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Viajante sem Pauta · Mar 17, 2025

[Viajante sem pauta #024]A história do podcast pt 2

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Dando continuidade

Como mencionei na newsletter anterior, a pandemia aconteceu. Não vou me aprofundar muito no assunto aqui, pois já dedicamos dois episódios do podcast a esse tema. O primeiro foi gravado quando ainda estávamos presos em uma praia na Costa do Marfim, e o segundo, anos depois, já no conforto de casa, onde pudemos relatar com mais detalhes tudo o que aconteceu. Na época, nossa história ganhou destaque em diversos veículos da mídia, como El País, Domingo Espetacular, G1, entre muitos outros.

Episódio 22 de quando eu e outros viajantes trouxemos nossos relatos enquanto ainda estávamos presos

Episódio 58 onde contamos com mais detalhes nossa história ocorrido em terras africanas.

Nesse meio tempo, a pandemia se conecta diretamente com o podcast, já que eu e Richard não havíamos parado de gravar. Eu estava hospedado na casa de um compatriota na capital da Costa do Marfim, que oferecia boa estrutura e internet, o que facilitava as gravações. Era o auge do fenômeno dos podcasts, impulsionado pelo confinamento das pessoas, que gerou um verdadeiro boom no setor, especialmente no formato "mesa cast". Enquanto tudo corria conforme o esperado, eu aguardava uma repatriação, preso na capital do país, e Richard, por sua vez, estava isolado na Chapada Diamantina, mais precisamente em Lençóis.

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A gravação do ep 22 foi feito dentro de uma das vans nesse local onde toda história foi contado no ep 58

A separação

O foco do Richard sempre foi o youtube, e eu o mais entusiasta da mídia podcast. Isso no longo prazo fez com que nós separássemos, e no fim, acertamos um valor para que tivesse o podcast 100% sob meu comando.

Momento da primeira vez que nos vimos após tantos anos.

Richard teve um papel muito importante na história do podcast. Sua presença foi valiosa, não apenas por já ser uma figura conhecida na internet — o que ajudou no alcance do programa desde o início —, mas também por sua rede de contatos, que contribuiu significativamente para o crescimento do projeto. Por ele conheci outras pessoas, como Willy Barros, Lanna Sanches e tantos outros.

Carreira solo

Agora, sem Richard como co-host, surgiram inúmeros dilemas: as pessoas nos ouviam apenas por causa dele? Será que eu era dispensável e o programa estava fadado ao fracasso? Se já carregava inseguranças sobre mim mesmo, agora elas pareciam ainda maiores. Eu temia que o podcast iria acabar e, acima de tudo, me perguntava: como explicar ao público a ausência de Richard?

Com o tempo, essas dúvidas foram sendo respondidas à medida que o programa continuava de pé. No entanto, uma questão permanecia em aberto: as capas. Richard era responsável por escolher a imagem e adicionar o título. E agora? Como eu assumiria essa tarefa?

Ainda preso na Costa do Marfim, a ideia era aos poucos profissionalizar o programa. E aqui é onde aparece o artista Guto Arrigoni.

O artista

Lembro que cheguei até seu perfil quando Marcos Delacumbre me enviou seu instagram e falou: olha que incrível a arte dessa cara!

Primeira visita a sua terra natal, cidade de Itu, junto com sua parceira Marina, e o filho Augusto na barriga =)

Não deu outra: eu tinha me apaixonado pela sua arte. Na época, enviei uma mensagem dizendo o quanto tinha curtido. E, na busca por como seriam as capas, pensei: será que não daria para as capas dos programas serem na arte que o Guto faz? Não deu outra: fiz a proposta para ele, e até hoje Guto segue sendo parte da identidade do programa—algo que aprofundarei em outra newsletter.

A primeira capa feita por ele foi a do episódio #29 Viagens alucinantes. Recordo com carinho o quanto tinha amado aquela arte, e as tantas outras que viriam.

A relação com o artista

Uma das construções que gosto de reviver é como a relação com, artista foram se alinhando e ficando mais eficientes. Lá nos primórdios, eu e Guto fazíamos uma chamada para que eu pudesse transmitir a ideia do programa. Além disso, eu enviava o material bruto para ele escutar. Era um trabalho extra para a época, se comparado aos modos atuais. Mas necessário para que nos entendêssemos na forma de comunicar.

