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AzMina · Aug 14, 2026

Ainda é agosto?

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AzMina · AzMina

Aqui é Natali, como estão as coisas por aí? Nesta edição da controlzinha de vocês temos uma reportagem sobre desigualdade de gênero e o fato do Congresso ignorar maternidades solos. E como ainda é Agosto, mês de aniversário da Lei Maria da Penha, de incentivo à amamentação e da visibilidade lésbica, na edição de hoje estamos em todas as trincheiras trazendo as boas e más notícias que rodeiam tudo isso. Vamos nessa?

Sem creche, sem trabalho

Mais de 2,5 milhões de mulheres deixaram de trabalhar para cuidar de familiares ou das tarefas domésticas, segundo indicadores do IBGE de 2022. Ainda assim, dois terços dos projetos de lei sobre creches apresentados no Congresso nesta legislatura (2023-2026) ignoram a desigualdade de gênero e sequer mencionam temas como maternidade solo, dupla jornada e corresponsabilidade parental. Um levantamento da QuitérIA, a inteligência artificial d’AzMina, aponta que as creches foram pautadas 86 vezes desde 2023.

Ex-marido de Maria da Penha

O ex-marido da ativista Maria da Penha, Marco Antônio Heredia Viveros, foi preso por descumprir a medida protetiva contra ela e duas das três filhas deles. O Ministério Público do Ceará pediu a prisão após ele ter dado uma entrevista à TV Record falando sobre a tentativa de assassinato que cometeu contra a ex-mulher, o que descumpre decisão judicial.

>>> Saiu n’AzMina:

Violência vicária

Casos de crianças assassinadas pelo próprio pai como forma de atingir as mães, que são suas companheiras ou ex-companheiras, têm chegado ao público e causado indignação na última semana. O nome disso é violência vicária, um tipo perverso de violência de gênero que ataca terceiros para atingir a mulher. Neste vídeo, AzMina analisa por que a premissa de que “ele é um péssimo companheiro, mas um bom pai” não se sustenta na prática.

Vítimas invisíveis

O Brasil registrou 1.568 feminicídios em 2025, o maior número desde a tipificação do crime em 2015, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. O impacto da violência de gênero atinge profundamente familiares, que enfrentam consequências a longo prazo. Órfãos e parentes de vítimas do feminicídio lidam com danos que se estendem por décadas, sendo eles psicológicos, financeiros e conflitos de guarda, frequentemente negligenciados pelo Estado.

>>> Saiu n’AzMina: As vítimas da violência doméstica que não entram nas estatísticas.

Acolhimento em SP

Nove das 32 subprefeituras de São Paulo não possuem nenhum serviço de acolhimento a mulheres vítimas de violência. A falta de atendimento especializado se concentra em distritos periféricos, de acordo com levantamento da Agência Mural. E na maior capital do Brasil, só existem nove Delegacias da Mulher.

Uma prefeitura que não sabe o que faz

A Prefeitura de Cuiabá proibiu a distribuição de 2026 da Caderneta da Gestante na rede pública de saúde da capital. A ideia foi da vereadora e primeira-dama de Cuiabá, Samantha Iris (PL). Ah… mas por que? A nova edição aborda o atendimento a pessoas trans, casos de gravidez decorrente de violência sexual, e explica as situações em que o aborto é legalizado. E a prefeitura considerou inadequado tudo isso…

Aborto legal silenciado

Metade das crianças grávidas com menos de 14 anos não recebe opção de aborto legal, diz pesquisa da ONG Plan International. O estudo ouviu mais de 1.500 mulheres de 19 a 29 anos no país no início do ano, destas, 35% engravidaram na infância ou adolescência.

Internação compulsória

Após manterem a escritora Helena Lahis internada contra a própria vontade, a clínica psiquiátrica Espaço Clif Mente e Vida e o seu ex-diretor, Gabriel Bronstein Landsberg, foram condenados em duas instâncias. A situação ocorreu três semanas após a escritora pedir o divórcio do ex-marido, Paulo Henrique de Lima, presidente da Universal Music Brasil. Na ocasião, uma psiquiatra amiga da família e dois enfermeiros surpreenderam Lahis em seu quarto, comunicando que ela seria internada em uma instituição psiquiátrica por ordem do então marido.

>>> Saiu n’AzMina: Tratar uma mulher sã como se fosse louca, só porque ela não faz o que esperam dela, é uma forma histórica de violência de gênero, e que se reflete nos dias de hoje.

Magras magras magras

Agosto é o mês que celebra a amamentação, e dois levantamentos nas buscas no Google sobre o tema mostrou uma preocupação diferente: a dúvida: “quem amamenta pode tomar Mounjaro?” lidera a procura, enquanto a pergunta “amamentar emagrece?” aparece em 5º lugar no ranking. É importante que quem queira ou precise usar o medicamento tenha informações seguras sobre ele. Mas também é curioso (e triste) como o desejo de ser magra reina nas situações mais inapropriadas e que ninguém sai ileso.

Violência facilitada pela tecnologia

Um professor está sendo investigado pelo crime de assédio sexual após chantagear uma aluna de 15 anos. Prints de mensagens divulgados pela polícia mostram que, após a menina negar as imagens dela nua, ele a ameaçou com a possibilidade de reprová-la e chegou a perguntar para a aluna se ela queria “decepcionar a família” com o mau desempenho no colégio.

