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Mapa da Música Autoral · Aug 3, 2026

"O que acontece quando ocorre um evento tão... catastrófico que você simplesmente muda?"

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Bazzan · Mapa da Música Autoral

Perdi nesta semana uma colega muito querida de trabalho.

A Sarah era uma pessoa competente, inteligente e com um senso de humor excelente, que é algo muito importante para mim. Estou trabalhando temporariamente fora da minha área (até fisicamente) e quando cheguei na redação tinha um monte de gente chorando.

No filme “Living in the material world”, um documentário do Martin Scorsese sobre George Harrison, o Tom Petty conta que recebeu uma ligação do George no dia da morte do Roy Orbison, um amigo deles e parceiro da banda Travelling Wilburys. No telefonema, o ex-beatle dizia “você não está contente que não é você?”. Ele reflete um pouco e diz: “Sim”.

Nunca consegui sentir isso. Quando alguém de quem gosto morre, não penso "ainda bem que não fui eu". Continuar vivo parece mais pesado, mais nauseante.

Foi uma semana em que o trabalho fez menos sentido, para dizer o mínimo.

O Nick Cave me ajudou muito no meu processo de luto quando meu pai morreu e tento apresentar ele a todo mundo que perde alguém. O trailer do filme “One more time with feeling” é um bom começo.

Coloquei abaixo a transcrição em português:

A maioria de nós não quer realmente mudar. Quer dizer, por que deveríamos?

O que realmente queremos é uma espécie de modificação no modelo original.

Continuamos sendo nós mesmos, mas apenas, com sorte, versões melhores de nós mesmos.

Mas o que acontece quando ocorre um evento tão...catastrófico que você simplesmente muda?

Você muda de uma pessoa conhecida para uma pessoa desconhecida.

De modo que, quando você se olha no espelho, reconhece a pessoa que era, mas a pessoa por dentro da pele é uma pessoa diferente.

Acho que esse é o sentimento aproximado.

Na semana passada também morreu o Glen Hansard e as histórias que começaram a pipocar nas redes sociais mostraram que ele teve uma vida extraordinária.

Ele apresentou o Jeff Buckley ao dono do Siné, um boteco de Nova York que ele fez residência antes de lançar o Grace, um dos melhores álbuns da história.

Ele ganhou o Oscar de melhor canção original, derrotando ninguém menos que Eddie Vedder. Para mim, Vedder havia composto para “Into the wild” a melhor trilha sonora de um único artista para um filme, empatada apenas com Elliott Smith em “Gênio Indomável”. Depois os dois ainda se tornariam amigos (ou talvez já fossem, não sei a cronologia).

Glen conheceu Leonard Cohen, Bob Dylan e até o Ted de “How I Met Your Mother”. É uma espécie de Forrest Gump da música misturado com Ronaldinho Gaúcho, pela quantidade de histórias e pela aleatoriedade das amizades.

Ele veio para SP em 2014 para abrir os shows do Eddie Vedder. Uma coisa massa que meu amigo Thiago lembrou:

“E ele improvisou uma musiquinha enquanto contava da experiência dele indo do aeroporto pro hotel.

Que ele ficou preocupado com os motoca acelerando loucamente no corredor.

Ele fazia até um “beep beep” na música. Honk honk. Sei lá como irlandês buzina com a boca”.

Pouco antes de morrer, ele estava num pub tocando essa música linda com algumas pessoas que mal conhecia. Tocava violão e cantava com uma paixão que fazia cada apresentação parecer a última. Dessa vez, era.

Estou na reta final dos mapas de Espírito Santo e Distrito Federal (aceito sugestões).

Abaixo mapas já publicados:

Read the original on bazzan.substack.com

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