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AzMina · May 22, 2026

Dama de marfim

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AzMina · AzMina

Oi, povo!

Aqui é Natali e tô na maior correria. Mas vocês já pararam pra pensar o que anda acontecendo com as feministas na América Latina? Ou mesmo o que leva tantos homens a consumirem violência sexual? A gente tem sido consumida pelos algoritmos e às vezes paradas bem importantes vão se perdendo. Ainda bem que vocês assinam a Ctrl+F. Hoje temos Ciro condenado, pesquisa sobre DIU, ex-freiras sapatonas e mais. Bora nessa?

Quando existir é perigoso

Entre janeiro e fevereiro de 2026, Pernambuco registrou 590 casos de violência contra pessoas LGBTQIA+, segundo relatório do Observatório LGBTQIA+ do estado. Além dos dados, o documento traz análises críticas e casos emblemáticos que evidenciam que a violência é estrutural.

Delegacias da mulher

Em 2020 AzMina desenvolveu o projeto Mapa das Delegacias da Mulher, um levantamento que trazia as 400 delegacias que existiam no país, para facilitar o processo de busca para quem precisasse de uma. Agora em 2026, uma delegada expôs que diversas delegacias estão fechadas.

14 longos anos

Por 14 anos a atleta Brenda Larissa Alves da Silva, de 27 anos, foi vítima de abusos sexuais, físicos e psicológicos pelo professor de jiu-jítsu Melquisedeque de Lima Galvão Ferreira, conhecido como Melqui Galvão. Ele foi preso no dia 28 de abril em Manaus. Os crimes começaram quando, aos 12 anos, ela entrou em um projeto esportivo na capital amazonense, onde ele atuava.

Proteção das crianças

Segunda (18/05) foi o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. Reunimos reportagens d’AzMina que revelam como essa violência atravessa a infância, os territórios, as plataformas digitais e o acesso a direitos.

>>> Mas você já parou pra pensar: se seu filho/a ou alguma criança da sua família te contasse que foi abusado, você saberia o que fazer nos primeiros cinco minutos? Este é um manual baseado em protocolos de proteção à criança e ao adolescente.

Coreografia da decisão

Está em pré-venda o livro “Coreografia da escolha: a disputa pelo aborto no brasil”. Na obra, as jornalistas Angela Boldrini e Carolina Moraes contam a história recente do aborto no Brasil a partir de momentos emblemáticos que definiram os rumos do debate público nas últimas décadas.

A parada LGBT sempre causando

Parece que a Câmara Municipal de São Paulo resolveu que o problema da cidade é a Parada LGBT. Com o PL 50/2025, do vereador Rubinho Nunes, crianças e adolescentes serão banidos de qualquer evento que ouse “fomentar práticas LGBTQIAPN+”, mesmo que os pais estejam lá. Na prática, é uma tentativa escancarada de ditar quem tem o direito de ocupar o espaço público e de garantir que certas famílias sejam invisibilizadas, como se a existência de uma comunidade inteira pudesse ser varrida da calçada por decreto.

>>> E o mercado, claro, já deu seu recado de “apoio” seletivo: a estrutura da 30ª edição vai murchar porque os patrocínios privados despencaram. De 19 marcas presentes nos anos anteriores, passamos para apenas três gatos pingados anunciados agora em 2026, gerando um rombo de 60% nas receitas. Revoltante ver que direitos humanos são tratados como tendência de mercado: se o clima político aperta, o arco-íris das empresas some rapidinho do orçamento.

Meninas super inteligentes

Yanna Francisca, de 16 anos, conquistou o 4º lugar na categoria Ciências Sociais e do Comportamento na Regeneron International Science and Engineering Fair (ISEF), nos Estados Unidos, por sua pesquisa sobre a demografia do feminicídio no Ceará. A estudante da rede pública desenvolve um estudo que propõe uma ferramenta capaz de revelar casos fora dos registros oficiais e traçar um perfil detalhado das vítimas, buscando orientar ações estratégicas de prevenção por meio da produção científica.

Teste genético

Mulheres com câncer de mama atendidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) agora têm acesso ao sequenciamento de nova geração (NGS), um teste genético de alta precisão que identifica mutações nos genes BRCA1 e BRCA2. Essa tecnologia é fundamental para descobrir se o tumor tem origem hereditária, permitindo que a equipe médica altere o tratamento da paciente e estabeleça estratégias de prevenção mais eficazes para seus familiares.

A dor não é um evento raro

Colocar o DIU dói muito mais do que dizem por aí. Enquanto as informações do Ministério da Saúde afirmam que menos de 5% das usuárias sentem dor moderada a severa na inserção. A pesquisa feita no Hospital da Mulher da Unicamp afirma que esse número é de 81%.

Duas ex-freiras sapatonas

Fran e Luiza se conheceram no convento, ainda na época em que planejavam dedicar a vida à Igreja. O tempo passou e elas decidiram deixar a vida religiosa por motivos diferentes. Foi nesse processo de adaptação à vida fora do convento que elas passaram a dividir a mesma casa. Tempo depois a amizade virou amor. Hoje, casadas, elas usam as redes para mostrar que fé e amor sapatão podem, sim, caminhar juntos.

Recuperação e justiça

Ana Clara Oliveira, 21 anos, sobreviveu a uma tentativa de feminicídio orquestrada por seu ex-companheiro junto do seu ex-cunhado. Ela teve as mãos decepadas, que foram reimplantadas em Fortaleza. Ela conta que sua maior força é a mãe, que é surda. No entanto, o trauma e o longo período de reabilitação (de 6 meses a 1 ano) a deixam com o temor de não conseguir se comunicar com ela, já que a forma com que as duas se entendiam era pelo toque. Para Ana, além da recuperação, desejamos justiça.