Hoje, o processo funciona da seguinte forma: eu digo o título do programa e tento passar sua ideia ou essência. Isso ajuda a otimizar o processo e facilita o trabalho do lado de lá. Mas se teve um dia que me marcou no que diz respeito a entender minimamente a cabeça do Guto, foi quando sugerir algo muito do estilo dele, e não deu outra, estávamos mais que alinhados. E numa outra newsletter, retomo a falar sobre como a arte do Guto, ditou a identidade que hoje é a cara do programa.

Leia aqui uma news que escrevi sobre o Guto e sua relação com a arte

O retorno as terras Brasileiras

Aqui vou avançar na história. Já tinha sido repatriado e me encontrava em território nacional. E, como em qualquer retorno—ainda mais depois de quatro anos, somado ao contexto pandêmico—não foi surpresa que meu mental e físico fossem abalados. Junto a isso, vinham os tantos dilemas.

Nesse meio tempo, meu amigo Igor Ivanowsky, com quem conversava durante as viagens e que também gravou vários programas, tornou-se um parceiro no podcast. Ele ajudou na criação do primeiro site (de muitos que viriam depois), contribuiu financeiramente pagando a hospedagem, as artes do programa e outros custos, como o banco de músicas. Aliás, esse foi outro grande marco na trajetória: quando deixei de buscar trilhas gratuitas e comecei a usar as pagas—um salto enorme para a qualidade do projeto. Igor fez parte da história do podcast, tanto como bancada, mas por trás dos bastidores.

Primeira vez que nos vimos na cidade de SP

E entre as mudanças nas gravações, o podcast passou a ser gravado em vídeo. Como era pandemia e todos estavam em casa, ou pelo menos sem grandes deslocamentos, o Wi-Fi já não era um impedimento. Além disso, gravar com a referência visual facilitou a comunicação. Houve também quando gravei presencialmente, e não há sombra que a interação pessoal supera qualquer meio tecnológico.

Registro em Monte Verde, do ep a responsabilidade do criador de conteúdo.

O financeiro e o surgimento da comunidade.

Entre os dilemas do retorno, um dos maiores era: o que vou fazer para ganhar dinheiro? Volto ao meu antigo ofício? Mas eu não gosto dele... Devo “arriscar”, sabendo qual seria meu pior cenário?

Nessa fase, eu já estava quase soltando um áudio gravado em que anunciava o fim do podcast. Esse áudio existe, e eu o guardei como um registro da história do programa.

Por que queria dar fim ao programa? Porque não ganhava nem um centavo pela plataforma. Eu já estava convicto do fim, até porque era insustentável continuar, dado o trabalho de produzir cada episódio sem nenhum retorno. Estava fadado.

Mas se tem algo que a estrada e a vida nos agraciam, são os amigos—aqueles que, quando você está na pior, estão lá para te motivar. Na época, Carol, Tomate, Lanna e Richard moravam sob o mesmo teto. E entre conversas aqui e acolá, não me recordo bem como surgiu, mas veio a ideia de criar um sistema de assinatura para que a galera pudesse ajudar. Isso, pelo menos, cobriria a internet e outros custos do programa.

Registro do primeiro encontro no zoom com os ouvintes

Então gravei um áudio que iria subir no programa falando dessa campanha, enviei pra eles, pra saber o que achavam, e não deu outra: minha gravação de acordo com eles era algo do tipo:

Cainã, teu áudio ta parecendo que o podcast já morreu rs

Lá fui novamente e refiz o áudio, dessa vez empolgado, porém com muito medo.

Medo de não ter nenhum apoiador, pois, em tese, pelas mensagens, eu tinha uma audiência engajada, fiel ao programa. Então, no momento em que lançasse a campanha, seria um fator decisivo para saber se eu continuaria ou não. Até porque, se não houvesse apoiadores, o sentimento de estar sozinho iria aflorar com tudo.

Eu tinha em mente um valor mínimo, pra ser motivo de continuar tentando com o programa. Eram 200 reais. E a campanha em uma semana já tinha batido 800 reais. E assim nasceu a comunidade, como também o incentivo pra continuar com o programa.

Registro do primeiro encontro do podcast em SP no Centro Cultural Vergueiro.

Na próxima newsletter

Breve darei continuidade sobre a história do programa. Na parte 3, falarei mais sobre a comunidade, as conexões e amizades feitas pelo podcast, e se tiver espaço, começarei a falar das marcas e parcerias! E se você leu até aqui, me fala o que tem achado? Saber se está curtindo saber com mais detalhes a história do programa. Valeu!

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Read on cainaito.substack.com

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