Nesta semana, trouxe todo o meu time para passar quatro dias juntos em São Paulo.
Como trabalhamos de forma remota e temos gente espalhada por diferentes lugares do Brasil, reunir todos presencialmente não é algo simples. São várias passagens aéreas, hotéis de alto padrão, restaurantes, transporte e toda a estrutura necessária para que o time possa passar esses dias junto.
É um investimento grande e, olhando apenas para os custos, alguém poderia até se perguntar se realmente vale a pena. Eu também já pensei sobre isso. Mas, depois desses quatro dias, fiquei ainda mais convicto da resposta.
Na sexta-feira, começamos com um jantar especial. Conversamos sobre o que construímos até aqui, falamos sobre o futuro e fiz uma premiação para reconhecer alguns dos destaques do time.
No sábado, as gerentes acompanharam parte do Encontro de Mentores da MLS e tiveram contato com um evento e um ambiente diferentes daqueles que fazem parte da nossa rotina.
No domingo, encerramos o fim de semana juntos no MLS Festival, no estádio do Palmeiras, em um evento para mais de 30 mil empresários. Para alguns deles, muitas das experiências daqueles quatro dias eram completamente novas.
Durante o fim de semana, fui observando as reações, as conversas e até pequenas mudanças na forma como o time enxergava algumas coisas.
E isso me fez pensar bastante sobre liderança.
Separei dois aprendizados que ficaram ainda mais claros para mim nesses quatro dias.
Durante muito tempo, fui melhor em identificar o que precisava melhorar do que em reconhecer aquilo que já estava sendo bem feito, e acredito que isso aconteça com muitos líderes.
Já aconteceu comigo de ter alguém no time que, na minha percepção, estava indo muito bem. Na correria da operação, eu continuava dando os feedbacks necessários sobre aquilo que poderia melhorar, mas falava pouco sobre tudo o que ela já estava fazendo bem.
Até que, certo dia, ela veio conversar comigo um pouco desmotivada e disse que sabia que precisava melhorar, que queria muito continuar conosco e que entenderia caso eu concluísse que não era a profissional certa para aquela função.
Aquilo me surpreendeu porque, na minha cabeça, ela era uma das melhores do time. O problema não estava nos feedbacks, que eram importantes para o desenvolvimento dela. O problema era eu imaginar que ela sabia o quanto eu valorizava seu trabalho sem que eu precisasse dizer nada.
Desde então, comecei a ser mais intencional com o reconhecimento, sem deixar de corrigir e direcionar quando necessário. Afinal, acredito que um bom líder precisa fazer as duas coisas: mostrar onde existe espaço para evoluir e também deixar claro quando algo está sendo bem feito.
Às vezes, o reconhecimento acontece de maneira simples, como um comentário positivo durante uma reunião ou uma comemoração no grupo quando alguém apresenta uma evolução nos resultados. Mas também comecei a criar formas mais estruturadas de reconhecer quem está fazendo um bom trabalho.
A premiação de sexta-feira foi uma delas.
Fiz questão de não apenas entregar o reconhecimento, mas explicar por que cada um estava recebendo aquilo e quais esforços e resultados eu tinha observado ao longo dos últimos meses.
Acredito que esses momentos importam porque, quando um líder reconhece publicamente determinado comportamento, não está apenas valorizando quem recebe o reconhecimento. Também está mostrando para todo o time: é isso que queremos ver mais vezes por aqui.
E percebi naquele jantar algo que passei a valorizar cada vez mais: reconhecer não diminui a ambição. Pelo contrário, quando alguém percebe que seu esforço está sendo visto, muitas vezes ganha ainda mais vontade de crescer e entregar.
Durante todo o fim de semana, tentei transformar as experiências que estávamos vivendo em aprendizado para o time.
Um dos meus objetivos ao organizar esses quatro dias era proporcionar experiências de um nível diferente, desde os hotéis e restaurantes até os eventos e ambientes aos quais eles tiveram acesso.
Não porque luxo, por si só, desenvolva alguém, mas porque acredito muito no poder das referências. Quando você entra em um ambiente diferente, observa uma execução melhor e começa a reparar em detalhes que antes passariam despercebidos, sua percepção do que é possível muda e, consequentemente, sua régua também muda.
No sábado, por exemplo, durante o Encontro de Mentores, sentei para almoçar com duas das nossas gerentes e comecei a conduzir a conversa para aquilo que elas estavam observando. Perguntei quais detalhes aumentavam a percepção de valor, o que estava sendo feito de uma maneira diferente e o que poderíamos levar daquela experiência para o nosso dia a dia.
Meu objetivo não era que elas apenas gostassem da experiência, mas que aprendessem com ela.
Acredito que uma das responsabilidades de quem lidera é justamente aumentar a régua de quem está ao seu redor. Não apenas ensinar uma nova técnica, dar feedback ou cobrar um resultado melhor, mas também expor o time a referências que mostrem que existe outro nível possível.
É muito difícil buscar um padrão que você nunca viu.
Por outro lado, quando você experimenta algo melhor, observa de perto uma execução excelente e entende os detalhes que fazem aquilo funcionar, fica mais difícil voltar para casa e aceitar o mesmo nível de antes.
E foi muito interessante observar isso acontecendo ao longo dos quatro dias. A cada nova experiência, surgiam comentários, ideias e conversas sobre coisas que poderíamos fazer melhor no nosso próprio trabalho.
Amanhã, todos voltam para suas casas, em diferentes lugares do Brasil, e retomamos a nossa rotina online. Mas tenho certeza de que voltamos diferentes e de que esses quatro dias serão um marco para nós.
Reforçamos nossa conexão, reconhecemos o que já construímos, aumentamos nossas referências e saímos com mais fome para conquistar o que ainda está pela frente.
Talvez muitos detalhes sejam esquecidos, mas acredito que aquilo que vivemos juntos vai permanecer. É por isso que hoje valorizo tanto investir em pessoas. Liderar não é apenas ensinar, cobrar ou acompanhar resultados, mas também criar momentos para reconhecer o esforço, alinhar a direção, ampliar referências e fazer o time enxergar um futuro maior.
Tenho convicção de que tudo isso vale a pena e vai se refletir na nossa performance. No fim, passagens, hotéis, restaurantes e eventos são apenas o meio. O verdadeiro investimento está no desenvolvimento que essas experiências geram nas pessoas e na empresa que estamos construindo juntos.
Por isso, deixo a seguinte provocação:
O quanto você tem investido, de forma intencional, em reconhecer quem está construindo ao seu lado e aumentar a régua do que essas pessoas acreditam ser possível?
Um forte abraço e até a próxima semana,
Brenno Augusto

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