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Brenno Augusto · Apr 6, 2026

Sunday Notes 63: 30 dias sem falhar

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Brenno Augusto · Brenno Augusto

Na quarta-feira dessa semana, chamei todo o time para uma reunião e disse: “tive uma ideia.”

Na hora, deu para notar a curiosidade de todos. Quem trabalha comigo sabe que esse tipo de frase normalmente vem acompanhado de alguma nova ação de marketing, ajuste de rota ou meta mais agressiva.

Todos esperavam por isso, mas dessa vez foi diferente. Propus um desafio: treinar todos os dias no mês de abril.

A gente trabalha 100% online, passa boa parte do dia focado em meta, resultado, execução. E, mesmo sendo importante, o exercício físico não costuma receber o mesmo nível de disciplina e consistência que a gente aplica no trabalho.

O time já gostava e se exercitava, mas, no meio da correria, isso acabava não sendo prioridade e ia sempre ficando para depois.

E, pessoalmente, eu já queria intensificar meus treinos nas últimas semanas e achei que fazia sentido puxar o time junto. A ideia não era impor nada, mas sim criar um movimento coletivo, onde cada um estaria junto se ajudando e motivando.

Olhei pra eles e falei:

“Esse mês, a gente vai treinar todos os dias.”

Silêncio.

Aí alguém perguntou, meio rindo, meio sério:
“Isso é pegadinha de primeiro de abril?”

Eu dei um sorriso e disse que estava falando sério. Expliquei que quem quiser entrar nesse movimento, iria entrar para valer. Teria um tempo mínimo diário de treino do exercício que quisesse. Além disso, precisava ter “prova”. Foto, relógio, qualquer registro que mostrasse que foi feito.

Sem espaço para desculpa.

Deu para sentir um certo impacto inicial. Afinal, não era um convite leve.

Mas, no final, todo mundo topou. Criei um grupo no Whatsapp com o nome “Abril de Ferro” e já no primeiro dia o grupo começou a bombar com treinos. Virou incentivo, troca, um puxando o outro, mandando vídeos, áudios e figurinhas. Uma vibe leve, mas também comprometida.

E o mais interessante: até agora, todo mundo do time está cumprindo, mesmo no feriado.

Estamos apenas na primeira semana, mas já foi o suficiente para trazer alguns insights que vão além de treino ou saúde:

Um bom exemplo disso é a Copa do Mundo. Tem gente que nem gosta tanto de futebol, mas quando chega, começa a assistir jogo, acompanhar resultado… e até comprar figurinha.

Com os nossos treinos foi parecido. Com o movimento “Abril de Ferro”, o treino virou algo coletivo e ganhou outra dimensão de interesse. Já no primeiro dia, todo mundo entrou no ritmo.

Um bom movimento deixa de ser algo que você precisa se convencer a fazer e passa a ser algo que você quer acompanhar e fazer parte.

Em um ambiente onde ninguém treina, faltar passa batido. Mas quando todo mundo treina, faltar começa a te incomodar. Você abre o grupo e todo mundo tá treinando, cumprindo, evoluindo…

A verdade é que o ambiente redefine o normal. E no nosso grupo, treinar virou básico, tipo escovar os dentes. Você não pensa, só faz.

Quando você assume um compromisso que vai treinar, tudo muda. Existe um peso em dar a palavra, e ninguém quer ser aquele que não cumpriu o que disse que iria fazer. No trabalho, já vivemos isso com as nossas metas semanais. Nesse movimento foi a mesma lógica com os treinos.

Os melhores times constroem algo que vai além do trabalho. Existe uma camada que não aparece nos números.

Esse movimento de treino deixou isso claro. Não era sobre meta nem resultado direto, mas sobre fazer algo juntos, fora do trabalho.

É sobre se importar de verdade com as pessoas. Aprendi muito desse estilo vendo meu pai liderar. Ele cria relações genuínas, entende o que move cada um e constrói um ambiente onde as pessoas querem estar, crescer e performar ao lado dele por décadas.

Esse movimento deixou algo muito claro para mim.

Todo mundo já sabia que treinar era importante e, mais do que isso, sabia o que fazer. Não era algo complexo. 20, 30 minutos bem feitos, uma caminhada, um treino simples… já têm um impacto muito positivo na saúde.

Mesmo assim, ainda travamos. Não por falta de informação, mas porque, muitas vezes, o que falta é a decisão.

No fim, muitas vezes o que falta não é saber mais. É parar de complicar e fazer o simples, bem feito, todos os dias.

E isso serve para tudo.

Movimentos provocam algo poderoso: tiram do automático, eliminam desculpas, e mostram, na prática, que somos capazes de muito mais.

Mas isso não acontece por acaso. Começa no líder.
Então fica a pergunta: você está criando um movimento com o seu time ou só seguindo no automático?

Me conte nos comentarios.

Um forte abraço e até a próxima semana,
Brenno Augusto

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Read the original on brennoaugusto.substack.com

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