falando mesmo? Como deixar só urso se não sei se o que escrevo é sobre urso, louva-a-deus, ICE, sexo, um velho diário encontrado?

Read the original on carolbensimon.substack.com

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