Aqui é Natali e tô muito realizada de poder dizer que pela primeira vez a justiça foi feita duas vezes nesta news. Vocês terão que chegar até o final pra descobrir. Além disso, tem um papo sobre a Lei Maria da Penha, sobre o medo que nos ronda, e uma listona mega especial que a equipe d’AzMina fez com indicações de leituras e outras coisinhas mais. Bora nessa?
1 em cada 4
Completando duas décadas de existência, a Lei Maria da Penha (LMP) é alvo de tentativas constantes de mudanças, nem sempre positivas. Entre junho de 2025 e junho de 2026, 89 propostas de alteração da lei foram apresentadas pelo Poder Legislativo. Uma em cada quatro é avaliada como desfavorável aos direitos das mulheres por organizações da sociedade civil especializadas no enfrentamento e na prevenção da violência doméstica.
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Nossas vidas importam
Em menos de 15 dias três mulheres (Tainá, Edmara e Dayse) foram vítimas de feminicídio em Santarém (PA). Elas se somam aos nomes de Jucileide e Carol, mortas em dezembro de 2025 e março deste ano no município. As estatísticas apontam um salto alarmante de 76% nos registros de violência contra a mulher no estado.
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O medo que nos ronda
Eu tenho optado por rolês caseiros e muitas amigas também. Um dos motivos é a insegurança nas ruas, e talvez esse medo esteja organizando nossas vidas.
Pô, fala do Ceará não…
Numa sessão na Câmara de Curitiba, a vereadora Tathiana Guzella (PL) perguntou pra vereadora Vanda de Assis (PT), “por que a senhora não volta pro Ceará”, sua terra natal. O comentário foi rechaçado como xenofobia pela parlamentar. Na representação protocolada no MPF, os advogados de Vanda escancararam que tem muita gente que pensa como a vereadora do PL.
Reprodução Plural
Endurecer penas
Nesta quinta-feira (6), o presidente Lula sancionou a lei que amplia a punição para crimes de violência sexual contra crianças e adolescentes, especialmente no ambiente digital e em crimes praticados com o uso de inteligência artificial.
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Jogos online e IA viram ferramentas de abuso sexual infantil
Ela não é inocente
Existe uma estatrégia da Uber nos Estados Unidos em casos de violência sexual: os questionamentos sobre roupas, comportamento e traumas de vítimas visam apenas coletar fatos específicos, sem intenção de culpabilizá-las. No entanto, para especialistas jurídicos e em direitos das mulheres, tais condutas processuais geram revitimização e constrangimento severo, induzindo sobreviventes a aceitarem acordos desfavoráveis ou abandonarem ações judiciais contra a empresa.
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Você sabe o que é revitimização institucional?
Um vice criminoso?
O vice de Flávio Bolsonaro na corrida presidencial, deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), é acusado de estupro de uma adolescente. O crime ocorreu anos atrás e teria resultado no nascimento de um filho do parlamentar com a menor de idade. Com a repercussão negativa, Michelle Bolsonaro voltou a ser considerada como possível candidata a vice na chapa do enteado. Nisso tudo, desejo que a jovem esteja em segurança.
Justiça reprodutiva
Oito em cada dez adolescentes grávidas atendidas pelo Hospital da Mulher da Unicamp (Caism) não planejaram a gestação. Para o sociólogo Negli Gallardo-Alvarado, responsável pelo estudo, o dado mostra que essas meninas ainda não conseguem exercer plenamente seus direitos sexuais e reprodutivos. Sem acesso adequado a métodos contraceptivos, educação e informação, elas têm menos autonomia para decidir se querem ter filhos, quando e quantos.
Mais verde que nunca
Você tá ligada no que tá rolando no Chile? Um projeto criado pela extrema direita do país, chamado “Escucha su corazón”, quer tornar a escuta dos batimentos do feto uma etapa obrigatória antes da interrupção legal da gravidez. No último final de semana, organizações feministas de lá não deixaram isso barato e foram às ruas para dizer “Escucha mi decisión”. Aqui no Brasil uma lei semelhante foi sancionada em Goiás em 2024.
