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Biblioteca de Zines · Oct 22, 2025

Autopublicação como autonomia e afeto

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A jornada de criação de um primeiro zine. Escrito por Daniela Rodrigues

Me chamo Daniela Rodrigues, tenho 38 anos. Nasci no interior do Pará, município de Afuá em uma ilha tão, tão distante chamada Maruim Grande. Aí vivi até meus 4 anos, quando minha família resolveu migrar para a zona urbana em busca de estudo e trabalho. Desde então moro em Macapá, município do Amapá. Sou acadêmica da Universidade do Estado do Amapá (UEAP) no curso de Letras/Português.

Desde pequena fui apaixonada por livros e literatura, encontrei na Universidade motivação para escrever, prática que eu já gostava de fazer, sempre brinquei que iria escrever o roteiro de um filme, talvez um dia se torne realidade.

Nesse caminho tive o primeiro contato com os zines, (faça você mesmo), em uma exposição de alunos da UEAP, com a Professora/Doutora em Estudos Literários Jeniffer Yara Jesus da Silva, na Universidade Federal do Amapá (UNIFAP).

Confesso que me apaixonei, esses livros carregam uma força extraordinária e pude vivenciar isso na minha primeira produção em parceria com minha colega de turma Viviane de Souza.

Fotos de Daniela Rodrigues

Criar meu primeiro zine foi uma experiência transformadora. Ele nasceu de um desejo de reunir palavras, sentimentos e imagens que me atravessam, uma vontade de dar forma ao que costuma ficar entre o pensamento e o papel. Nesse processo, descobri que fazer um zine é muito mais do que escrever: é construir algo com as próprias mãos, do início ao fim.

Essa primeira produção foi feita como resultado de uma sequência didática abordando o tema “A herança da violência desde o nascer”. Nossa inspiração foi o livro Nudes de Eva Vilma, produzido em literatura Cartonera. Outros colegas também produziram os seus Zines em parceria, Elizama e Jaqueline com o belíssimo “A força que reside” e Maria Eduarda e Yuri com o inspirador “Iarema”.

Produções de zine, fotos de Daniela Rodrigues.
Autores mencionados com seus zines. Fotos de Daniela Rodrigues

Esse processo de produção de zines tem alguns passos quase que ritualísticos: primeiro a escrita, deixando as ideias fluírem aos poucos, às vezes um texto mais poético, outras vezes um desabafo, uma reflexão ou uma memória. Depois vem a parte manual, escolher o papel, testar o formato, montar as páginas, imprimir, dobrar, costurar. Cada detalhe pede presença e carinho. É ali que o zine ganha corpo, textura, vida.

Foi assim que produzi meu primeiro zine em parceria, “Flores Feridas”. Essa obra carrega um pouco de relatos e denúncias de casos reais que todos os dias mulheres são submetidas, pelo simples fato de serem mulheres. Produzir este zine significa muito para nós, foi o pontapé inicial para as próximas obras que estão vindo por aí.

Zine “Flores Feridas”

Atualmente, estou trabalhando em mais três obras que farão parte de uma exposição neste mês, uma pegada infantojuvenil, cada história com sua própria voz, forma e ritmo. É um processo intenso e bonito, cheio de experimentação e descobertas. Gosto dessa liberdade de criar sem moldes, de ver o que nasce das minhas próprias mãos, da intuição, e do desejo que tenho de ver aquele trabalho pronto para ser lido.

A autopublicação tem sido, para mim, um gesto de autonomia e afeto. Poder criar e compartilhar meus próprios trabalhos é uma forma de me expressar sem filtros, de me conectar comigo mesma de maneira mais verdadeira. Cada zine é um pedaço de mim, feito com alma, papel e vontade de dizer o que o coração pede. É muito prazeroso poder fazer do meu jeito, ter liberdade de escolha, me sinto livre a cada escrita, escolha e produção. Mais que um trabalho, os zines têm sido uma terapia.


Siga a autora e acadêmica Daniela Rodrigues aqui.

Siga o coletivo Ventos do Norte, grupo de produção literária, aqui.

Agradecimentos para a incrível Jeniffer Yara, por sempre apoiar a produção independente de diversos jeitos e fazer essa ponte entre a idealizadora do projeto, Luana, e os acadêmicos da UEAP que estão explorando zines!

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Nota da Idealizadora:

A newsletter da Biblioteca de Zines tem sido um espaço bem legal pra compartilhar textos de diversas pessoas, em diferentes lugares do Brasil, sobre processos, oficinas, zines e afins. Convido pessoas para compartilharem suas coisas, afinal, toda perspectiva merece ter seu espaço por aqui. Tem sido muito gratificante poder panfletar esses textos e ter essas trocas. Acho importante apreciar as pequenas e grandes conquistas e, assim como zines tem diversos formatos, tem muitas pessoas por aí com coisas diferentes pra se dizer. Se alguém lendo isso tiver interesse em publicar algo com a gente, manda um e-mail em bibliotecadezines@gmail.com!

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Postado por Luana Góes

Artista multimídia, designer e idealizadora da Biblioteca de Zines


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