Escrito encontrado numa carteira da Company na rua da Bahia em Belo Horizonte.
óia, pra ser honesto: essa sua aspiração quase fofinha de pertencer ao grande Círculo dos Escritores, escrito em neon, é um equívoco de proporções categóricas.
O caso é que esse tal meio tem tanto a ver com o ato real de colocar palavras numa página quanto um desfile de moda tem a ver com a termodinâmica industrial das máquinas de costura. É um ecossistema sustentado por uma moeda de troca composta 50% por quem cê conhece e 50% por quem te validou publicamente em um post de 280 caracteres.
Ainda que o seu desejo não seja o grande pódium de Tudo é Reels ou o Prêmio Cágado Dourado, mas apenas o anseio humano básico por uma interlocução, a realidade é um tanto mais cínica: Se não passou pelos ritos de iniciação da Oficina da Santa, onde se aprende a arte de olhar por cima dos óculos, já tá em desvantagem estatística. Sem o tapinha nas costas que funciona como um passaporte diplomático para o território da RRRelevância, cê para todos os efeitos práticos, invisível.
A turma não tá interessada na sua prosa, tão interessados no ex-tatus de ficar perto de quem a turma decidiu que importa. Cê está jogando um jogo cujas regras foram escritas em um guardanapo que cê não foi convidado a ler.
Minha sugestão, que ofereço com uma empatia desconfortável, é que cê abrace o seu ex-tatus de isquisito. Volte duas, três, dez casas no tabuleiro. Vá até a copiadora mais próxima, grampeie o seu livreco, com todo respeito, e siga o seu caminho solitário. No fim das contas, a escrita de verdade acontece no silêncio, longe do ruído branco da vaidade de quem quer que seja.
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