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Deve essere più buttato lì · Aug 17, 2026

Curso online "Dario Argento: crítica, modernismo e cinema de gênero"

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Bruno Andrade · Deve essere più buttato lì

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Em Roma frequentei o Filmstudio. Era um lugar muito excitante para um entusiasta do cinema. Eu via de tudo. Cinema alemão, cinema francês... Cinema russo também, pelo qual eu era apaixonado. Dziga Vertov, o Kino-Glaz. E Eisenstein, fascinante.

Uma das coisas que mais me impressionou, além da mostra de filmes de terror no Metropolitan, além de Hitchcock e Visconti, foi Kino-Pravda de Vertov. A história é pura aventura, ação em estado puro. Com meios muito simples consegue comunicar emoções visuais muito profundas.

Era difícil ver os filmes de Andy Warhol na Itália. Eu só podia vê-los mais tarde, com exceção de Empire, que vi no seu lançamento. É um dos filmes fundamentais da minha vida. Eles o programaram em uma edição do festival de Pesaro, não me lembro exatamente do ano, mas foi na segunda metade dos anos 1960. Eu fui porque havia muitos filmes de vanguarda impossíveis de serem vistos nos cinemas normais. Então lá estava eu, na frente de um filme de Warhol pela primeira vez. A câmera é fixa e enquadra o arranha-céu do Empire State Building em Nova York. Foi como um sonho. A certa altura da projeção, depois de talvez meia hora, em um silêncio absoluto, uma gaivota passa em frente ao Empire. Houve uma espécie de onda de emoção que passou entre a plateia e explodiu em fervorosos aplausos. Emoção pura. Como um homicídio em um thriller, uma inundação, um terremoto.

(…)

Se você não se deixa condicionar pela ideologia e tenta começar a raciocinar, mesmo se for muito jovem, se for um garotinho de 15, 18 anos, compreenderá as coisas instintivamente. De um lado há um produto de propaganda, filmes tristes, escuros, falsos, uma espécie de império do mal; do outro lado está a Disneylândia, as pradarias, Hitchcock, o mistério, a aventura, o encanto e a maravilha. E também o sobrenatural, a ficção científica, os vampiros. Christopher Lee com a boca ensanguentada. Aquele vermelho, aquelas cores saturadas e violentas. Imagens fortes, sonhos... É uma diferença real, que se sente na pele. Uma coisa muito simples e imediata.

(Entrevista realizada por Daniele Costantini e Francesco Dal Bosco para o livro Nuovo cinema inferno. L'opera di Dario Argento. Pratiche Editrice: Milão, 1997.)

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