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bonita de pele · May 25, 2026

43% dos atendimentos por problemas de apostas no SUS são de mulheres*

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Por: Jana Rosa e Aline Gomes

Dívidas, empréstimos, pedidos de demissão pra tentar reorganizar a vida financeira, conflitos familiares, divórcios e consequências ainda mais graves, como ansiedade, depressão e outros sofrimentos psíquicos. Essas são algumas consequências vividas por pessoas que enfrentam problemas decorrentes de jogos de apostas após a expansão acelerada das bets nos últimos anos.

A explosão das bets também escancara uma dinâmica muitas vezes invisível: embora os homens sejam o principal alvo do marketing das plataformas e ainda representem o perfil predominante dos apostadores, as consequências do vício frequentemente atravessam a vida das mulheres dentro de casa, seja no endividamento da família, na sobrecarga emocional ou na instabilidade financeira.

Segundo dados do Ministério da Saúde, em 2024, 43% dos atendimentos no SUS relacionados a jogos de apostas foram de mulheres. E tem mais: a maior parte dos casos acontece entre pessoas de 20 a 49 anos, justamente a faixa etária economicamente ativa, aquela que trabalha, sustenta casa, paga boleto e, muitas vezes, acaba entrando numa espiral difícil de sair.

Uma pesquisa inédita da Fundação Getulio Vargas (FGV), divulgada no ano passado com base em dados do IBGE, revelou que mais de 41 milhões de domicílios brasileiros têm mulheres como principais provedoras da casa. Na prática, isso significa que, a cada 100 lares no Brasil, 52 são chefiados por mulheres. Dado bem importante para entender como o endividamento causado pelos jogos de apostas gera impactos emocionais e na dinâmica da família.

O impacto das bets vai muito além dos boletos bancários das famílias brasileiras... Um documento publicado em 2025 pelo Ministério da Saúde, em parceria com a Fiocruz, alerta que o transtorno do jogo (também chamado de ludopatia) pode atravessar várias áreas da vida.

Alguns sinais que merecem atenção:

  • Precisar apostar valores cada vez maiores para sentir a mesma emoção;

  • Dificuldade de parar, mesmo querendo;

  • Ansiedade, irritação ou angústia ao tentar interromper as apostas;

  • Esconder ou mentir sobre o dinheiro gasto;

  • Fazer empréstimo para continuar jogando ou pagar dívidas do jogo;

  • Entrar na lógica de “apostar mais pra recuperar o prejuízo”;

  • Impactos no trabalho, nos estudos e nos relacionamentos.

Existe ainda um fator bastante preocupante nessa conversa: a violência doméstica pode se intensificar em dias de jogos importantes.

Estudos acadêmicos e dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram que ameaças e agressões contra mulheres aumentam em dias de partidas de futebol, especialmente quando times locais entram em campo. As ameaças crescem cerca de 23,7%, enquanto os casos de lesão corporal dolosa sobem 20,8%.

E o que isso tem a ver com as apostas?

A combinação entre desigualdades nas relações, consumo de álcool, frustração emocional e perdas financeiras com as bets pode intensificar comportamentos agressivos e situações de violência dentro de casa. E o jogo online pode funcionar como um agravante em relações que já carregam dinâmicas de controle, abuso e desigualdade.

Ligue 180 - Central de Atendimento à Mulher (funciona 24h, é gratuita e pode ser feita de forma anônima)
Em caso de emergência, ligue 190
Também é possível buscar ajuda na Delegacia da Mulher, unidades de saúde, CRAS, CAPS e canais oficiais de proteção.

Vale também um lembrete importante: problemas com jogos de apostas é uma questão de saúde mental, não “falta de controle” ou “fraqueza”. A boa notícia é que já existem caminhos gratuitos de cuidado no SUS! Hoje, a rede pública oferece teleatendimento gratuito para pessoas com problemas relacionados a jogos e apostas.

•⁠ ⁠Fazer um autoteste de risco;
•⁠ ⁠Receber orientações sobre jogo problemático;
•⁠ ⁠Encontrar a Unidade Básica de Saúde e CAPS mais próximos;
•⁠ ⁠Acessar atendimento psicológico especializado por vídeo.

As consultas duram, em média, 45 minutos e podem fazer parte de um acompanhamento estruturado, com encaminhamento para outros serviços da rede pública de saúde, como CAPS e atendimento em saúde mental, quando necessário.

Outra ferramenta importante é a Plataforma de Autoexclusão, que permite bloquear voluntariamente, por 1 a 12 meses ou até por tempo indeterminado, o acesso a sites de apostas legalizados no Brasil.

Além de impedir novos cadastros vinculados ao CPF, a ferramenta também bloqueia o recebimento de publicidade das plataformas. O serviço está disponível no portal do Ministério da Fazenda.

Problemas com apostas não precisam ser enfrentados sozinha. Informação, acolhimento e tratamento fazem diferença, e pedir ajuda não é fracasso, é cuidado.

Saiba mais em gov.br/bets e no novo episódio do podcast do Ministério da Saúde. Apresentado pelo ministro Alexandre Padilha, com participação de Jana Rosa e do médico psiquiatra Dr. Fernando Fernandes. Vem assistir aqui! 📺

*Dados de 2024 do Ministério da Saúde somando os atendimentos em UBS e no Caps.
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