A Torá é conhecida da maioria dos cristãos como Pentateuco
Literal: Cinco rolos
Torá: a instrução de Deus para o povo de Israel
Torá = Lei: Septuaginta
Cinco livros de Moisés: não é a autoria, mas sim o personagem mais importante
Na tradição judaica o nome é extraído do primeiro verso
בְּרֵאשִׁית — bereshit — no início
שְׁמוֹת — semot — nomes [dos israelitas no egito]
וַיִּקְרָא — wayyiqra — e chamou [o Senhor a Moisés]
בְּמִדְבַּר — bemidbar — no deserto
הַדְּבָרִים — debarin — palavras [de Moisés a Israel
Usamos os nomes vindos da Septuaginta
Gênesis — criação
Êxodo — saída [do Egito]
Levítico — legislação [dos levitas e sacerdotes]
Números — o censo [dos israelitas]
Deuteronômio — segunda Lei
A origem da Torá é controversa, não há consenso na pesquisa.
A teoria das duas fontes — Javista e Eloísta — é a mais comumente adotada pelos estudiosos
Relata os acontecimentos da origem do mundo até o início da imigração
A revelação de Deus no Sinai é o fio unificador do relato
Primeiro livro da Torá pode ser dividido em três grandes blocos
História das origens: 1 – 11
História dos pais e mães de Israel:
Abraão: 12 – 25
Isaque: 26 – 27
Jacó e Esaú: 27 – 36
A novela de José: 37 – 50
Seguiremos esta divisão, mas antes, você precisa saber que existe uma estrutura própria no livro, chamada fórmula Toledot — תוֹלְדוֹת — sendo as “gerações” que temos no texto.
Composta por duas fontes, sacerdotal e javista, possuí a seguinte divisão
Além da fonte sacerdotal, temos a fonte Eloísta.
Na narrativa, cada patriarca tem seu local de culto. Há uma teoria que aponta para o não ligamento parental entre eles, que teria sido costurado posteriormente.
O termo patriarca não é da época do texto, só foi utilizado pela primeira vez em 4 Macabeus. Em Atos 2.29 Davi é considerado patriarca.
O elemento unificador das histórias de Abraão e Sara, Isaque e Rebeca e Jacó e Raquel é a repetição da bênção, que inclui a promessa da terra.
A síntese de suas histórias está no fato de que a bênção de Deus se impões contra todas as aparências e dificuldades. Por isso que os filhos que não têm direito a herança são os portadores da promessa: Isaque e não Ismael; Jacó e não Esaú; José e não Rúben.
A história de Abraão e Sara
A história de Isaque e Rebeca
A história de Jacó e Raquel
Relato mais recente em relação aos demais. É uma unidade fechada, escrita como uma novela, com uma interrupção apenas: a história de Judá e Tamar (38). Por isso não é incluída no relato dos pais e mães de Israel.
A novela faz a transição com a história do Egito, com objetivo de mostrar que, por detrás da história visível e narrada, está a direção invisível de Deus, que leva tudo ao bom termo.
A novela é uma narrativa de sabedoria: como um sábio se comporta e modo exemplar, colhendo resultados de sua observação e sabedoria. O Egito é geralmente visto de forma positiva.
O nome do livro, como nos foi legado, reflete apenas um dos temas principais do livro: a fuga do Egito. Após ele vem o enorme bloco que transcende o livro do Êxodo: a perícope do Sinai, que vai até Números 10.
Êxodo inicia sua narrativa no âmbito da família de Jacó. No verso 1.9 acontece a evolução de uma narrativa de famílias para de um povo: O rei disse a seu povo: Vejam, agora o povo de Israel é mais numeroso e mais forte que nós. Aqui se inicia a história de dois líderes do povo: Moisés e Arão.
A partir daqui, assim podemos dividir o texto:
A saída do Egito: 1 — 15
Travessia do deserto: 15.22 — 18
A aliança do Sinai: 19 — 24
A construção do tabernáculo: 25 — 31
Ruptura e nova aliança: 31 — 40
A saída do Egito e a Aliança do Sinai são os eixos de interpretação do livro todo.
É em Êxodo, e somente aqui, que o nome de Deus se dá a conhecer. יְהוָה — YHWH, IAVE, JAVÉ — sou o que sou
No Êxodo também temos a instituição da festa da Páscoa, que provavelmente tem sua origem numa festa pastoril e que fora adaptada para o contexto da fuga.
O que comumente chamamos mar vermelho, na verdade, se traduz como mar de juncos, planta que aparenta uma grama enorme, redonda, comum e regiões úmidas.
É singular que o Êxodo registre o cântico de vitória vindo dos lábios de uma mulher, e não dos líderes Moisés e Arão. O cântico de Miriã está entre os mais antigos registros que temos do Primeiro Testamento.
Da evolução do aspecto familiar para o de uma nação, nasce a religião instituída e organizada no meio do povo com leis e ritos.
O livro do Levítico é a continuidade da transmissão da Torá a Moisés, iniciada na segunda metade do livro do Êxodo.
