Aluguei esse apartamento que moro pela claridade. Tem uma sala ampla, e apesar de estreita, a janela é comprida e vai até o teto. O sol da tarde entra e vai se movimentando pela sala até sumir atrás da montanha de pedra que vejo sempre que espio a vida lá fora por essa mesma janela.
Apesar de deliciosa a luz dessa ‘’Golden Hour’’ que chega pontualmente às três e meia da tarde todo santo dia, trabalhar com o raio de sol fritando a sua cara, é quase impossível. Também pensando nos meu livros que recebem todo esse tour luminoso, infelizmente me rendi a procurar uma cortina com blackout.
Aí que começou todo o meu drama: como a janela vai até o teto, não pode ser qualquer tamanho de cortina, precisa ser longa, e também não pode ser qualquer varão, então a solução foi testar um varão tipo aqueles de box, de pressão.
Comprei um pela amazon, chegou. Tentei montar, achei que estava quebrado pois não fazia pressão nenhuma, ficava totalmente solto. Entendi que era o ser humano mais tapado da face da Terra e me rendi aos vídeos tutoriais no Youtube e Tiktok, para aprender a instalar até que finalmente consegui! O plot-twist? O varão era 21cm menor que o tamanho que eu precisava, mesmo na sua extensão máxima.
Mas não desanimei! Na-na-ni-na-não! Eu ia vencer! Respirei fundo e fui na rua em busca de outra, já tendo o tamanho certo em mente. Peguei fone de ouvido, chaves, boné e o Pipoca (literalmente) à tira colo e fui. Dei de cara com uma farmácia gigante no lugar da loja que eu sabia que teria o que buscava.
Mas lembra o que eu disse? Eu não ia desistir! Como sou nova no bairro, e caseira demais para ter uma cobertura demográfica precisa com todas as lojas necessárias, botei a timidez pra me esperar do lado de fora e entrei em outra loja, onde senhorinhas simpáticas, trocando olhares estranhos, me indicaram uma loja que ficava na esquina de duas ruas, que eu, sinceramente, esqueci o nome no segundo que pisei fora da loja. Mas fui andando, olhado pelo caminho, uma hora eu iria achar!
Andei, andei, Pipoca me olhava questionador da bolsinha e eu continuava andando sem saber bem ao certo se estava, longe, perto ou andando na direção completamente oposta à onde eu deveria ir, até que vi uma daquelas lojinhas que vendem de tudo. Você precisa de tomada? Tem! Adaptador de tomada? Tem! Uma extensão? Tem também! E varão de cortina de pressão? Mas é claro! E na embalagem dizia que ele era de 1,40 a 2m de comprimento! Perfeito! Comprei! Paguei caro o preço de não consultar as medidas do anterior.
Varão conquistado, refiz tooooodo o caminho de volta para a casa. E como se fosse um roteiro preciso, a cortina chegou bem nesse momento, então depois de almoçar, fui prontamente instalar minhas novas aquisições.
Li e reli a parca instrução no plástico da embalagem, o Sol já estava quase chegando ao nosso encontro da tarde diário, mas mais uma vez, o varão sim, esticava! Mas cadê a pressão pra ficar preso na parede?
Enrosca daqui, desenrosca ali, vira ao contrário, recorre mais uma vez ao tutorial do Youtube, mais uma vez me frustro e nada.
O Sol chegou, a cortina aberta na cadeira da mesa de jantar como que rindo dessa minha situação patética. Hasteei a minha bandeira branca. Peguei minha escada, posicionei na janela, abri os basculantes e prendi um lado da cortina ali. Assim. Pura teimosia!
Sentei então no meu ‘‘não-sofá’’ cansada, suada, (semi)derrotada, olhando para o improviso e para o dinheiro gasto em forma de dois varões de pressão apoiados na parede.
Quem sabe eu compre outro? Quem sabe eu leve de volta o varão na lojinha e peça ajuda ao senhorzinho que me vendeu. Quem sabe eu apenas deixe a minha linda cortina presa no basculante da janela. Não sei.
Deixo abaixo o ‘’manual de instruções’’ caso alguém consiga me dar uma luz.
Testei um formatinho diferente de texto como um desafio pessoal, espero que gostem! <3
Até!
Letícia O.

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