Participantes: Luciano Rispoli, Ennio Ceccarini e Daria Nicolodi.
Luciano Rispoli: Dario Argento, você é um realizador de gialli...
Ennio Ceccarini: Diria de thriller.
Luciano Rispoli: Ah, de thriller? Há diferença?
Dario Argento: Há notáveis diferenças, porque no giallo se unem muitos gêneros... Porque tudo nasce de um equívoco remoto, que surge nos anos 1930: existiu na Itália uma série de livros que tinham uma cobertura amarela (“giallo”, em italiano), e esses livros eram narrativas de mistério, do tipo “quem é o assassino?”, narrativas de tensão. E naquela época esses livros eram chamados de gialli. Na França, por exemplo, eram chamados de noir, uma vez que a mesma série de livros tinha uma cobertura preta. Na realidade, no giallo é possível reunir muitas ramificações do filme de ação: do policial ao mistério, passando por...
Luciano Rispoli: Podemos tentar fazer uma subdivisão dos filões, se for possível, contando com a colaboração de Daria Nicolodi e de Ennio Ceccarini. Então, quais são os grandes filões em que podemos situar, nós que somos conhecedores do cinema, o filme giallo?
Dario Argento: Essa categoria do filme de ação comporta, de uma parte, o filme policial ou de gângster. Em seguida, há o mistério, que representaria o mecanismo racional que vem da novela inglesa, de Agatha Christie, ou da novela americana, de Van Dine. Ou seja: quem é o assassino, e toda uma série de investigações. Depois do mistério, eu mencionaria o thriller, que é um filão também inserido nesse gênero, mas que tem características muito particulares. O thriller se interessa mais pelas tensões, pelas emoções, e nele há um grande cuidado formal dos tempos e dos episódios narrativos. Em seguida há o conto de espionagem... Não, na realidade o horror...
Luciano Rispoli: Comentemos algo sobre esses dois filões. O conto de espionagem, o que é?
Ennio Ceccarini: O conto de espionagem é um filão que possui antecedentes literários muito importantes. Podemos mencionar alguns títulos de Conrad, ou de W. Somerset Maugham. O conto de espionagem é a história de grandes agentes secretos. Eu diria que, apesar de ter origens tão importantes do ponto de vista literário, o conto de espionagem triunfou nos últimos tempos precisamente por ser a nova figura do detetive que protege uma certa ordem internacional. Então, eu não ia falar, mas é o caso do 007, de James Bond. O exemplo mais famoso continua sendo, contudo, The Spy Who Came in from the Cold, de John le Carré, e os heróis anônimos de Len Deighton. E, claro, há o outro lado sarcástico da moeda: o agente Flint, Our Man in Havana etc.
Luciano Rispoli: E quanto ao horror?
Dario Argento: No horror, podemos incluir filmes adaptados das obras-primas da literatura gótica... Frankenstein... Parece-me que The Monk, não sei se chegaram a realizar um filme a partir de The Monk... De todo modo: Dracula, The Mummy e todo o resto.
Luciano Rispoli: Talvez devamos aos nossos espectadores um esclarecimento sobre a razão de escolhermos uma sequência deste filme de Fritz Lang, o Dr. Mabuse, para abrir a nossa conversa dedicada ao giallo no cinema. Porque Lang é talvez o primeiro, e se não o primeiro, o mais importante entre os primeiros...
Dario Argento: Bem, Lang vinha da grande corrente expressionista, e fazia um filme que unia... Vimos um trecho, um trecho belíssimo em um carro, sensacional, uma das coisas mais belas... Junto com ele, alguns anos antes, alguns anos depois, e contemporaneamente, havia D. W. Griffith nos Estados Unidos, que já estava experimentando essas técnicas... Porque o suspense é um gênero eminentemente cinematográfico. Isto quer dizer que no papel é difícil de se exprimir com o suspense. Portanto, romances de suspense também são raros, porque são compostos por uma montagem de tempo, de mecanismos e de situações que precisam ser capturados pela câmera — ou seja, é muito subjetivo, não objetivo. No sentido de que não é o fato em si que importa, mas sim como o fato é representado. Então: isso é o suspense, e isso também é a emoção.

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