Uma das características fundamentais do livro é seu caráter mais instrutivo que narrativo. Enquanto o Êxodo se propõe a contar a história do povo, Levítico se propõe a ser o conjunto de leis em torno do culto, pureza moral e cultual.
Os assuntos são:
Leis sobre sacrifícios
Para leigos: 1—5
Para sacerdotes: 6—7
Início do culto 8—10
Leis sobre pureza e impureza 11—15
Grande dia da expiação 16
Lei da Santidade 17—26
Juramento e dízimo 27
Tendo sido finalizado no pós-exílio, é singular encontrar as leis do sacrifício na abertura do livro. Pouca informação se tem sobre a prática antes de Israel ser uma nação.
Por isso se segue às normas de sacrifício as leis concernentes ao culto no Sinai.
Para reger o funcionamento da religião, diferenciar o povo de Israel e marcar sua fé, são instituídas as normas de pureza, de onde mais
tarde surgiriam as leis alimentares Kashrut — alimento adequado — e de onde surgirão os alimentos kosher.
Também é no Levítico que se institui o dia da reconciliação e expiação, o Yom Kippur, até hoje o maior feriado judaico.
A Lei da Santidade, ao lado das normas de pureza, constitui o grosso das leis para o povo. Na Lei da Santidade encontramos o embasamento da santidade divina e como o povo deveria ser santo, separado, purificado.
De grande importância é o capítulo 26, que mostra o sentido das normas e aponta para a experiência do exílio como consequência da desobediência: Enfim, porém, meu povo confessará seus pecados e os pecados de seus antepassados por serem infiéis e se oporem a mim. Levítico 26:40
O nome do livro vem do censo israelita feito nos capítulos iniciais
O livro descreve a jornada dos israelitas desde a partida do Sinai até sua chegada à Transjordânia
Três grandes composições são o eixo de leitura do livro:
A história dos espias (13–14)
A narrativa de Balaão (22–24)
Josué é o sucessor de Moisés (27 e 31)
Alguns pontos interessantes do livro que é bom sabermos. Os capítulos 3 e 4 descrevem a função dos levitas e marcam a separação de uma tribo dedicada ao serviço e subordinada à classe de sacerdotes, os aaronitas.
O Capítulo 5 trata de como conseguir um julgamento em caso de adultério. A título de curiosidade mórbida, foi usado como justificativa para a caça às bruxas durante séculos, já depois de Cristo.
No capítulo 6 encontramos a regra do voto nazireu. No 7 os doze chefes tribais oferecem sacrifícios. No 8 a consagração dos levitas. No 9 algumas instruções sobre a Páscoa e as colunas de fogo e nuvem para a partida do povo do Sinai, que se dá no capítulo 10.
Na jornada do Sinai para à terra prometida, temos os relatos de conflitos internos, como a murmuração do povo, rebelião de Corá, Datã e Abirão, idolatria, entre outros.
Nos chama especial atenção a narrativa de Balaão. Em 1967, em Deir Alla, na atual Jordânia, foi encontrada uma inscrição que menciona um vidente chamado Balaam ben Beor. O conteúdo desta inscrição possui afinidades com o relato dos capítulos 23-24. As quatro profecias de Balaão seriam interpretadas pelo judaísmo posterior como messiânicas.
O livro se encerra com os preparativos para a tomada da terra, o que será narrado no livro de Josué
O livro do Deuteronômio possuí características próprias que o diferenciam dos demais livros da Torá.
Seu conteúdo gira em torno do culto único — em um só lugar —, a um só Deus — Javé — e prestado por um povo.
O estilo do texto é de parênese — exortação — escrito quase todo em segunda pessoa, tendo como alvo Israel.
Cinco eixos interpretativos se apresentam para melhor entendermos o texto:
O decálogo, no capítulo 5
שְׁמַע יִשְׂרָאֵל — ouve, Israel — no capítulo 6 e seguintes
A centralização do culto no capítulo 12
O chamado “credo histórico” em 26.5-9
A fórmula da aliança em 26.16-19.
O cerne do livro são os capítulos 12–26. Em torno deles se emolduram a introdução e o fechamento.
É importante notarmos que o cerne do livro, 12–26, pode ser identificado como uma redação mais antiga.
Nos discursos introdutórios, 1–11, encontraremos algumas divergências com Números 10–20. Soma-se a isto recomendações características de um cânon já fechado, como em 4.2 Não acrescentem coisa alguma às ordens que eu lhes dou…
Nos discursos finais temos algumas dificuldades de coerência geográfica, como as referências aos montes Garizim e Ebal, que se encontram fora da terra prometida.
Todas essas inconsistências não invalidam a importância do livro, pelo contrário, são o retrato da época em que o livro foi concluído.
Merece destaque, ainda, as regras em 27, que tentam reger situações que não são passíveis de irem a julgamento público.
O reconhecimento da posição singular de Moisés na história encerra o livro. Nunca houve em Israel outro profeta como Moisés, a quem o SENHOR conhecia face a face.
No próximo texto estudaremos os livros da História Deuteronomista. Seguimos juntos, aprendendo com Jesus a leveza de viver.

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