É preciso falar e repetir quantas vezes forem necessárias: nosso corpo não é propriedade pública, mercadoria, nem objeto de consumo.
Um homem de 35 anos casado com uma menina de 12 anos foi absolvido pela justiça; uma adolescente de 17 anos foi estuprada por 4 homens jovens; uma freira de 82 anos foi estuprada e assassinada dentro de um convento. Essas são algumas das notícias brutais já nos primeiros dias de março.
Esses casos representam apenas uma pequena fração da violência sofrida pelas mulheres no Brasil, país em que uma mulher é assassinada a cada 10 minutos. E estuprada a cada 6 minutos!
Segundo dados do Relatório Anual de Feminicídios no Brasil 2025, o país registrou 6.904 vítimas de casos consumados e tentados de feminicídio em 2025. Foram 4.755 tentativas e 2.149 assassinatos!
Por trás de cada estatística há uma vida interrompida, uma família devastada, um futuro que não aconteceu.
O feminicídio é o crime de assassinar uma mulher em razão de seu gênero; como gênero é uma categoria social, e não biológica, isso significa que os papéis, identidades e relações de gênero são os principais fatores que levam um agressor, geralmente um homem, a matar uma mulher. O feminicídio é um crime violento que as Nações Unidas consideram uma epidemia global, afetando todos os países do mundo.
Outro dado que escancara a dimensão da violência contra as mulheres aparece no Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025: em 2024, foram registrados 87.545 casos de estupro no país.
Publicado anualmente em julho, o relatório reúne e analisa dados oficiais das secretarias de segurança pública de todo o Brasil referentes ao ano anterior — e revela, em números, uma realidade alarmante que segue se repetindo.
66% dos casos ocorreram dentro de casa;77% das vítimas tinham menos de 14 anos;
88% das vítimas eram do sexo feminino.
Para tentar não virar mais um número nas estatísticas, aprendemos desde cedo a criar estratégias de sobrevivência: segurar a chave entre os dedos na volta pra casa, compartilhar a localização em tempo real, fingir uma ligação no elevador…
Vivemos fazendo cálculos silenciosos o tempo inteiro: qual rua pegar? Dá para voltar sozinha? Será que uso essa roupa?
Essa vigilância permanente não é cuidado, é exaustão! É o peso diário de ter que administrar o risco de ser mulher e de querer apenas conseguir chegar em qualquer lugar em segurança.
E esse medo não é exagero! 97% das brasileiras dizem ter medo de sofrer violência sexual, segundo pesquisa do Instituto Patrícia Galvão em parceria com o Instituto Locomotiva. Em um país onde o sistema jurídico e social muitas vezes falha em proteger e acolher, muitas de nós ainda têm dificuldade até de reconhecer quando estão vivendo uma situação de abuso.
E viver com medo constante é um abuso, abuso normalizado pela sociedade, pela justiça, pelo Estado, por homens, por jovens que mal saíram da adolescência e estão violentando mulheres.
Mas também é preciso dizer o óbvio: a misoginia e o machismo não são natos, tampouco surgem do nada. São alimentados por algoritmos, por discursos públicos violentos e por um modelo de masculinidade que ensina dominação como identidade.
Meninos cada vez mais jovens consomem conteúdos embalados como “verdades sobre relacionamentos”, discursos que na prática ensinam algo muito mais perigoso: que mulheres são inimigas, que afeto é fraqueza e que masculinidade se mede por controle, dominação e conquista.
Esse tipo de narrativa também se apoia em uma cultura que ainda insiste em questionar a vítima e relativizar a violência. Mas é preciso gritar cada vez mais alto: a mulher nunca é culpada pela violência que sofre! Não importa a roupa, o lugar, a hora ou a companhia.
A violência acontece porque existem homens que acreditam ter direito sobre o nosso corpo, o nosso tempo e a nossa liberdade.
Até quando a sociedade vai continuar produzindo meninos que aprendem que mulheres são algo a ser conquistado, dominado ou punido? Aprendam: o NÃO de uma mulher não é negociável. É uma resposta final. O corpo de uma mulher não é território de disputa.
Também é fundamental disputar narrativas, cobrar regulação das plataformas como Instagram, TikTok e YouTube que ainda permitem conteúdos que incentivam misoginia, violência ou assédio. Combater essa cultura não é censura, é responsabilidade coletiva.
Cada vez que a misoginia é tratada como “opinião”, mais meninos são treinados para se tornarem homens que não enxergam mulheres como pessoas. E nenhuma sociedade pode aceitar continuar formando gerações inteiras de homens violentos e desumanizados.
Por mais que canse, é preciso falar sobre isso todos os dias. Porque enquanto a violência contra as mulheres for tratada como estatística e não como emergência estrutural, o risco continuará sendo parte do nosso cotidiano. E ficar em silêncio é ser aliada da impunidade!
Disque 180 para denunciar!
Compartilhe esse post com as mulheres e também com os homens.
Essa conversa precisa estar em todos os lugares!

Comments
Nothing yet. Say the first thing.
Sign in to join the conversation.