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Vai, mundo!
Acho que às vezes podemos acreditar sim que a justiça será feita. O Superior Tribunal de Justiça decidiu, por maioria absoluta, punir o ministro Marco Buzzi com a perda do seu cargo diante das acusações de assédio e importunação sexual. É a primeira vez que um ministro vai ser demitido e não apenas entrar numa aposentadoria compulsória.
Para que jamais esqueçamos
Seguindo a onda de manter alguma crença no mundo, a Justiça Federal condenou o ex-sargento do Exército Antônio Waneir Pinheiro de Lima, o “Camarão”, pelos crimes de cárcere privado qualificado e estupro cometidos contra a historiadora e militante política Inês Etienne Romeu em 1971, na Casa da Morte em Petrópolis (RJ). A justiça demorou a chegar, e infelizmente Inês já não está mais viva para ver isso. A sentença de quase 13 anos em regime inicial fechado e perda do cargo público também reconheceu o crime de estupro como um crime contra a humanidade, ou seja, sem aplicação da Lei de Anistia.
O passado sempre volta
Enquanto organizava a curadoria da exposição “Orgulho e Resistências: LGBT na ditadura”, para o Memorial da Resistência, em São Paulo, o escritor Renan Quinalha encontrou registros fotográficos únicos. As imagens mostravam os rostos de pessoas da comunidade LGBTQIAPN+, que haviam sido detidas nas constantes operações de “limpeza” urbana em São Paulo, lideradas pelo delegado José Wilson Richetti. Esses retratos provavelmente serviram para o fichamento em batidas policiais que ganharam força durante o regime militar, quase sempre ocorrendo na calada da noite nos guetos das grandes cidades.
/// ROLÊ CULTURAL ///
Papo no cinema
No próximo sábado, 8 de agosto, o Cine Glauber Rocha, em Salvador (BA) recebe uma exibição especial de “Muito Prazer”, nova comédia dirigida por Jorge Furtado (“Saneamento Básico, O Filme”). A sessão será seguida de debate e contará com a presença de parte do elenco, além do diretor do longa. Após a exibição do filme, em um papo mediado por Ana Durães, Jorge Furtado conversará com Mari Leal (jornalista e gerente do PenhaS aqui d’AzMina) sobre intimidade e privacidade na era da tecnologia. O evento integra um ciclo de sessões-debate inspiradas pelo filme, que percorre diferentes capitais brasileiras.
Sapataria Festival
Neste sábado (8), o Pátio Metrô São Bento, no centro de São Paulo, recebe a primeira edição do Sapataria – Festival LBT (@sapatariafestival), evento gratuito que reúne debates e apresentações artísticas para fortalecer a visibilidade de mulheres lésbicas, bissexuais e trans.
/// PERSONALIDADE DA EDIÇÃO ///
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Inês Etienne Romeu foi militante da luta armada contra a ditadura militar e a única pessoa a sair viva da Casa da Morte, centro clandestino de tortura em Petrópolis (RJ). Presa em 1971, passou 96 dias no local, onde foi torturada, estuprada e humilhada. Para escapar, fingiu aceitar trabalhar como infiltrada para o Exército. Foi deixada gravemente doente na casa de uma irmã, pesando apenas 32 quilos, e depois permaneceu presa até ser beneficiada pela Lei da Anistia, em 1979.
Ao deixar a prisão, Inês tornou público o depoimento que havia escrito ainda em 1971. Seu relato permitiu localizar a Casa da Morte, identificar agentes envolvidos nas torturas e esclarecer o destino de pessoas desaparecidas. Inês dedicou o restante da vida à denúncia dos crimes da ditadura e, em 2014, reconheceu seis de seus torturadores diante da Comissão Nacional da Verdade.
Inês morreu em 2015, aos 72 anos. Seus testemunhos foram fundamentais para revelar o sistema de violência da Casa da Morte e fizeram dela um símbolo da luta brasileira por memória, verdade e justiça.
Abraços, pessoal! Nos vemos sexta que vem :*
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