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Viajante sem Pauta · Mar 31, 2025

[Viajante sem pauta #025]A história do podcast pt 3

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Cainã Ito · Viajante sem Pauta

Na última newsletter, comentei sobre o que levou ao surgimento da comunidade. Tudo começou com a campanha de assinatura para que as pessoas apoiassem o programa; como recompensa, os apoiadores ganhavam acesso a um grupo no Telegram, onde podíamos conversar sobre o projeto.

Durante meses, esse grupo foi nosso espaço de interação, onde trocávamos ideias, compartilhávamos sobre os episódios, e por sermos poucos na época, as conexões eram mais fáceis, mesmo que apenas no âmbito digital. Lembrem-se caro leitor, estamos falando de uma época de confinamento da pandemia.

Agora vou acelerar um pouco a história da comunidade aqui. O que, em princípio, era apenas um grupo de apoio ao programa, foi ganhando proporções cada vez maiores. E um marco importante foi quando decidi organizar o primeiro encontro presencial com os membros da época. Confesso que estava com muito receio - afinal, "e se ninguém aparecer?" E se ninguém levar nenhum come e bebe com pedido, entre tantos outros. É um medo que passa pela cabeça de qualquer organizador de eventos.

Mas o que ficou marcado como uma das memórias mais especiais foi justamente essa primeira edição, um pic nic realizado no quintal aberto do Centro Cultural Vergueiro, em São Paulo. Foi ali que tive o primeiro contato presencial com muitas pessoas que, mais tarde, se tornariam grandes amigos e pessoas próximas a mim.

Registro do primeiro encontro da comunidade

E, com o sucesso do primeiro encontro, não deu outra: ele se tornou um evento fixo no calendário. O segundo encontro manteve o piquenique, mas com novidades: além da confraternização, incluímos um almoço num restaurante congolês, uma visita a uma cervejaria artesanal guiada pela sommelier Mariana Buck, membra da comunidade. E no final um passeio por um dos parques de São Paulo.

Abaixo o Felipe Farias da comunidade, fez esse lindo registro e fez esse reels pra gente, e sentir como foi o segundo encontro.

Nos anos seguintes, os encontros da comunidade foram ganhando cada vez mais força e proporção - mas segure aí que eu volto a falar sobre esses eventos mais tarde. Antes, preciso contar tudo o que aconteceu nesse meio-tempo...

O contexto era o seguinte: o podcast seguia seu cronograma regular, mantinha uma comunidade ativa e contava com o apoio financeiro dos ouvintes para sua continuidade. Com dois anos de estrada, chegou o momento que precisei buscar marcas e empresas que pudessem ajudar a construir uma reputação mais sólida.

Foi então que comecei a prospectar possíveis parceiros comerciais .Marcas que dialogassem com nosso conteúdo e que pudessem entrar como parceiros e agregar a marca.

E é aqui que entra Ricardo Martins, o cara da bike de bamboo, que já gravou vários episódios conosco. Nosso contato foi virtual, e estávamos ambos atravessando a África na mesma época. Então trocávamos informações sobre fronteiras e vistos, e nessa conexão inicial, que começou com dicas de viagem, no longo prazo se transformou em uma parceria

Ricardo já tinha relação com a marca Curtlo e, sabendo da minha empreitada, não pensou duas vezes antes de fazer a ponte com eles. Este não poupou energia para enviar um e-mail cuidadoso, elogiando o programa e assim facilitar o processo. Não deu outra: hoje, o podcast criou uma relação duradoura que se mantém até os dias de hoje. Resultado: mensalmente, sorteamos produtos para os membros da comunidade!

Eu precisava contatar as empresas e, para isso, era essencial ter um mídia kit—um documento de apresentação que explicasse o que era o projeto, trazendo dados e outras informações relevantes.

Pois bem, quais eram meus conhecimentos? Zero. Meu mínimo senso estético se baseava apenas nos meus gostos pessoais. Mas criar esse documento exigia muito mais: outras formas, meios de comunicação e uma maneira eficaz de transmitir a mensagem. Foi então que conheci o famoso Canva. Com o conhecimento que tinha na época, criei meu primeiro mídia kit. Para aquele momento, achei o máximo— era o melhor que eu conseguia produzir com as ferramentas ao meu alcance.

primeira versão feita por mim para o mídia kit

Claro que, com o tempo, percebi o quão ruim estava esse documento. Não apenas esteticamente, mas também no conteúdo e na forma como as informações foram estruturadas para que as empresas realmente entendessem o programa.

Bem, usei esse mídia kit para tentar falar com as empresas, e não deu outra. Nada seguiu adiante. E sinceramente, se eu estivesse do outro lado, nem eu iria querer com esse documento haha.

Ainda falando sobre a identidade do mídia kit, vou conectar agora com um novo nome: Marcelo Castro. Ele tinha junta com sua parceira Tainá o aposentado podcast “Viajar pra quê”. O formato era entrevistando viajantes, a que inclusive pude participar. Ouça aqui o papo.

conhecendo pela primeira vez a Tainá e Marcelo em SP, e reencontrando o Guilherme ( mais conhecido como Tomate )

Eram bons tempos! Trocávamos figurinhas, falávamos sobre podcasts no nosso setor, discutíamos convidados, sugestões e, sem perder o humor, desabafávamos sobre os perrengues com alguns deles. Rs.

