Eu conheci a Biblioteca de Zines por meio da minha querida Professora Jeniffer Yara (UEAP, Universidade do Estado do Amapá), na disciplina de Literatura Infantojuvenil. Em meio a este espaço de trocas e descobertas, publiquei um zine pela primeira vez e tive contato com esse tipo de produção também. Fiquei maravilhada.
O Zine me apresentou uma forma de criação cheia de liberdade, totalmente manual e principalmente acessível; afinal, sabemos que o processo de publicar um livro para muitos autores independentes (assim como eu), é algo inalcançável. Assim, o zine nasce da urgência, ou seja, do que se tem à mão.
Nesse sentido, a existência de uma biblioteca de zines online, gratuita e aberta que nos permite publicar nossos trabalhos sem barreiras, é algo que considero verdadeiramente maravilhoso. Minha relação com a Biblioteca de Zines é de profundo afeto, pois não a considero apenas como um acervo, mas como um espaço de acolhimento e incentivo de criação.
Essa importância ficou ainda mais evidente durante meu recente estágio, no Ensino Médio: após eu receber o tema da minha regência (poesia marginal), logo me questionei sobre como trabalhar esse conteúdo de forma que dialogasse com o contexto e interesses dos alunos, afinal eu queria algo que realmente os atravessassem e os envolvessem, e então me lembrei dos zines.
Propus a produção de zines em sala de aula, e o resultado foi surpreendente.
As criações dos alunos foram tão potentes, tão vivas, que eu não consegui aceitar a ideia de que aqueles trabalhos ficassem guardados ou esquecidos. Foi então, que surgiu a ideia de enviá-los para publicação na Biblioteca de Zines, para que aquelas vozes também pudessem circular, existir, serem vistas e lidas, ou seja, foi uma forma que encontrei de dar continuidade ao processo criativo deles, de afirmar que aquilo também era literatura.
Desse modo, para mim os zines carregam exatamente isso: Resistência.
Eles me remetem diretamente á poesia marginal, aos movimentos que escreveram e seguem escrevendo, à margem, como ato político, utilizando processos manuais e acessíveis, fora dos padrões oficiais. Portanto, o zine é uma arte possível, é voz que não pede permissão, é criação que nasce do corpo, das mãos, da urgência de dizer, resistir e existir.
Sobre a autora
Graduanda do Curso de Licenciatura em Letras Português, da Universidade do Estado do Amapá (UEAP). Mãe, educadora e zineira, tem a escrita como prática de resistência e o zine como espaço de memória artística. Residente no município de Santana, estado do Amapá; é apaixonada pela Educação de Jovens e Adultos (EJA), pela cultura asiática (Kpop, Doramas, BLs etc.) e por cozinhar aos finais de semana. Giselly acredita na educação como ato político, coletivo e transformador.
Nota da Idealizadora
Obrigada por ler até aqui :) tem sido muito bacana acompanhar o andar da Biblioteca de Zines por aí, e ver que nosso trabalho tem impactado pessoas positivamente e as conectado mais com criações manuais e criatividade em geral. Bora botar zines no mundo!
Lembrando que nossa newsletter é coletiva, e quem sabe não vem uma publicação completa com nossos materiais nesse ano…?
Interessados mandar um alô por e-mail em luanagoesmontes@gmail.com
Até logo!
Luana Góes
Idealizadora da Biblioteca de Zines, artista e designer
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