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bonita de pele · Mar 18, 2026

A estética do cigarro está de volta

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Por: Aline Gomes

Não é só na capa da Vanity Fair, com a Kylie Jenner fumando um cigarrinho. A rebeldia contra o movimento do bem-estar forçado (que às vezes pode até ser tóxico) tem levado alguns jovens a ressignificar o fumar como símbolo de desapego e abandono da perfeição.

Basta sair à noite, é bem provável você encontrar personagens da Gen Z com um pacote de tabaco nas mãos.

ATENÇÃO! Esse conteúdo não é uma apologia ao cigarro, muito pelo contrário! O tabagismo mata mais de 8 milhões de pessoas por ano no mundo — cerca de 7 milhões de fumantes diretos e 1,3 milhão de fumantes passivos.

Inclusive, temos um episódio no podcast sobre o tema com a Dra. Marina Paiva, pneumologista pela Universidade de São Paulo e membro da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia, que fala sobre o aumento de problemas respiratórios graves e complicações pulmonares entre os mais jovens.

A ideia aqui é entender por que fumar voltou a ser “hype” em alguns contextos culturais.

O Style Analytics, conta do Instagram que compartilha insights baseados em dados sobre a indústria da moda, destacou um aumento expressivo nas buscas por “pose de fumar” no Pinterest, especialmente entre pessoas de 18 a 24 anos nos Estados Unidos, indicando um interesse crescente por essa estética nas redes.

Segundo o perfil, o cigarro tem voltado a aparecer na cultura pop muito mais como um elemento estético do que como hábito em si. Celebridades e pessoas ligadas à moda vêm posando fumando em fotos, festas e editoriais, criando uma imagem mais rebelde e despreocupada.

O bem-estar é uma indústria que movimenta cerca de US$ 5,6 trilhões por ano no mundo. Trilhões! Um universo repleto de informações, rotinas e regras que, às vezes, se tornam opressivas.

Cuidar da saúde, criar rituais de autocuidado e ficar atenta na alimentação, melhoram as nossas vidas, mas muita gente se sente exausta, confusa e até financeiramente esgotada na busca pela rotina “perfeita”.

Perfis nas redes sociais jogam na nossa cara restrições e listas intermináveis de tarefas que supostamente levam a uma vida mais saudável: comprar um relógio pra monitorar o sono, acordar às 5 da manhã pra correr, tomar shot matinal, cortar o açúcar e o glúten, beber colágeno e bater a meta de proteína em todas as refeições… beber café? Nem pensar!

Pra quem pesquisa cultura e comportamento, ele aparece como parte de um clima geral de desencanto, uma sensação de que certos projetos de vida parecem cada vez mais distantes.

E que aquela ideia (da época de nossos pais) de que qualquer pessoa, independentemente de sua origem, pode alcançar sucesso, prosperidade e mobilidade social através de trabalho árduo, já caiu por terra pra muita gente.


Diante da avalanche de conteúdos que mostram vidas perfeitas, corpos magérrimos, peles luminosas e cabelos impecáveis dominando as redes sociais, começa a surgir uma reação perceptível, ao menos no ambiente online, de ir contra essa estética de perfeição e disciplina constante.


O cigarro volta como um gesto que expressa esse estado de espírito
: uma mistura de desilusão com as promessas de futuro, um chega pra lá nas regras e uma vontade de aproveitar o agora, mesmo que de forma errada.

Apesar de todo esse imaginário que volta aparecer nos editoriais de moda e nas redes sociais, é sempre bom lembrar que o cigarro continua sendo um vício associado a inúmeros riscos à saúde.

O tabagismo é uma das principais causas evitáveis de doenças no mundo, ligado a problemas cardiovasculares, respiratórios e a diferentes tipos de câncer. Uma coisa é analisar o significado cultural e estético que o cigarro volta a ganhar em certos contextos; outra, bem diferente, é ignorar seus impactos reais.


Talvez esse hype do cigarro possa ser lido não como um convite pra abandonar o cuidado com a saúde, mas como uma forma de rejeitar a ideia de que viver precisa ser impecável, caro e cheio de regras.

No fundo, o que aparece por trás desse movimento é o desejo de se afastar da pressão de performar uma vida perfeita o tempo todo.

O Ministério da Saúde, por meio do INCA e do SUS, promove o Programa Nacional de Controle do Tabagismo, oferecendo tratamento gratuito para parar de fumar. Ligue 136!

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Read the original on bonitadepele.substack.com

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