A igreja nem sempre é segura

Uma das mulheres vítimas do pastor Alan Pereira Vicente, preso pela Polícia Civil do Ceará (PCCE) e investigado pela prática de crimes sexuais contra fiéis da própria igreja, contou ter sido abusada sexualmente dentro da própria casa, em sessões retratadas pelo líder espiritual como um tipo de ‘limpeza’. Tudo aconteceu em um momento de fragilidade da vítima, quando ela se recuperava de um parto com sequelas.

Deu ruim pra Ciro

Quem lembra do ex-ministro Ciro Gomes (PSDB)? A Justiça Eleitoral do Ceará condenou o bonitão pelo crime de violência política de gênero por uma série de comentários contra a atual prefeita de Crateús, Janaína Farias, na época em que ela exercia o cargo de suplente de senadora pelo Ceará. A defesa de Ciro pode recorrer da decisão. Ciro deve pagar 20 salários-mínimos a Janaína e 50 salários-mínimos a entidades de proteção dos direitos das mulheres no Ceará.

Dama de marfim

Em 2008, arqueólogos encontraram na Espanha uma tumba de 5 mil anos tão chique, com punhal de cristal e presa de elefante, que achavam ser de um líder (homem) poderoso. Batizaram o corpo de “Homem de Marfim” e seguiram a vida, convictos de que só um macho poderia ter tanto luxo. O problema é que, 13 anos e muita tecnologia depois, a ciência resolveu estragar a festa: a análise dentária revelou que era, na verdade, uma mulher, sendo renomeada, devidamente, para “Dama de Marfim”.

Misoginia em campo

A misoginia marcou a partida da semifinal do Campeonato Brasileiro Feminino Sub-20 entre o São Paulo e a Ferroviária. A zagueira do tricolor Sarah Aysha foi ofendida por um maqueiro do clube adversário. Segundo relato da jogadora, ela foi chamada de “biscate” após receber atendimento. O protocolo de racismo e misoginia foi acionado pela árbitra Talita Ximenes de Freitas. O maqueiro foi retirado do estádio. Em prantos ela fala que é inadmissível. O futebol tem perdido muito com espaços cada vez mais violentos.

>>> Por que o futebol aceita tanto o ódio às mulheres?

Os policiais matam, as policiais morrem

As corporações não previnem feminicídios de servidoras, mas protegem os agressores, segundo investigação da Ponte. Desde 2015, pelo menos 15 mulheres agentes de segurança foram vítimas de feminicídio cometido por colegas policiais. As corporações não possuem políticas específicas para lidar com violência doméstica entre seus agentes.

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/// PARA ANOTAR NA AGENDA E CURTIR ///

21 a 24 de maio
Festival de cinema e cultural

De 21 a 24 de maio de 2026, o Teatro Municipal São José, em Fortaleza, recebe o Samburá – Festival de Cinema e Cultura do Mar. Com uma programação que reúne: cinema, música, cultura popular, feira de artesanato e mais. Se for, me avisa!

27 de maio
Mulheres: Música e Memória

Na próxima quarta-feira, 27/05, às 19h, as autoras Tracy Mann e Gaía Passarelli se encontram na Bibla Cafeteria e Livraria, em São Paulo (SP), para uma conversa mediada por Renata Simões. O bate-papo, intitulado “Mulheres: Música e Memória”, explora a interseção entre identidade feminina e obsessão musical através de seus respectivos livros: “O Mundo Todo É Bahia” e “Deslumbre”.

29 a 31 de maio
Festival MEL

Falta pouco para o Festival Mulheres em Luta 2026, promovido pelo Instituto E Se Fosse Você? que nasce do desejo de se juntar para respirar, pensar e agir. O evento será realizado entre os dias 29 a 31 de maio. Em São Paulo-SP (R. José Bento, 106). Inscreva-se aqui.

30 de maio a 7 de junho
A Feira do Livro 2026

Com mais de 100 autores, o festival literário paulistano que vai de 30 de maio a 7 de junho terá 200 atividades gratuitas no Pacaembu (SP).

20, 23, 25 e 26 de maio
4ª edição do Opará Saberes

Com inscrições gratuitas no local, a conferência Opará Saberes busca ampliar o acesso de mulheres à pós-graduação e aposta na educação antimachista para combater a violência de gênero e o feminicídio. O projeto foi criado por Carla Akotirene, doutora em Estudos Interdisciplinares de Gênero, Mulheres e Feminismo pela Ufba.

  • 23 de maio, às 10h, no auditório do Ministério Público da Bahia;

  • 25 de maio, às 10h, no auditório do Ministério Público da Bahia;

  • 26 de maio, às 18h, no auditório da Ordem dos Advogados da Bahia (OAB-BA).

/// ARTISTA DA EDIÇÃO ///

“Tentei ser uma feminista alegre, mas estava com muita raiva.”

///

Existem duas Agnes na minha vida e na de Nathalia Cariatti (editora dessa news). Agnès Varda (1928 - 2019), nascida Arlette, é uma delas. Nossa belga radicada na França preferida foi cineasta, fotógrafa, professora na European Graduate School e Doutora Honoris Causa pela Universidade Lusófona do Porto, em março de 2016.

Seus filmes focavam no realismo documental, ou formas não-ficcionais de mídia, e falavam sobre feminismo, com críticas sociais em um estilo experimental.

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Read the original on azminanews.substack.com

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