nas edições anteriores
#302 | Os oráculos da timeline
#303 | Marcas multiespécie
tempo de leitura: 5 minutos
para entender
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Já vai fazer dois anos que a expressão “o offline é o novo luxo” se disseminou pela internet. Ora como análise de tendência, ora como sinalização de virtude.
Nós também somos um pouco culpados disso:
Em janeiro de 2025, prestes a lançar a primeira edição da nossa revista impressa, estávamos mergulhados no “offline”. E não só a gente.
Foi um verão em que muita gente procurou desconectar, e assim seguiu pelas estações. De câmeras analógicas a aulas de cerâmica, palavras cruzadas, telefones fixos… Todo tipo de estratégia (e produto) foi surgindo para ajudar.
Começando, inclusive, pelas marcas de luxo. Porque não é uma coincidência que este seja o adjetivo mais utilizado ao lado da palavra “offline”. Tanto porque o “luxo” é mais valioso e raro, quanto porque ele é aquilo que foge do comum.
Quando uma estética ou comportamento se torna o básico, aquilo que todo mundo tem, beirando até o “brega” - performar superioridade intelectual e social é se afastar dela.
(A relação entre consumo e performance social está super bem explicada em Coisa de Rico, de Michel Alcoforado).
Se nos últimos anos o comum é ser hiperconectado, cronicamente online e passar incontáveis horas arrastando para cima imóvel, o que passa a comunicar luxo e status é desconectar.
Ler livros de verdade, fazer atividade física ao ar livre, acessórios tecnológicos mais vintage, encontros para discutir temas específicos, o resgate dos hábitos e atividades sociais das avós (do tricô ao nonna-maxxing)…
É por essas e outras que a Miu Miu tem um clube do livro, a Bottega Veneta lançou um jogo de Jenga, a Prada fez uma floricultura e as marcas de luxo têm disputado espaço para fazer ativações nos grandes torneios de tênis pelo mundo.
O offline se tornou, sim, sinônimo de luxo.
Mas não pára por aí.
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O offline se tornou território de desejo das marcas por motivos certos e errados, racionais e abstratos, mas muitos deles ancorados em comportamentos e demandas bem reais.
Um deles é a distinção social.
Mas ativações no mundo real, eventos, experiências e objetos físicos despertam interesse também porque são comunitários, sensoriais, duráveis, memoráveis e humanos.
Cada um desses aspectos parte de demandas da vida contemporânea que começam no excesso de telas, mas se estendem para a ausência de interações sociais, a substituição do corpo físico pela imagem editada de alguém e até o tal “AI Slop”.
Porque o offline é comunidade, ele nos permite lembrar que não estamos sozinhos nos nossos gostos e hobbies - seja correr uma meia maratona, seja ter sido fã da Xuxa na infância.
Porque o offline é sensorial, ele nos lembra que cada um é um corpo, e não apenas um cérebro e as pontas dos dedos. E que um corpo é capaz de sentir gostos, cheiros, toques, de dançar, cantar, esbarrar, ver e ser visto e se relacionar - de verdade.
Porque o offline é durável, ele se torna representação no mundo real de quem a gente é. Aquilo que decora os nossos ambientes, que compõe as nossas coleções, que está pendurado nas nossas bolsas e mochilas ou até geladeiras - ajuda a contar a nossa história.
Porque o offline é memorável, ele é uma grande oportunidade para as marcas investirem seus orçamentos de comunicação de forma mais assertiva. Estamos descobrindo que reunir um grupo de pessoas verdadeiramente atentas e interessadas tem mais valor do que atingir milhões de views sabe-se lá de quem.
E porque o offline é humano, ele é o único ambiente onde a gente vivencia o tempo de forma linear, a arte de forma artesanal e o mundo conforme a nossa própria curadoria de experiências - e não a de um algortimo.
Não é à toa que todo mundo quer mais disso.
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Passamos os últimos dois anos falando, desejando, criando, repetindo o termo “offline” nos nossos planos de mídia e carrosseis de Instagram, a ponto dele ter se tornado também um grande hype.
Por um lado, pessoas performando atividades online apenas para postar.
Por outro, marcas usando esse movimento como desculpa pra poluir visualmente o mundo real ou encher as nossas casas de objetos desnecessários.
(Nem tudo deveria ter um anúncio.
O mundo não precisa de mais um brinde com o seu logo sem intenção nenhuma).
E agora?
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continua na próxima edição.
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para inspirar
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Ao invés de só um case, vocês aceitam três? :)
Como parte da nossa estratégia de ser verdadeiramente multicanal (com conteúdo feito para cada plataforma) e inspirar as pessoas por trás das marcas brasileiras e no Brasil, surgiu a #BrasilnaBits.
Uma editoria no Instagram para explorar marcas brasileiras de diferentes regiões e segmentos, e tudo que elas têm a nos ensinar.
Já passamos por Tramontina, Xeque Mate e Turma da Mônica.
E se você tiver sugestões, pode deixar aqui nos comentários.
para fazer parte da conversa
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O Instagram atualizou a sua tipografia e todo o seu universo visual. E é claro que todo mundo queria ter uma opinião. Convidamos Fábio Haag, um dos maiores especialistas em tipografia do Brasil (e do mundo), para dividir o seu olhar, no que muita gente considerou a melhor análise sobre o tema. Assista aqui.
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Na última semana, a cidade de São Paulo recebeu pela primeira vez o SP2B, evento de criatividade, inovação e negócios. Foram dias de grandes nomes, ótimas conversas e combinações inusitadas espalhadas por todo o Parque Ibirapuera - e na nossa timeline também.
para ler com calma
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A “cultura do resumo” e para onde vai a nossa capacidade de pensar
O mundo está ficando mais feio?
“As coisas estão ficando maiores, mais barulhentas e mais insistentes visualmente - como se ocupar mais espaço fosse, por si só, uma forma de valor”.
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para dar um tchau
👋🏼
Quem estava aqui ano passado sabe - quando a gente começa a falar muito do mundo offline, é porque tem algo impresso vindo por aí.
Aguardem a parte 2.
E me deixem porque esse é o meu suspense favorito do ano :)
- Bia
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