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Brenno Augusto · May 18, 2026

Sunday Notes 69: Um conceito poderoso sobre modelo de negócios

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Aos meus 16 anos, quando decidi encerrar minha carreira no futebol e seguir o caminho dos negócios, mesmo com um contrato assinado na base do Benfica, comecei a desenvolver um hábito que carrego até hoje: analisar modelos de negócio o tempo todo.

Aos meus 16 anos, quando decidi encerrar minha carreira no futebol e seguir o caminho dos negócios, mesmo com um contrato assinado na base do Benfica, comecei a desenvolver um hábito que carrego até hoje: analisar modelos de negócio o tempo todo.

Bastava entrar em qualquer restaurante, loja, academia ou hotel que minha cabeça começava automaticamente a fazer contas. Eu tentava imaginar quanto aquele lugar faturava, quais eram os custos, a margem, o tamanho da estrutura e o nível de complexidade do negócio.

Depois da escola, eu acompanhava meu pai em suas reuniões, viagens e encontros de negócios. Na época em que ele era dono do Orlando City SC, por exemplo, eu participava de reuniões da Major League Soccer com outros donos de clubes e também comecei a almoçar com diretores das empresas dele.

Eu lembro de ficar sentado ouvindo aquelas conversas e observando como cada executivo enxergava a empresa de uma forma diferente. O diretor financeiro falava de margem e caixa. O comercial falava de metas e crescimento. O operacional falava de eficiência e processos. E, quando oportuno, eu fazia perguntas sobre tudo.

Aos poucos, comecei a enxergar que uma empresa funciona como uma máquina, onde cada peça tem um papel específico e impacta diretamente o resultado final.

E, como eu já tinha o hábito de comparar negócios o tempo inteiro, comecei a perceber outra coisa: algumas máquinas eram muito melhores do que outras.

Algumas máquinas você coloca esforço, energia, capital e tempo… e o que sai do outro lado é prejuízo. Outras, o que sai é um resultado pequeno. Enquanto isso, existem algumas máquinas que, com o mesmo input, conseguem devolver um resultado 10, 100 ou até 1000 vezes maior.

No fim, aquilo que eu enxergava como uma máquina tinha um nome: modelo de negócio.

Eu lembro de uma frase que meu pai me falou muitos anos atrás e que ficou marcada na minha cabeça:

“Enquanto uma pessoa boa em um modelo de negócio ruim tem resultados medíocres, uma pessoa mediana em um modelo de negócio bom tem resultados extraordinários.”

Com o tempo, comecei a observar isso na prática.

Muita coisa aconteceu desde aquela época. Continuei curioso, observando empresas, trabalhando, aprendendo na prática e tentando entender cada vez mais a lógica por trás dos negócios. Passei por diferentes empresas na área de marketing, vivi operações na prática e fui desenvolvendo cada vez mais essa visão analítica sobre modelos de negócio.

Até que, no começo de 2024, surgiu a oportunidade de entrar ainda no começo de um projeto recém criado chamado Doc4u, uma empresa de educação empresarial para médicos, onde hoje sou sócio minoritário e CMO.

Na época, a empresa ainda era pequena, mas uma coisa me chamou muita atenção desde o início: o modelo de negócio.

Eu enxergava uma máquina muito bem montada, com potencial de escala, margens altas, baixo custo operacional e muito valor percebido pelo cliente. E foi justamente essa combinação, junto da qualidade dos sócios, que me fez apostar e entrar com tudo no projeto.

Hoje, olhando para trás, vejo como um bom modelo de negócios fez diferença. Em menos de quatro anos, o Doc4u ultrapassou R$100 milhões em vendas com margens robustas.

Ver a evolução do Doc4u na prática, reforça uma percepção que começou lá atrás, ainda aos 16 anos: existem máquinas melhores do que outras.

No fundo, tudo isso que eu falei pode ser resumido em um conceito simples que aprendi há alguns anos atrás e que quero compartilhar com você hoje: a matriz de esforço versus resultado.

Antes de começar qualquer novo projeto, eu tento entender em qual quadrante da matriz ele se encaixa.

Para me ajudar nesse discernimento, faço algumas contas simples no Excel. Conta de padeiro mesmo.

Quanto retorno esse projeto pode gerar? E quanto ele vai exigir de mim?

Porque, no fim, todo negócio tem risco, mas nem todo risco vale a pena.

Muitas vezes, a gente quer começar alguma coisa porque parece legal, divertido ou porque existe paixão envolvida. Só que existe uma diferença muito grande entre negócio, hobby e caridade. Em um negócio, o foco precisa ser o retorno financeiro.

E quanto mais o tempo passa, mais eu percebo que a vida é curta demais para gastar tempo com máquinas ruins. Todos nós temos tempo limitado e, no fim, o que buscamos é colher. Queremos ter mais tempo com a família, liberdade, experiências e a recompensa do esforço investido.

Por isso, antes da empolgação da “grande ideia” e daquela pressa para começar, vale analisar com calma onde esse modelo se encaixa na matriz do esforço versus resultado. Porque, às vezes, uma ideia boa ainda não é boa o suficiente para valer a pena.

Fica a reflexão.

Um forte abraço e até a próxima semana,
Brenno Augusto

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Se você gostou desse texto, leia também: Sunday Notes 38: Sobre Modelos de Negócio.

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