Certa vez, estávamos em uma chamada papeando, quando ele recebeu a notícia de que seu editor não conseguiria subir o episódio no dia seguinte. Sem saber o que fazer, fiz uma proposta: eu editava o programa, e, em troca, ele me faria um novo mídia kit. Mais precisamente, sua parceira Tainá, que concordou com o acordo. E assim, fechamos nossa permuta.

segunda versão do midia kit, versão que durou bons anos

Lembro que Tainá, profissional atuante na área de design, utilizou os elementos criados por Guto para compor a nova identidade. Com as cores e os elementos que ela escolheu, acabei aplicando essa paleta ao instagram e a outras plataformas. Inclusive, foi ela quem primeiro destacou o quanto as artes produzidas por ele já haviam se tornado a identidade visual do programa.

Essa observação ficou marcada e, mais tarde, tornou-se um critério importante quando decidi contratar um serviço de identidade visual completa. Mas isso é uma história para detalhar adiante — por agora, deixo registrado como está o documento atual.

versão atual com as aplicações da nova identidade.

A comunidade seguia a todo vapor, tínhamos um documento de apresentação bem estruturado, feito pela Tainá, e empresas começaram a entrar em contato para possíveis parcerias ou patrocínios. Só que havia um detalhe: eu não tinha nenhuma experiência nesse mundo. Não sabia o que dizer nas reuniões, como "vender meu peixe", como me comunicar — tudo era novo.

E então veio o primeiro grande teste: uma farmacêutica me chamou para conversar sobre um possível patrocínio. Ansiedade à flor da pele. Na lista de convidados, 6 pessoas! Fiquei me perguntando: "Quem são todos esses? Por que tanta gente numa reunião sobre um podcast de viagem?" E, principalmente: "O que uma farmacêutica quer comigo?"

Quando a reunião começou, minhas pernas tremiam. Enquanto cada um se apresentava — gente do marketing, cientistas, RH —, eu tentava me concentrar. Até que um deles soltou:

"Queremos divulgar um antialérgico."

Meu cérebro travou. "Isso não faz sentido algum." Mas, em vez de ganhar tempo, soltei:

"Olha, não vejo muita sinergia… mas posso analisar com calma."

Pronto. Tinha matado a oportunidade ali. Mas o pior ainda estava por vir. Em um último esforço, perguntei se tinham ouvido o formato dos "jabás" (anúncios) do podcast para entenderem como eu trabalhava publicidade. A resposta? "Não."

E aí, no calor do nervosismo e ansiedade, deixei escapar:

"Como vocês me contatam sem nem saber como o podcast aborda publicidade?"

Cavei minha própria cova.

O pior é que me dei conta segundos depois da chamada, que anti alérgico tinha muita sinergia! Eu mandei um e-mail falando que sim, tinha muita a coisa a ver, mas já era tarde demais. Mas deixarei os tantos tópicos que validavam a relação com anti alérgico e viagem que enviei pra eles.

  1. Mofo nas acomodações - várias situações já passaram com o lugar fechado há anos..

  2. Situações de Couchsurfing - com casas de carpetes e tapetes em países árabes

  3. Animais - já tive alergia a gatos e é algo recorrente

  4. Mochileiros com rinite - testemunhal pra galera com tal condição e a relação com anti- alérgico

  5. Bedbugs - percevejos - histórias que já foram contadas de pessoas sendo picadas e a coceira sobre.

  6. A planta que coça - situação que eu já passei e outros quando em contato com plantas que geram coceira

  7. Picada de mosquito - a situação já fala por si só

  8. Mudança climática - recorrente na viagem

  9. Cigarro - situação pessoal com coriza e alergia com fumantes

  10. Cidades muito poluídas - ressecamento de garganta e nariz entupido.

  11. Ar condicionado ( aqui não sei se o remédio é eficaz com a garganta seca, pois eu mesmo tenho alergia ao ar condicionado)

  12. Alimentação ( aqui não sei se é algo mais crônico e o antialérgico não entra)

  13. Lactose - situações de viagem onde sabemos da alergia, mas pelo aspecto social provamos algo ( não sei também se antialérgico se enquadraria aqui)

Lembrar que cometi uma sucessão de erros e poder enxergar isso é o que nos fazem melhorar. Hoje, teria uma abordagem totalmente diferente. Mas, mesmo assim, ainda acho que eles poderiam ter dado pelo menos uma ouvida no formato rs. Listo abaixo três pontos que seriam diferentes.

  • Respirar antes de responder — um "Deixa eu entender melhor o que vocês imaginam" teria salvado a situação.

  • Não assumir que falta de sinergia é óbvia — às vezes, o patrocinador enxerga algo que você não vê.

  • Ser didático, não defensivo — em vez de criticar, explicar como o anúncio funciona no podcast.

Bem, a news já está longa, deixarei pra próxima newsletter maiores detalhes das abordagens com as empresas, precificação, e os tantos Não que a vida vai nos agraciando.

Read the original on cainaito.substack.com

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