Fim do Discord no Brasil

As lives do Discord no Brasil deverão ser suspensas após determinação da Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD). A medida acontece após a primeira-dama Janja da Silva defender, na semana passada, que a plataforma deveria ser retirada “imediatamente” do Brasil, citando o caso de uma menina de 13 anos que teria sido coagida por outros usuários a tirar a própria vida durante uma transmissão ao vivo na plataforma em Mato Grosso do Sul.

IA: entre inovação e desigualdades

Entre promessas de eficiência e ganhos de produtividade, a IA também amplia vieses que alimentam estereótipos, machismo, racismo e outros preconceitos.

Uma cartilha pro puerpério

Pesquisadoras da Escola de Enfermagem (EE) da USP desenvolveram a cartilha “Meu plano de pós-parto”. A ferramenta orienta gestantes a refletirem antecipadamente sobre cuidados, rede de apoio, saúde mental, sexualidade e organização da rotina após o nascimento do bebê, promovendo sua autonomia e protagonismo.

A JK Rowling não para

A autora intensificou seus ataques contra o reconhecimento da identidade de gênero no Reino Unido. Agora, ela se dispõe a financiar processos judiciais contra o sistema público de saúde britânico, que ainda permite que mulheres trans frequentem espaços femininos. O anúncio vem na esteira de novas diretrizes da Comissão de Igualdade e Direitos Humanos que visam restringir esse acesso.

>>> Saiu n’AzMina: 6 autoras pra vocês parar de dar dinheiro pra J.K. Rowling

☆*: .。. o NOSSO CADERNO DE CULTURA o .。.:*☆

Vale a pena conferir. O documentário “Quando Vira a Esquina”, dirigido por Chris Alcazar, abre espaço para as vozes de profissionais do sexo que trabalham na Vila Mimosa, o reduto de prostituição mais antigo e conhecido do Brasil. Disponível no Amazon Prime.

Pra pensar. Por que uma Frida Kahlo vale mais que uma Tarsila do Amaral?

Uma mulher centenária. A maestrina Hugueta Sendacz atua como guardiã da cultura ídiche no Brasil. Em São Paulo, a musicista de quase 100 anos comanda o Coral Tradição, que fundou com amigos em 1988. O grupo canta apenas em ídiche, uma mistura de várias línguas, do hebraico ao alemão medieval, criada há mais de mil anos por judeus.

Sugestão fresquinha de livro. “A linguagem das mulheres políticas: desmecanizar o pensamento é emancipar a fala pública”, de Juliana Romão. A obra aborda a importância da expressão pública das mulheres e reflete sobre a palavra como instrumento de emancipação, resistência e transformação social.

Lançamento novo no pedaço. “Amor preto”, novo livro da Carla Akotirene, fala sobre relações amorosas, entrelaçando o conceito de escrevivência da Conceição Evaristo com os temas estudados por bell hooks (e tantas outras autoras negras).

Nosso Clube <3. O Clube de Leitura d’AzMina foi criado para aproximar literatura, comunidade e debate feminista. Em parceria com o projeto História Guardada, nosso próximo encontro já tem data: 23 de setembro, às 19h30. A gente vai ler “As vacas não me olham mais na cara”. Para participar basta apoiar AzMina com qualquer valor.

COMO FUNCIONA O CLUBE D’AZMINA

  1. Pra fazer parte é só apoiar com qualquer valor em catarse.me/azmina.

  2. Quem participa do Clube pode convidar uma pessoa nova a cada encontro — mesmo que ela não seja apoiadora.

  3. Os encontros são a cada dois meses. Sempre às quartas, 19h30.

  4. O próximo encontro é dia 23 de setembro, para ler a obra “As vacas não me olham mais na cara”.

  5. Existe uma alternância entre ficção e não-ficção a cada encontro.

  6. As obras são escolhidas pelo grupo.

/// ARTISTA DA EDIÇÃO ///

“Assim bordei meus sonhos”

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Margarida L. Kanciukaitis Pandolfo (1943 - 2026), nasceu em São Paulo. Filha de imigrantes lituanos, cresceu num ambiente artístico, entre a tapeçaria da avó, os bordados da mãe e a pintura do tio. No entanto, dedicou parte de sua vida para o cuidado da casa e dos filhos. Somente em 2005 ela borda sua primeira obra autoral. Ela deixa de ser apenas uma “mulher comum” e passa a ser uma artista, também incentivada por seus filhos, OSGEMEOS — Otávio Pandolfo e Gustavo Pandolfo —, Adriana P. Alves e Arnaldo Pandolfo. A técnica de Margarida passa por bordados, retalhos, crochês e pinturas, com referências culturais diversas e explorando temas como pertencimento, deslocamento e construção de novas histórias.

A artista faleceu este mês, mas deixou um legado que pode inclusive ser conferido mais de perto até outubro no Museu da Imigração, em São Paulo, que reúne cerca de 300 itens, entre fotografias, documentos de acervo e obras da artista.

Até a próxima semana, viu? Beijos!

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Read the original on azminanews.substack.com

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