Nesta quarta-feira, 10, vou dar uma palestra no Sesc 14 Bis sobre o Mapa da Música Autoral. As inscrições se esgotaram em menos de um dia, mas o evento foi transferido para um auditório e novas vagas foram abertas. É só clicar aqui (ao fim do texto eu dou o serviço completo e até um tutorial pra facilitar a inscrição). Tudo começou de forma muito despretensiosa, mas foi ganhando corpo, mudou o nome desta newsletter (agora ela se chama Mapa da Música Autoral, e a página do Instagram também) e me deu a responsabilidade de tentar ajudar um pouquinho os artistas da nossa cena emergente. O alcance ainda é limitado, mas já ajuda.
Recentemente, a editora de Pop do New York Times, Caryn Ganz, deixou o jornal após mais de 10 anos. Ela está no Substack, mas ainda não fez publicações.
Ganz tem uma carreira focada no jornalismo cultural e ajudou a dar cara e aumentar a audiência do digital nas revistas Spin e Rolling Stone antes de ser contratada pelo NYT, em 2015.
Depois de sua chegada ao jornal, ela determinou que a equipe focasse mais em resenhas de singles em vez de álbuns ou shows que aconteciam em Nova York. Segundo ela, a mudança de costume das pessoas e o fato de o NYT ser uma publicação global tornavam as resenhas das apresentações ao vivo meio irrelevantes. A verdade é que boa parte desses leitores jamais veria aqueles artistas.
Na época, existia um temor de que a cobertura impactasse em especial a cena de jazz nova iorquina, que era muito pautada por shows.
Jornalismo e suas fontes, no caso aqui a música, têm interesses diferentes, mas os jornalistas muitas vezes parecem esquecer o quanto a cobertura pode influenciar o cenário cultural.
Certa vez eu conversava com um colega sobre o monopólio musical do sertanejo no interior de SP. Ele argumentava que cada um tem a liberdade de ouvir o que quer, mas eu dizia que quando a rotina das pessoas é cercada por bares, rodeios, festas agropecuárias e outros eventos que privilegiam apenas um estilo, essa escolha se torna muito mais difícil. É uma barreira invisível. Quem quer ouvir outra coisa precisa pesquisar, viajar para assistir outros artistas e por aí vai.
Mesmo no que sobrou das editorias de cultura dos grandes jornais e sites, há um direcionamento para o que já desperta interesse do público. É, de certa forma, o mesmo caminho percorrido pelo NYT com Ganz. Dê ao povo notícias sobre artistas que eles já conhecem e gostam e só saia disso para contar boas histórias com potencial de cativar o público.
Não é raro um jornal fazer umas quatro resenhas da Luísa Sonza antes de tentar falar de bandas que estão movimentando a cena independente. Te desafio, por exemplo, a achar qualquer artigo que fale mal da Anitta, e não vou entrar no mérito de ela merecer críticas negativas ou não.
Recentemente o consagrado produtor Felipe Vassão, que tem quase 500 mil seguidores e faz conteúdo esperto sobre música nas redes, fez um vídeo bastante elogioso à cantora. Na descrição, quem chegasse ao pé do texto poderia ver que se tratava de publi.
Toda semana eu atualizo uma playlist colaborativa com a Cena, reunindo lançamentos e trabalhos recentes de artistas independentes que escaparam da cobertura tradicional. A playlist já tem mais de 550 seguidores e a ideia é dar mais visibilidade para bandas que costumam passar batidas pela cobertura geral.
Dia 10/6, quarta, das 19h às 21h
Centro de Pesquisa e Formação
Rua Dr. Plínio Barreto, 285 - 4º andar
Local: Auditório
Na palestra, vou contar como nasceu a newsletter, dar detalhes do Mapa da Música Autoral e responder às perguntas de quem estiver presente. Também vou distribuir versões impressas do mapinha.
Se você não conseguiu vaga na primeira leva, o Sesc abriu novas inscrições após transferir a atividade para um auditório maior.

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